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De casa em casa pelo mundo

De casa em casa pelo mundo.

Procurando o significado de casa no dicionário encontramos que é um lugar destinado a encontros e geralmente é uma construção de cimento e tijolos.

A casa, portanto, nos abriga das chuvas, do calor e do frio e quando chamamos de lar estamos dando uma conotação mais afetiva a ela. Lar é o lugar onde abrigamos nossas emoções, o lugar de refazer as energias e de buscar o acolhimento. É subjetivo, uma espécie de alma da casa.

A casa suja fica velha, mas o lar ficará para sempre em nossa memória afetiva como um lugar especial. Uma casa tem apenas 4 paredes; mas um lar, um coração pulsando!

Sendo assim, desde que me aposentei, venho buscando conhecer casas pelo mundo para temporariamente chamar de lar.

Desde que me casei, em 2000, moro em uma casa pequena e simples que tem visto o bairro crescer, ficar mais feio e barulhento. Poderia me mudar, já que não preciso mais morar perto do trabalho. Mas, sem filhos e sem pais, por que criar raízes?

De uns tempos para cá, venho aprendendo a chamar de lar algumas casas em diferentes partes do mundo, por um tempo, e depois retorno para a minha casa até voltar a procurar outra. Confesso que é gostoso voltar, mas é maravilhoso ir.

A minha primeira experiência foi em 2014, na Costa Rica. Acho que fiquei um pouco encabulada com a experiência e me senti um pouco hóspede, ainda mais que a filha do proprietário morava ao lado e me deu bronca, algumas vezes, porque resolvi alimentar um gato que apareceu por lá.

Logo depois me mudei para um apartamento em que dividi a estadia com escorpiões, aranhas e
caranguejos que entravam pela porta do terraço, pois a tela estava rasgada. A proprietária havia comprado louças e panelas novas para a nossa estadia, mas resolvemos pedir para sair até porque percebi que ela entrava na casa quando não estávamos. Assim não dá. Você aluga a casa para chamar de sua, seja por um dia, seja por uma semana.

Leia também: dez motivos para morar na Costa Rica

Os franceses, na minha opinião, nem sempre acreditam na ideia de casa aconchegante. Em Paris, a casa alugada era tão pequena que quando a cama saía do armário ocupava todo o espaço da sala/quarto e não haveria espaço sequer para guardar as malas, já que no pequeno armário ficavam as roupas do proprietário. Não deu para chamar de casa, nem tão pouco de lar.

Já em Biarritz escolhemos um apartamento respeitando um único critério: máquina de lavar roupa. Chegando lá, a máquina era tão minimalista e ainda ficava em cima da privada e a cama, quando aberta, continuava dentro do armário. Também não deu para chamar de lar.

Acervo pessoal

Na Indonésia as casas são chamadas de vilas. Geralmente tem um quarto grande e cozinha aberta para o jardim e a piscina. A casa era muito bonita e bem decorada e tinha até uma empregada que falava 2 frases em inglês: good morning e go home, mas em geral a gente se comunicava bem. O problema era um visitante indesejável que aparecia no jardim: um rato! Foi preciso comprar várias ratoeiras e também alguns acessórios de cozinha para chamar de casa.

O melhor custo-benefício encontrei na África do Sul com as guest houses que, para nós, seria uma espécie de edícula, uma casa anexa. Geralmente estão localizadas em regiões nobres, oferecem limpeza diária, segurança e privacidade. Uma maravilha!

Agora com mais experiência me divirto muito abrindo as gavetas da cozinha procurando coisas e tentando traçar um perfil de como deve ser o proprietário, uma espécie de caça ao tesouro.

Numa dessas buscas encontrei uma fotografia do enterro do Pablo Escobar numa revista na prateleira da cozinha de uma fotógrafa…Uma relíquia que podia até mesmo gerar um documentário na Netflix, já que a casa dela era linda, com muitas obras de arte, livros e uma paisagem estonteante. Guardo de recordação, com muito carinho, o livro de fotos dela que ganhei ao ir embora e acho que essa foi uma das casas mais incríveis que fiquei.

Acervo pessoal

Nem sempre as casas são perfeitas. Às vezes, apresentam problemas elétricos, às vezes não têm
paredes e só vidros, às vezes são incríveis.

No dia a dia é sempre muito bom comprar um peixe fresco e cozinhar sua própria comida. Fiquei muito contente quando recebi o cartão fidelidade no supermercado na Costa Rica e me senti uma local. Aliás, visitar supermercados pelo mundo é sempre uma diversão muito cultural.

E como disse Carlos Drummond de Andrade no poema CASA ARRUMADA:
‘ Casa arrumada é assim: um lugar organizado, limpo, com espaço livre para circulação e uma
boa entrada de luz. Mas casa, para mim, tem que ser casa e não centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as
almofadas…não,  eu prefiro viver numa casa onde eu bato olho e percebo logo: aqui tem vida… Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda … É preciso arrumar a casa do jeito que lhe sobre tempo para viver nela …e reconhecer nela o seu lugar “ , seja na América Central , África , Europa, etc.

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2 comentários

Alicinha Maio 7, 2019 at 12:23 am

Amiga, achei lindo seu depoimento ! Suas viagens maravilhosas, experiências de vida, muitas emoções … dá até pra escrever um livro ! Sinto muitas saudades, mas tenho respeito e admiração por você, então, curta sua viagem … e ame muito … Deus abençoe , proteja e ilumine hoje e sempre ….

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Ciça Maio 14, 2019 at 1:05 pm

Obrigada. O bom de ir e vir é poder viver boas emoções e saber que existem pessoas especias nós esperando..

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