Dicas de turismo no norte argentino

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Purmamarca, Jujuy, Argentina - Acervo pessoal
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Dicas de turismo no norte argentino.

A maioria dos turistas, principalmente brasileiros, ao pensar na Argentina como destino turístico, imagina Buenos Aires, Bariloche e as Cataratas del Iguazú. O país, porém, tem muito mais a oferecer: a região Norte (desmerecidamente pouco famosa no Brasil) é um encanto e merece toda a nossa atenção – e eleição como próximo destino de férias!

Localizada na região noroeste da Argentina, o “Circuito NOA” é formado pelas províncias de Jujuy, Salta, Tucumán, Catamarca, La Rioja e Santiago del Estero. O roteiro que proponho neste texto é de quatro dias, passando por Jujuy e Salta. Ele contempla apenas um pouquinho da impressionante beleza da região. O desejo, porém, é seguir explorando – e poder voltar aqui para dar outras dicas para vocês!

O Circuito NOA é caracterizado pelas montanhas altas e picos que chegam a 6.000m de altitude, pelos vales férteis e pelas quebradas da Cordilheira Oriental (ou Cordilheira Saltojujeña), pelas serras subandinas, Yunga e puna – tudo em uma variante de biomas que promete encher os nossos olhos com muita beleza e nos impressionar!

A região oferece, ainda, vinícolas, cidadezinhas com casas feitas de adobe, ruínas de civilizações antigas e capelas jesuítas. A cultura indígena é muito marcante e pode ser notada em pratos típicos, como a lhama, no artesanato e nas vestimentas. Nas cidades menores, onde a população possui traços bem indígenas, é possível ver pessoas que ainda conservam trajes típicos e o tempo parece passar mais lento, nos transporta para uma Argentina bem diferente da que se vê em Buenos Aires.

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Finalmente, o roteiro! A chegada foi via aérea de Buenos Aires a San Salvador de Jujuy (capital da província de Jujuy), onde alugamos um carro para percorrer o circuito anteriormente planejado. Pode-se, porém, chegar por Salta. A distância entre as duas capitais é de 120km e, do aeroporto de Jujuy a Salta capital, 87km.

Itinerário

Dia 1 – Salta, capital

A capital da província de mesmo nome, Salta, é uma das mais importantes da região. É conhecida como “la linda” (a linda) e, a província, “tan linda que se enamora”, o que já nos adianta um pouco sobre o que esperar do lugar. O centro histórico é de obrigatória visitação e vale a pena uma breve caminhada pelo entorno da Praça 9 de Julho, visitando a belíssima Catedral, o Convento de San Bernardo, o Museu Casa de Uriburu, as Igrejas e Conventos de San Francisco e de San Bernardo, o Centro Cultural das Américas, entre outras construções históricas da zona. Outro passeio obrigatório é o Cerro San Bernardo, que pode ser acessado através do teleférico e de onde se tem uma linda vista da cidade!

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Dia 2 – de Salta a San Antonio de los Cobres

O plano original era ir de Salta a Cachi (“el pueblo blanco”) e então de Cachi a San Antonio de los Cobres, passando por Abra de Acay e Puna. O trajeto, dizem, é espetacular e passa pela estrada mais alta das Américas, cujo ponto de maior altitude chega aos 4895m! Conversando com moradores de Salta, porém, decidimos que o melhor seria não nos arriscar, já que a viagem de Cachi a SA de los Cobres é bastante complicada e recomendada apenas para veículos 4×4 e, se possível, acompanhada de alguém com experiência nesse caminho.

Deixamos de conhecer a intrigante cidade de Cachi, mas a viagem de Salta a SA de los Cobres não deixou a desejar! Os 165km que dividem as duas cidades oferecem paisagens lindas e paradas obrigatórias como El Alfarcito, Ruínas de Tastil (do período de 1000 a 1450 d.C.) e Abra Blanca, ponto ao qual se chega a 4080m sobre o nível do mar. Chegando em SA de los Cobres, é possível embarcar, ao meio-dia, no Tren de las Nubes, em uma viagem que dura um total de duas horas, cujo destino é o Viatudo La Polvorilla, uma monumental obra de engenharia!

