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Seis diferenças entre a mãe brasileira e a mãe egípcia

Seis diferenças entre a mãe brasileira e a mãe egípcia.

Sabe aquela frase “Mães são todas iguais”? Então, será que todas as mães brasileiras são iguais a todas as mães do mundo? Em especial para o dia das mães decidi listar as principais diferenças entre as mães brasileiras e egípcias na minha opinião, e, claro, sem generalizações.

1 – Não se faz de rogada para pedir presente

Sabe aquela frase de mãe brasileira, “não precisa de nada meu filho, já tenho tudo”? Você nunca vai escutar de uma mãe egípcia. Até sem perguntar ela tem sempre uma lista de, pelo menos, umas 20 coisas que ela quer e vive repetindo na sua cabeça (e pedindo!).

O que acontece é que a maioria das mulheres egípcias, principalmente com filhos, não trabalham, então a única forma de conseguirem o que querem é ganhando de presente dos filhos ou do marido. Quando o marido falece, se torna praticamente uma obrigação do filho homem supri-la de todas as necessidades. E ela pede mesmo, sem dó nem piedade, pois entende como um direito dela. E não espere presentes caros dela para você.

No último dia das mães a minha sogra brigou com meu esposo, porque ele só dá presente baratinho para ela todo ano. Nos últimos anos ele havia dado uma TV e um smartphone, mas o que ela queria mesmo era ouro. Elas sempre querem ouro e fecham a cara se você não as presenteia com tal em datas especiais, e no fim das contas ela só quer o metal precioso como uma forma de fazer uma “poupança” para os filhos.

2- Acreditar que os filhos são eternamente crianças

Mães brasileiras tratam os filhos eternamente como crianças e não importa quantos anos eles tenham ela sempre acredita que é dever dela ajudá-los no que precisarem. Mãe egípcia não. O menino passou de dez anos, ele que tem que ajudá-la e todo peso da responsabilidade vai para ele. Muitas egípcias trabalham duro para ajudar em casa, mas há muitas famílias que quem ajuda na renda familiar são os meninos adolescentes.

Você nunca vai ver uma mãe de um menino de 12 anos levando-o para lá e para cá ou se preocupando com o que ele está fazendo na rua, ele já é um homem na cabeça dela e já tem que começar a tomar os rumos da própria vida. Já com as meninas, a responsabilidade dela segue até a menina casar. E aí será do marido dela.

Leia também: dez comidas típicas egípcias

3- Chinelada e beliscão?

Por mais que estejamos cientes que agredir fisicamente os filhos não seja correto, quem nunca levou uma chinelada nem que de levinho que atire a primeira pedra. E aquele beliscão por debaixo da mesa quando falou uma besteira? Essas são marcas registradas das mães brasileiras. Já as mães egípcias preferem a modalidade de arremesso de chinelo. Qualquer traquinagem que a criança faz, ela tira o chinelo e arremessa, não erra uma. E naquela hora que ela quer te corrigir sem que ninguém perceba, esqueça o beliscão, elas são mais criativas. Elas simplesmente apertam aquela cartilagem que a gente tem na virilha. Acho que prefiro o beliscão.

4- Vida pessoal após os filhos

O conceito de vida pessoal para a maioria das egípcias se resume a ter filhos. Portanto, a partir do momento que tem filhos, grande parte se anula e deixa de ter quaisquer outras ambições que não sejam criá-los e casá-los bem.

Quando tento explicar para minha sogra que ainda não quero filhos porque tenho outras coisas que quero realizar antes, como contei aqui, ela sequer entende do que estou falando.

5-  “Cuidar” dos filhos

Descobri que o conceito do que é “cuidar” de uma criança pode ser bem diferente. No Brasil, estamos o tempo todo atrás, vendo se não vai subir aqui, encostar no fogo, cair não sei aonde e etc. Quanto a isso, as egípcias simplesmente não se preocupam. Você jamais as verá atarracadas nas crianças ou assistindo cada passo delas no parquinho.

