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Depressão ou falta de vitamina D morando fora?

Depressão ou falta de vitamina D morando fora?

É muito comum escutar depoimentos de pessoas que vivem em países onde faz frio uma boa parte do ano, ou quase todo o ano. Depoimentos que revelam o quanto o clima pode interferir no humor e comportamento de cada um. Daí ouvimos falar sobre a depressão sazonal ou depressão de inverno.

Muitas colunistas do Brasileiras Pelo Mundo, inclusive, já escreveram a respeito do assunto. Psicólogas capacitadas para informar a respeito, por tanto, não vou me aprofundar no assunto. É uma realidade! Há aquelas pessoas que amam o inverno ou podem não ser afetadas em nada. Que sorte! Confesso que não sou um ser humano tão bom assim porque as invejo muito. Quando o assunto é a adaptação em outro país, não importando a estação do ano, a depressão ou melancolia profunda também são fatos, afinal, nem todo mundo consegue lidar com todos os problemas que uma mudança de pais acarreta.

Nesse texto, quero chamar a atenção para o fato de que nem sempre os sintomas que temos são de uma depressão sazonal ou qualquer depressão que seja. Normalmente, hoje em dia, uma profunda tristeza ou desanimo são automaticamente “diagnosticados” como tal e a pessoa é medicada com antidepressivos. E como quase sempre escrevo sobre temas relacionados a minha realidade…adivinha? Passei por isso, claro.

Você por exemplo, pensaria que o clima frio poderia (poderia, não é regra geral, tá) te prejudicar de várias formas? Eu não! Eu já sabia que não gostava, sou amante do verão, mas não sabia que ele poderia me trazer problemas sérios de saúde, e me trouxe. A falta de calor e sol, aos quais eu estava acostumada morando muitos anos no nordeste brasileiro, baixaram abruptamente meu nível de vitamina D. Vitamina que ajuda o corpo a absorver o cálcio que é um dos principais componentes dos ossos, é importante para o sistema nervoso, muscular e imunológico. O corpo produz naturalmente essa vitamina pelo calor do sol recebido. Essa tão preciosa vitamina – para mim é tudo – é o tema principal desse artigo.

Aqui no Chile, muitos médicos não pensam na possibilidade de o paciente estar sofrendo por causa da falta da vitamina D. Talvez porque os chilenos estejam adaptados ao clima, não sei… o que, no meu ponto de vista, não quer dizer nada. Você pode gostar de algo, estar acostumado e, mesmo assim, sofrer de alguma enfermidade, ou não? Na verdade, na minha opinião, a maioria deles não pensa “fora da caixinha”, mas isso é tema para outro texto.

Devido a alguns problemas de adaptação e pessoais que tive durante um tempo após a minha mudança para o Chile, acreditei que estava passando por uma depressão, não pensei em outra coisa. Só não procurei um médico porque sabia que seria medicada com antidepressivos, e, de verdade, essa não era uma alternativa para mim, então, tratei de buscar outros caminhos para melhorar. O problema é que eu só piorava. Conversando com amigas e lendo muito na internet, descobri a tal da vitamina D, ou melhor, a falta dela.

Tudo indicava que esse era meu problema. A maioria dos sintomas eram idênticos, principalmente o desanimo TOTAL, a vontade de fazer nada! Extremidades do corpo, cada vez mais congeladas. Como diferenciei um do outro? A falta da vitamina provoca muito cansaço com dores no corpo, e, em casos mais graves, dores absurdas podendo chegar ao ponto de doenças nos ossos. Essas dores começaram a me preocupar, porque depois de umas duas horas na rua, tomando metro ou dando aulas, eu já me sentia extremamente cansada.

Como isso era possível se eu estava há anos acostumada a correr de um lado para o outro, ficar em pé durante horas em uma sala de aula? Sinal de alerta!
Marquei uma consulta com um médico geral, contei rapidamente como me sentia e sem nem deixar ele falar, já disse que queria a prescrição para todos os exames básicos e para o de Vitamina D. Esse problema só é detectado através de um exame específico.

Informações básicas sobre o que envolve a vitamina D no Chile


1-O valor recomendado considerado suficiente é entre 30 e 100. Insuficiência, entre 20 e 30. Falta, menos que 20. Parece que esses valores variam de país para país. Como eu estava? Com 5!!! Quase uma morta viva! Um ano depois, refiz o exame e eu estava com insuficiência, com 25. Ainda um valor baixo.

2-Ele é pago como um exame particular no momento de fazê-lo, mas é reembolsado depois, mas o valor variando de acordo com o que seu plano de saúde cubra.

3-Cuidado! O valor do exame varia em cada clínica. Nas clínicas Integramedica e Megasalud, onde me convém fazer porque são as clínicas conveniadas com meu plano de saúde Consalud, está em torno de $35000 pesos chilenos, enquanto na Alemana, em torno de $50000 pesos chilenos.

4-Não há a mesma abundancia de vitamina D nas farmácias como há no Brasil. Aqui você se limita a tomar as doses únicas ou de “choque”, como dizem, de 50000 UI (unidade internacional) ou 100000 UI porque são as mais potentes disponíveis. Para as doses diárias, tem que se contentar com comprimidinhos ou gotinhas de 800 UI ou comprimidos de 400 UI que vem misturados com outras vitaminas. Como sei? Bati muita perna em várias farmácias no Chile; Salcobran, Cruz Verde e Ahumada de muitos bairros e os próprios farmacêuticos me informaram. Fui a dois médicos e ambos me recomendaram 800 UI por dia.

