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Delft, a pequena Amsterdam

Delft, a pequena Amsterdam.

Aconchegante. Acredito que essa é a melhor palavra que pode ser usada para descrever a cidade de Delft localizada na Holanda do Sul. A cidade é uma versão menor e menos caótica de Amsterdam, com um número absurdo de cafés, restaurantes e bares para o seu tamanho. Ah! claro, assim como Amsterdam a cidade é cheia de canais, a coisa mais fofa! Só não é fofo parar perto deles, na verdade é bem desesperador. Dá um frio na espinha ver as pessoas estacionando. Eu nem olho porque senão perco uns três anos de vida nessa brincadeira.

Já ouvi relatos de amigos que viram carros dentro do canal, o que me leva a minha primeira dica: NÃO ANDE DE CARRO EM DELFT. Ponto. É o caos, tem trezentas mil bicicletas, é péssimo para estacionar e muitas vezes você não pode parar porque a maioria das ruas são residenciais e só pode parar quem tem permissão. O que fazer? Bom, a melhor opção é ir de trem (apenas 50 minutos de Amsterdam) e caminhar, afinal a cidade é nano, então não precisa se preocupar porque não vai nem fazer bolha no pé.

Em Delft tudo é perto, então dá tranquilo para conhecer a cidade em um dia. Chegando de manhã, vá em direção a Sint Agathaplein onde está a Prinsenhof que foi a casa do famoso Guilherme de Orange quem começou o movimento de independência da Holanda. Momento de atenção para o nome dele Orange que é a razão pela qual a cor do país é o laranja. Ele foi assassinado e enterrado em Delft e, desde então, quase todos os membros da família real holandesa foram enterrados nessa cidade na Igreja Nova.

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Após essa visita, para continuar bem o dia, eu aconselho tomar um bom café da manhã na padaria chamada Michel. Lá tem simplesmente o melhor “pain au chocolate” com amêndoas que você comerá na sua vida. Socorro! Faça esse favor para o seu corpo e você não vai se arrepender. Depois desse momento de felicidade em forma de massa folhada, vá até a Igreja Velha. Para entrar você precisa pagar, mas isso te dá direito de visitar a Igreja Velha, a Igreja Nova e subir até o topo. Só para visitar as Igrejas custa 5 euros e para subir você paga 3 euros a mais. A Igreja Velha tem simplesmente mais de 1400 túmulos de famílias, incluindo pessoas famosas, como por exemplo, o pintor Johannes Vermeer que pintou a “Moça com Brinco de Pérola” que é bem conhecida. Tem um museu dele na cidade para quem quiser visitar, porém as pinturas não são originais.

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Saindo da Igreja Velha, dirija-se à praça central, o Grote Markt. De um lado você pode ver a prefeitura e do outro a Igreja Nova. Vale super a pena subir até o topo da torre porque a vista é bem bonita e caso você queira fazer amigos é o lugar ideal, porque as escadas são tão estreitas que quando um está subindo e outro descendo você consegue sentir até a respiração da pessoa. Nunca vou esquecer quando eu estava descendo, um moço simplesmente desistiu e estava tal qual uma lagartixa pregada na parede para as pessoas conseguirem passar. Acho que estava mais difícil de passar porque eu não conseguia parar de rir do que pela escada em si, mas rolam umas acrobacias de vez em quando.

Quando sair da Igreja Nova, pare um minuto e observe: ela é torta por causa do tipo de solo. Graças a Deus não é torta o suficiente para você passar pelo momento “mais pra esquerda, mais pra direita” pro seu amigo conseguir tirar uma foto tipo segurando a Torre de Pisa. É mais no estilo dos prédios em Santos para aqueles que conhecem (cidade que por sinal também tem canais. Ai que europeia!). Ao lado direito da Igreja Nova, está o Blawe Haart ou “Coração Azul” que é a cor característica da cidade (pequeno spoiler para partes futuras do texto).

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Algumas opções de almoço: vá ao Zondag para um ótimo lanche de queijo de cabra, ao The Roti shop para provar uma comida do Suriname que vale a pena ou ao Thuis para comida holandesa. Se for dia de mercado (terças e sábados) aconselho provar um bom peixe frito Lekkerbek ou Kibbling como comentei no post sobre Groningen. Para sobremesa, a torta de maçã com um quilo de chantilly do Kobus Kuch e os sorvetes maravilhosos do De Lelie.

Voltando ao tema do azul, a cidade é conhecida pela sua cerâmica que tem as cores branco e azul e por isso esse tom de azul é conhecido como “azul de Delft”. É possível visitar a fábrica de cerâmica que chama Royal Delft. Lembranças para a família incluem: tamancos, casinhas ou um casalzinho se beijando. Todos feitos com essa cerâmica. Após a visita se estiver animado para um café diferente vá ao Kek e peça o Iced Mocca que é uma bola de expresso congelado que você coloca chocolate quente em cima. Precisa falar mais alguma coisa? Agora, se a ideia for tomar uma cerveja, o bar Tango é ótimo para sentar na janela em um dia de sol (e lá você pode levar sua própria comida) ou qualquer bar no Beestenmarkt que é uma delícia para dias de sol, mas também para dias frios já que os bares tem aquecedor e cobertorzinho. Vida.

Se o dia estiver bom, minha recomendação é ir até o Delftse Hout que é o meu lugar favorito. É um parque com um lago lindo (que pode nadar se quiser), lá você fica na maior tranquilidade e é um ótimo lugar para um piquenique. Se estiver sol as cores ficam incríveis. Dá uma olhada na foto! Lá também tem a maior população de patos e cisnes que já vi na vida.

Pôr do sol no lago – Delftse Hout (Créditos: Maude Groenewege)

Um outro lugar para os amantes de paz e tranquilidade fica um pouco afastado, mas se você alugar uma bicicleta, é rapidinho. Chama Op Hodenpijl e é uma antiga igreja que hoje em dia tem um café que é uma graça e serve almoço, uma pequena capelinha e você pode subir na torre que tem algumas almofadas para relaxar, meditar e ficar tranquilo.

O que não pode faltar agora é falar do jantar e da noite na cidade. Para comer muito temos as opções “coma à vontade”: costelinhas de porco no De Beren, tapas no Tapas e Mezzes ou panquecas no Het Gulden ABC. Para quantidades mais normais de alimento, o Bier Fabriek tem um belo frango com molho barbecue e cervejas da casa e o Stromboli uma ótima pizza e um calzone gigantesco.

Bares não faltam na cidade, mas o Café Het Klooster tem a maior variedade com 20 chopes e 180 garrafas diferentes. Outras opções são Café de Engel que conta com jogos de tabuleiro, Belvédère que é o mais famoso no Beestenmarkt ou o Bebop com um terraço aconchegante. Falando em baladas temos a Ciccionina ou o Steck e finito. Não se pode ter tudo nessa vida, né? A música é boa, mas se não for suficiente, dê um pulinho em Haia ou Rotterdam que tem trem a cada hora depois da meia noite!

Bedankt en tot ziens!

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