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Dez diferenças entre o México e a Suíça

Uma das maneiras que o ser humano tem de entender o mundo a sua volta é através de comparações. Claro que, em um âmbito mais profundo, sabemos que, cada lugar é único e as experiências são igualmente ricas nos quatro cantos do mundo.

Já falei algumas vezes e repito, que, para mim, não há lugares bons ou ruins. O que há são lugares que, dado nosso momento de vida, melhor se encaixam com nosso modo de ser que outros.

O texto a seguir é um pequeno retrato de como eu percebo as diferenças cotidianas entre estas duas culturas tão bonitas e especiais para mim.

1. Vida de Pedestre

Enquanto na Cidade Do México o pedestre deve sair de casa já munido de coragem e palavrões para defender-se dos motoristas que não sabem distinguir entre as cores verde, vermelho e amarelo, na Suíça o pedestre é figurinha de respeito. Um pézinho na rua e todos param. Bom, com exceção dos bondes que, vez ou outra, quase atropelam algum pedestre distraído. Pessoal, mesmo na Suíça, todo cuidado é pouco, até porque bondes e ônibus tem a preferência segundo as leis de trânsito Helvéticas.

2. Comida de Rua

Taquitos, sopecitos, frutas enchiladas, camotes, gorditas. Carrocinhas com suas distintas musiquinhas passam todos os dias pelas ruas da Cidade do México, enchendo as barrigas e os ouvidos dos moradores. Verdade seja dita, nem sempre é aconselhável comer nestas carrocinhas ou barracas de rua para quem tem medo da boa e velha maldição de Moctezuma. Mas, quando são de boa procedência, são uma das maravilhas do DF.

Aqui na Suíça, comida de rua são as vendidas nas feiras em praças como os crepes, kebabs, salsichas e as tradicionais raclettes. Não há musiquinhas acompanhando cada vendedor e as carrocinhas tampouco ficam circulando pela cidade. Na terra dos impostos, paga-se caro para vender comida em barraquinha e seu local é sempre fixo.

3. Dimensões

O México nao é um país grande, mas a Cidade do México é imensa. Juntamente com o tráfego pesado, em uma sexta-feira pode-se demorar até 3 horas para cruzar toda a Cidade do México.

Em 3 horas de carro, cruza-se toda a Suíça em qualquer dia da semana.

4. Praias x Montanhas

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Mürren nos alpes Suiços na parte superior. Na parte inferior, Riviera Maya.

O México é um país rico em beleza natural devido a suas praias banhadas pelo pacífico ou pelo mar do Caribe. Em poucas horas de voo da Cidade do México, podemos nos deleitar com águas cristalinas, sol o ano inteiro, peixe fresquinho e muita tequila.

A Suíça é igualmente rica em sua beleza natural, porém a topografia é montanhosa e não há praias. O que há são montanhas, lagos, cachoeiras, 4 estações do ano bem definidas, neve, esportes de inverno, queijos, chocolates e muito vinho.

5. História

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À esquerda, igreja em Puebla construída pelos espanhóis em cima de uma pirâmide. À direita, o Zytglogge em Berna, torre do relógio conservada intacta desde a Idade Média.

Pirâmides, sítios arqueológicos, museus. É impossível morar no México e não rodear-se de História. A cultura Maya e até mesmo a conquista dos Mexicas pelos colonizadores espanhóis são ainda muito presentes. O México respira e orgulha-se de suas origens. Até hoje percebe-se na população grande ressentimento em relação a sua colonização tão violenta e hostil. Os espanhóis destruíram e massacraram civilizações inteiras.

Na Suíça há muitos museus e a arquitetura medieval foi em grande parte conservada, deixando as cidades com um ar nostálgico e belo. O Suiço orgulha-se de, mesmo com poucos recursos agrícolas naturais, haver se tornado um dos países mais prósperos da Europa. Sua posição neutral juntamente com a qualidade dos serviços financeiros garantiram uma vida moderna sem grandes traumas. A História recente da Suíça é tão branda quanto um passeio por suas belas colinas.

6. Tempo

O Mexicano é atrasadinho. Aliás, isso é algo que o brasileiro e o mexicano têm em comum. Horário no México é aproximação e nunca uma medida exata.

Impontualidade é pecado quase mortal na Suíça. Não chegue nem cinco minutos antes nem cinco minutos depois de qualquer compromisso ou você estará arriscado ter que aguentar uma cara feia ao melhor estilo suíço. E quando eles fazem cara feia, amigo, acredite: a cara é muito feia! Podem nem falar muito, pois são um tanto retraídos, mas aquele olhar torto para o relógio e depois para você diz mais que mil palavras.

7. Moda

As roupas, os sapatos, a maquiagem, as unhas. Tudo muito colorido e exagerado, afinal o mexicano adora um tchan. Cada vez as unhas estão mais pontudas, afiadas e enormes estilo Wolverine em versão drag queen. As roupas sempre hiper coloridas e a maquiagem idem. Afinal, moda no México é sinônimo de excesso.

Na Suíça as cores da moda são bege, preto e verde musgo. Todo mundo tem um casaco cor-de-burro-quando-foge e uma bota da mesma cor. A mulher suíça não tem o costume de fazer a unha no salão e quando pinta as unhas, o faz em tons suaves. A suíça também pinta o próprio cabelo e se for talentosa, até dá uma aparadinha em casa mesmo. A moda é super discreta, um verdadeiro reflexo da mulher suíça.