5- Para completar, a vitamina não é barata. A de 100000 UI custou $18000 pesos chilenos na última vez que comprei, 3 meses atrás. A caixa de comprimidos de 800 UI custou $10000 pesos chilenos.

Não sou médica, apenas uma brasileira que passou por uma péssima experiência de saúde e ainda vive com insuficiência de vitamina D, por isso dou minha dica: se você mora em um país cujo inverno seja forte, não deixe de pedir esse exame a um médico e tirar a sua dúvida, melhor que andar se entupindo de antidepressivos desnecessariamente.

A natureza é perfeita com todas as suas estações do ano e devemos aceitá-las. Porém, também devemos ficar atentos a alguns males que elas podem nos trazer se não nos cuidarmos. Como uma pessoa que ama o sol, não posso me despedir sem dizer: sol (sem excesso) é vida, minha gente!

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6 comentários

Roberto Janeiro 17, 2018 at 1:06 am

Muito bom este texto, Gislaine. Gostaria de contribuir com este seu artigo, indicando um vídeo do renomado médico Dr. Lair Ribeiro, onde ele aborda este assunto com muita propriedade. Garanto que vc vai achar o vídeo muito interessante e ficará surpresa com tantas informações relevantes sobre a vitamina D.

https://www.youtube.com/watch?v=jXL6QiQhWGg

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Ana Emilia Janeiro 17, 2018 at 12:51 pm

Gislaine, tomo 10.000UI por dia desde junho de 2013. É uma longa história…
Tive muitas melhoras em minha saúde.
Em resumo, minha irmã trata esclerose múltipla com altas doses (altíssimas e, no caso dela, precisa de acompanhamento médico).
O médico dela, Dr. Cicero Galli Coimbra, recomenda para a prevenção/saúde as 10.000UI por dia.
https://www.youtube.com/watch?v=pPcaIcUxOZk
E eu importo desse site (link abaixo):
https://br.iherb.com/pr/Healthy-Origins-Vitamin-D3-10-000-IU-360-Softgels/21298
Sai bem em conta.
Se quiser maiores informações, fico à disposição.

Resposta
Tereza Janeiro 17, 2018 at 1:17 pm

Amiga, importe as vitaminas. Não sei como é a importação aí no Chile, mas nos EUA, os frascos de vitamina D de 10.000 UI com 360 cápsulas custam menos de 20 dólares. Procure por vídeos do Dr. Cícero Coimbra sobre vitamina D e verá que a insuficiência de vitamina D causa muito mais que depressão, causa doenças graves como câncer, além de muitas outras doenças, inclusive autoimunes. 10.000 UI de vitamina D3 é o que seu corpo produz com 20 minutos de exposição no horário adequado – entre 11h e 13h. Ou seja, isso é uma dose fisiológica, que todos deveriam tomar. Não entendo porque os médicos insistem em prescrever 800 UI por dia, que não tira ninguém da deficiência. Cheguei ao seu relato através de um grupo no facebook de pessoas que tratam doenças autoimunes com altas doses de vitamina D. Não é o seu caso, eu sei. Mas pode te ajudar a tirar dúvidas sobre a ingestão de 10.000 UI diárias. Se quiser dar uma olhada: https://www.facebook.com/groups/EscleroseMultiplaOTratamento/?hc_ref=ARSy6aQ5j-7dahhAExjg9peECOODNRB1nRzfsncRIQExzp6fifUqMbGffDQWH_tGR0E

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Maria Thompson Janeiro 17, 2018 at 6:17 pm

Gislaine, Estou passando por isso neste momento da minha vida! KKKKKKK
Morando nos EUA ha cinco anos, e apos tomar minha injecao de B12, continuava tendo dor no corpo, “depressao” e um desanimo que nao me e normal.
Como fiz bariatrica, e acabo de sair de um tratamento de linfoma non-hodgkings, atribui, por muitas vezes, o mal estar ao tratamento, ate conversar com uma prima, que foi diagnosticada com deficiencia de vitamina D pois apresentava fortes dores nos ossos e muito desanimo.
Well, enquanto conversavamos ao telefone, fiz minha encomenda pela Amazon de vitamina D3 50000UI com Calciferol. Chegou em dois dias, e comecei a toma no dia seguinte, com o cafe da manha, junto com minhas outras vitaminas!
Resultado: Estou me sentindo EU de novo!
Com energia, equilibrio emocional, e sem dores no corpo, geeente! Quase um sonho!!!! KKKKKK
Vou compartilhar seu post com minha amigas que moram aqui em Memphis, quem sabe elas nao se identificarao?
Abracos, Maria Paula Thompson. uma brasileira que teve o coracao roubado por um red-neck do Tennessee ha quase oito anos atras, e largou tudo, carreira, dinheiro, familia e amigos para viver um grande amor.

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Vicente Seppi Bresolin Fevereiro 20, 2018 at 1:12 pm

Acredito que a vitamina D esteja associada ao sol e não ao calor. O que causa a depressão de inverno é a ausência de sol em muitos lugares e não o frio. Inverno não é sinônimo de depressão, falta de sol pode ser.

Portanto, o mais correto é associar o problema à falta de sol e não ao inverno, pois nem todos invernos são cinzentos, depende o lugar.

Resposta
Nadja Abril 23, 2018 at 10:32 pm

Adorei seu texto. Estou me preparando para mudar para a Finlândia e apesar de saber disso, acho que nem sempre dou a devida atenção ao assunto.
Muito bom 🙂

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