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Diário da quarentena: o mundo está fechado

Diário da quarentena: o mundo está fechado.

Após um mês em quarentena, praticamente trancada em casa, não sei se estou em um cativeiro ou em um retiro espiritual. São muitas emoções conflitantes e muitas informações aterrorizantes. Por conta disso,  resolvi dialogar com essas emoções fazendo um diário.

Tive como inspiração  O caderno da Gabi – (Facebook) – idealizado pela psicoarteterapeuta e coach Gabriele Ribas.
Assim como ela, acredito na necessidade de expressar meus sentimentos e reflexões, sabores e saberes, registrando também muitas informações sobre saúde mental, na tentativa de buscar um respiro e um crescimento espiritual enquanto o mundo está fechado.
Para a jornalista e escritora Ana Holanda, o ato de escrever pode nos ajudar a encontrar o que há de mais essencial dentro da gente, pois a escrita abraça e acolhe, nas palavras dela, extraídas do livro  Como se encontrar na escrita – o caminho para despertar a escrita afetuosa em você.
A escrita expressiva e afetuosa pode ser um respiro, um raio de sol a melhorar nossa imunidade.
Algumas pesquisas apontam que escrever sobre o que sentimos nos ajuda a organizar emoções e até mesmo a superar traumas. O psicólogo James Pennebaker, por exemplo, identificou uma melhora significativa em seus pacientes quando escreviam o que sentiam.

O meu diário começa com meu artigo publicado no dia 3 de abril, comentando sobre a quarentena em São Paulo; e continua com frases de livros e revistas que venho lendo e pensamentos de pessoas capturados de vídeos que venho assistindo.

Impressionante como apareceram estudiosos em saúde mental dando conselhos, vendendo manuais ou cursos de relaxamento nas redes sociais. Na minha opinião, muitas pessoas estão pegando carona no sofrimento humano e estão tentando profetizar como será o mundo amanhã. Recebo diariamente indicações de palestras e cursos para aprender a ter paz interior, como resolver problemas, plantar orquídeas e até mesmo como fazer faxina..

O historiador Karnal, em uma live do café filosófico, afirmou que as crises revelam heróis e canalhas.
Posso dizer que a crise atual está despertando a criatividade para o bem e para o mal, visto que já foram descobertas empresas falsas vendendo álcool em gel e máscaras; muitos cursos que prometem uma jornada de autoconhecimento instantâneo são, no mínimo, duvidosos.

Leia sobre: coronavírus nos Estados Unidos

O certo é que existe um vazio grande em nossa rotina e em nossas expectativas, e algumas pessoas estão aproveitando isso, ofertando qualquer coisa pelas redes sociais, assim como o novo shopping center online que vende de roupas até meditação por um click, apenas. Novos tempos!

Em tempos de normalidade, estaria agora pegando um avião para algum lugar conhecido ou desconhecido e ficaria por lá uns 40 dias ou mais. Mas o mundo agora está fechado. O mundo agora é meu computador, meu celular, meu Kindle e a Netflix.

O mundo desacelera e nas palavras da escritora e viajante Letícia Mello, publicado em sua página do Facebook, Do for love project:

Então, de repente o mundo para
Roupas novas sem uso
Corpos sarados sem toque
Rostos sem botox
Workaholics sem expediente
Viajantes sem viagem
Religião sem templo
Crianças sem responsabilidades
Adultos sem certezas
e a liberdade que parece que nos foi tirada, quem sabe tenha nos sido dada. Enfim, uma chance.

Sim, teremos uma chance, na opinião da astróloga Susan Miller. Plutão e Júpiter estarão em conjunção em Capricórnio, podendo trazer bons momentos. Momentos de euforia, explicou o historiador Karnal. Após grandes tragédias, períodos de euforia aparecem. Assim seja!

Enquanto isso, é preciso se inspirar, respirar e não pirar. O mundo está fechado…

Tentei ir á praia. Fui impedida de entrar, mas gostei da sensação de estar na estrada de novo.
Hoje, negocio melhor a raiva (do vírus, do governador ..) e aprendi a negociar com o tempo, repetindo o mantra # vai passar. E agora, procuro enxergar minha casa como meu abrigo (a aceitação). Limpo, cuido, leio e escrevo…Continuo em casa, pois o mundo está fechado!

Todas as outras Brasileiras Pelo Mundo também estão em casa. Lorena, na Costa Rica; Diene, na Arábia Saudita; Paula, em El Salvador; Viviane, na África do Sul; Lorrane, Lorena, Natália e Aline nos Estados Unidos…

Há momentos em que apenas existimos inteiras e inteiros. Sentimos nosso corpo, todos os sentidos alertas. Não por medo, por presença – Monja Coen – A sabedoria da transformação – reflexões e experiências. 

Vamos em frente. Tudo é a tapeçaria da vida. Cada experiência de vida nos transforma e nos modifica. Aprecie a vida aqui e agora, ensina a monja. É preciso aprender a negociar o ócio. Respeitá-lo .

Semana passada li o livro da antropóloga Miriam Goldenberg – Liberdade, felicidade & foda-se! 
Sim, buscar a felicidade, por um momento, seja através das palavras, sons ou imagens faz todo o sentido, nesse momento. Agora que o mundo está fechado, temos a oportunidade de abrir um pouquinho a mente e escutar nossos pensamentos. Escutar o silêncio. Viver o ócio e foda-se o resto.

Para mim, o próprio objetivo da vida é perseguir a felicidade. Se acreditamos nesta religião ou não; se acreditamos nesta religião ou naquela, todos estamos procurando algo melhor na vida. Por isso, para mim, o próprio movimento da nossa vida é no sentido da felicidade – Dalai Lama – A arte da felicidade.

Leia sobre: coronavírus na Itália

Espero que a ideia de fazer um diário te faça um pouquinho mais feliz. Conforme diz Ana Holanda, a escrita é para todos, pois cada um tem sua própria voz, seu caminho e seu talento. Demanda um querer, uma vontade de sair do sono profundo em que às vezes nos encontramos e, finalmente, viver.

Agora estou lendo o livro O fio da trama, de Alessandra e Consuelo Blocker, sobre a família de Costanza Pascolato, escrita através das páginas do diário de sua mãe. Milhares de linhas tecendo uma história de amor e superação resgatadas, anos depois, por sua neta. Um tesouro. Uma herança infinita que o tempo não foi capaz de apagar.

No mundo pós-pandemia, olharei de novo o meu diário com a certeza de que sobrevivi. Não sei se estarei mais zen ou mais pobre, mas estarei viva e viajando por aí. Uma Brasileira Pelo Mundo, como tantas outras.

Saúde, paz, serenidade e fé.

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