Quando cheguei, fiquei perplexa ao ver as crianças pendurando o corpo nas janelas de andares altos, sem tela, e a mãe ao lado sem fazer nada. Quase tive síncopes ao ver crianças brincando com facas, tesouras e objetos perigosos e ele não conseguirem entender qual problema eu via nisso. E por fim, desisti de me desesperar ao ver crianças de 4 anos, brincando sem supervisão ou andando de bicicletas em avenidas no Cairo. Isso tudo, para eles, está nas mãos de Deus, como contei nesse post. Não tem “tadinho” do filho que se  machucou ou ficou doente, segundo elas, isso tudo é necessário para que eles se tornem pessoas fortes.

Para eles, cuidado, é uma mãe que está sempre disponível em casa (mesmo que ela se ocupe mais da televisão e do whatsapp do que com os filhos em si), é prover comida farta na hora certa, roupa limpa e passada, e que está de olho em todos os passos das filhas meninas, garantindo a honra das mesmas e da família perante a sociedade.

Leia também: custo de vida no Egito

6- Sobre as noras 

Por mais que as mães egípcias tenham grande influência na escolha das noras, elas nunca vão admitir que as noras fazem algo melhor do que elas. O Mahshi está sempre sem tempero, o macarrão à bechamel, queimado. A minha sogra detesta a minha comida brasileira, mas sempre quando eu saio e volto, a panela está pela metade. Não me deixa usar a máquina de lavar nem o liquidificador, porque eu não vou saber e vou estragá-los, mas corre para me pedir ajuda para mexer no celular. Reclamam das sogras delas e são as primeiras a fazer tudo igual com as noras assim que podem.

Agora, diferenças a parte, se estamos falando daquelas máximas do discurso matriarcal do dia a dia:

– Se eu for aí e encontrar, vou esfregar na sua cara.

– Leva blusa que vai fazer frio.

– Não anda sem chinelo.

– Você já está na hora de casar.

Aí, meu amigo, mãe é tudo igual mesmo, só muda de continente.

Leia também: dez curiosidades sobre o Egito

E de todos os jargões internacionais de mamães, aquele que sempre iremos concordar com elas sem titubear é: “Quando eu morrer, vocês vão sentir falta”.

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9 comentários

Paula Março 22, 2017 at 7:22 am

Hahaha, morrendo de rir aqui! Mas ainda acho que sua sogra é mais legal do que a minha, que é francesa. Amei o texto!

Resposta
Michelle Bastos Março 22, 2017 at 2:30 pm

Oi Paula,

obrigada pela leitura. Agora fiquei curiosa para saber como são as sogras francesas, conta pra gente, rs.

Resposta
Paula Março 22, 2017 at 4:01 pm

Nao posso! Ela sabe que eu tenho um blog, coloca os textos no tradutor e depois vai perguntar para o meu marido o que eu escrevi! Mas acho que aqui eu tò segura, hehehe!

Resposta
Michelle Bastos Março 22, 2017 at 4:20 pm

Hahahahah Entendi!

Resposta
Pâmela Maio 18, 2017 at 5:13 am

Haha conheci um egípcio e pretendo casar, espero que a minha sogra seja igual a sua, porque tbm sou como você!! Hahaha

Resposta
Vanderlane costa Outubro 4, 2017 at 2:57 am

Eu tenho dois filhos e estou conhecendo um Egípcio, eles aceitam mulheres com filhos de outro casamento ou será que ele não quer nada serio comigo…… E também quero te perguntar se é verdade que os hotéis são muito caros e se é verdade que o Egito é muito perigoso?

Resposta
Michelle Bastos Outubro 4, 2017 at 1:29 pm

Olá, Vanderlane! Não há nada que o impeça de se casar com você, embora algumas pessoas por questões culturais e religiosas não aceitem esse tipo de relacionamento. Vai depender dele e da família dele.
Comparativamente a outros países e até mesmo ao Brasil, os hotéis no Egito são muito baratos.

Quanto a ser perigoso depende do sentido da palavra. para uma mulher sozinha pode ser um pouco em relação ao assédio. Mas a violência que estamos acostumados no Brasil não existe.

Resposta
Renata Abril 18, 2018 at 12:24 am

Olá, sou professora e estou trabalhando o Egito, gostaria de saber como é comemorado o dia das mães lá, se há uma tradição? Ou se tem um ritual tradicional?

Resposta
Liliane Oliveira Abril 18, 2018 at 1:26 pm

Olá Renata,
A Michelle Bastos parou de colaborar conosco e, infelizmente, não temos outra colunista morando no país.
Obrigada,
Edição BPM

Resposta

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