Dia 3 – de San Antonio de los Cobres a Humahuaca, passando por Salinas Grandes e Purmamarca

Saindo bem cedo de San Antonio de los Cobres, é possível explorar vários destinos em um único dia. Até Salinas Grandes são 104km, dos quais 95km são em estrada de terra, cuja circulação nem sempre está recomendada (é necessário se informar antes na cidade como estão as condições da via). O trajeto, apesar de cansativo e demorar pouco mais de duas horas, presenteia com paisagens lindas – mas não há qualquer parada ou a quem pedir informação no caminho.

Chegando a Salinas Grandes a cansativa viagem fez cada pedra no caminho (literalmente) valer a pena! O deserto de sal, de cerca de 12.000 hectares, está localizado a 4.000m de altura. O sal, que é de origem vulcânica, caracteriza-se como uma das principais atividades econômicas da região. A atração, que rende belas fotos, pode ser acessada em automóvel mediante o pagamento de 200 pesos por carro, o que inclui o acompanhamento por um guia.

Salinas Grandes, Jujuy – Acervo pessoal

De Salinas Grandes fomos a Purmamarca a conhecer o famoso Cerro de 7 Cores. A estrada que conecta os dois lugares é linda e as paisagens são deslumbrantes. Vale a pena fazer algumas paradas no caminho para contemplar as belezas naturais e tirar fotos!

Em Purmamarca fizemos uma breve parada para recuperar o fôlego, almoçar e conhecer um pouco do famoso artesanato local, já que outros 68km nos esperavam até Humahuaca. A cidade, localizada aos pés do famoso Cerro de 7 Cores, é bem charmosa e oferece várias opções de hospedagem e restaurantes.

Chegando em Humahuaca fomos direto às Serranias de Hornacal (ou Cerro de 14 cores). São 24km de estrada de terra, com muitas curvas e subida, exigindo muito cuidado na direção. A recompensa, sem exageros, é inexplicável! Se com o Cerro de 7 Cores nossos olhos brilharam, o de 14 simplesmente nos deixou ar! A vista, que deixaria Van Gogh alucinado em poder reproduzi-la, parecia a mais perfeita pintura!

 

Serranías del Hornocal, Jujuy – Acervo pessoal

Dia 4 – Humahuaca, Iruya e retorno a San Salvador de Jujuy

De Humahuaca fomos conhecer Iruya, uma cidadezinha escondida entre montanhas. O caminho de 3h é bastante complicado, com subidas e descidas, muitas curvas e algumas partes com acesso bem difícil, onde a estrada é invadida por água ou há muitas pedras. Portanto, decidimos ir de ônibus, saindo às 08:20 de Humahuaca e chegando às 11:30 em Iruya. A cidadezinha oferece vários passeios, como caminhadas noturnas e trekkins. Há pousadas para quem quiser pernoitar, mas nosso tempo curto foi suficiente apenas para fazer um rápido tour pela cidade e ir ao Mirador. Regressamos no ônibus das 13h e, em Humahuaca, pegamos o carro novamente para finalmente conhecer a capital de Jujuy, encerrando nossa rápida, porém encantadora, viagem pelo NOA Argentino!

Iruya, Salta – Acervo pessoal

Considerações finais

Recomenda-se sempre levar consigo água e alimentos. As viagens entre um ponto e outro nem sempre contam com paradas ou infraestrutura. Além disso, se o plano é alugar um carro, abasteçam sempre que possível nas cidades principais, pois em muitas estradas não há posto de combustível.

Planejem o itinerário e descarreguem o mapa antes. Sinal de celular é raridade e nem sempre há indicação nas vias.

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Se você não anda com o espírito muito aventureiro para explorar pouco mais de 700km dirigindo, é possível contratar passeios saindo de Salta (Capital) ou SS de Jujuy para todos esses destinos! Também há oferta de ônibus intermunicipais que vão a quase todos os destinos citados.

Finalmente, é importante ter cuidados especiais para evitar o mal de altitude, que pode causar dores de cabeça, náuseas, tontura, fatiga e falta de ar. Uma dica é tomar bastante chá de coca ou comprar balinhas de coca, que são facilmente encontrados na região.

Boa viagem!

Os preços mencionados são de março-abril/2018.

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