8. Mariachis x Jodel

Aí, lascou-se. Confesso que não gosto de nenhum dos dois estilos, porém ambos tem seus méritos e seguidores. No México a música tradicional dos mariachis é bem difundida e não só em lugares turísticos podemos apreciá-la. O mexicano, muitas vezes, também curte um “Cielito Lindo” entonado ( ou nem tanto) por alguns bigodudos de sombrero.

Yodel ou jodel é uma tradição alpina que surgiu como forma de comunicação entre os pastores para identificar sua posição e nome nas montanhas. Daí juntou-se com alguns estilos musicais como o country e o blues e transformou-se no que hoje conhecemos por yodel. Virou símbolo da Suíça e em festas tradicionais é bem apreciado. É extremamente difícil e exige toda nossa conexão com as montanhas e – creio eu- uma certa inspiração no som emulado por cabras yodelei yodelei yodelei.

9. Educação

Ano passado no México,  houveram muitas greves e reclamações dos professores porque estes não queriam ter seus conhecimentos testados. Daí já podemos ter uma ideia que os professores não estão bem preparados e isto -infelizmente-  se reflete no nível de educação atual do país. Quem pode pagar, acaba optando por escolas particulares ou internacionais para os seus filhos.

Na Suíça, o ensino é gratuito e de qualidade. Os professores são reconhecidos e bem remunerados por seus serviços.

10. Regras

As regras existem e os suíços as seguem a risca. Os mexicanos, bem como nós brasileiros, seguimos na medida da nossa conveniência. As regras estão ali, mas para um típico latinoamericano, são formas sem conteúdo. Já aqui na Suíça, não se pode nem tocar a descarga após as 22hs na sua própria casa ou está arriscado que um vizinho chame a polícia pelo barulho. E chamam mesmo.

Portanto, quando na Suíça, nada de tomar muita água antes de ir para cama, nada de chegar atrasado, nunca acorde depois das 9 da manhã, recicle o lixo, trabalhe duro e aproveite para soltar a franga só quando poucos te veem, na calada da noite após um drink ou outro.

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No canto esquerdo, o Zócalo, na Cidade do México. À direita, Rathausplatz em Berna.

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8 comentários

Tati Sato Outubro 25, 2014 at 6:46 am

Fer… Eu já disse e volto a repetir: adoro como e o que você escreve; sempre me identifico… A cada dia que passa, acredito mais e mais que as Filipinas faziam parte da América Latina e, por causa de um terremoto, houve uma separação e esse grupo de ilhas veio parar na Ásia! =)

Eu concordo com você que não existem lugares bons ou ruins, mas existem lugares que nos identificamos e nos sentimos mais à vontade que outros…

Um beijo!

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Fernanda Moura Outubro 25, 2014 at 12:31 pm

Tati, minha linda, obrigada pelo comentário. E saiba que o sentimento é recíproco. Eu também sempre me identifico com as coisas que vc escreve. Nao conheço as Filipinas, mas baseado nos seus escritos, acho mesmo que sua teoria procede 😉
Um beijo grande!

Resposta
M. I. Olivera Outubro 25, 2014 at 1:32 pm

Gostei muito do seu artigo. Com respeito à categoria do tempo, eu acho interessante se referir tambem ao espaço. No México as pessoas interatuam bem próximas. Na Suiça tem espaços bem marcados e afastados para evitar o contato. A exceção tal vez seja no supermercado. Parabéns pelo humor!

Resposta
Fernanda Moura Outubro 25, 2014 at 1:38 pm

Com certeza, M.I.Olivera. O espaço individual é bem diferente mesmo. Bem lembrado 🙂 Muito obrigada pelo comentário. Um abraço!

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Ana Kolb Outubro 28, 2014 at 7:10 am

Fer querida, arrasou, incrivel como mesmo com pouco tempo de Suiça, voce captou tao bem o espirito e a mentalidade do pais! Amei o texto! Namasté linda! 🙂 e gostei também do comentario do M.I. Oliveira, que colocou um ponto importante o “espaço” suiço kkkkk Bjus amada! 🙂

Resposta
Fernanda Moura Outubro 28, 2014 at 7:28 am

Obrigada pelo comentário, querida. Vejo novos países como uma possibilidade de descoberta de novas facetas de nós mesmos. Portanto, ainda estou descobrindo-me na Suiça rsrsrs Agradeço o seu apoio e carinho sempre. Beijo!! 🙂

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Patricia Pappacena Novembro 15, 2017 at 2:33 pm

Excelente post! Moro no México (Cancún) e o seu texto expressa claramente as dores e as delícias de morar no México. Muito bem escrito, claro, com graça na medida certa e sem nenhum preconceito. Parabéns!

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Isaac Carneiro Victal Dezembro 8, 2017 at 11:04 pm

As comparações faltam com a verdade em alguns pontos e caem em estereótipos,sobre a geografia;por ex. o México é muito mais montanhoso que a Suíça,este clichê de praias não corresponde à realidade,nove entre as dez maiores cidades não estão no litoral(caso único no mundo)situadas até a 2500 metros de altitude como a capital mesma e região metropolitana,cercada por vulcões que ultrapassam em altura qualquer montanha da Europa ocidental.Outra loucura é levar em conta só o patrimônio histórico pré colombiano,sendo que a imensa maioria da arquitetura histórica no país é barroca ou eclética,aliás o México tam muito mais patrimônio histórico segundo a Unesco que a Suíça por incrível que pareça!

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