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Dificuldades com o idioma japonês

Dificuldades com o idioma japonês.

Eu já sabia que seria difícil, mas é importante destacar: o idioma japonês – ou nihongo – é um idioma bem complexo para quem foi alfabetizado no ocidente.

Além do alfabeto que usamos, aqui chamado de romaji, o Japão tem mais três alfabetos: o katakana, que é usado para representar palavras estrangeiras; o hiragana, que é usado para as palavras japonesas; e os kanjis, que vieram da escrita chinesa – da época da dinastia Han – e representam palavras.

Começou a dificuldade quando percebi que os dois primeiros alfabetos são silábicos, não por letra. Parece mais fácil, mas não é porque eles misturam as escritas o tempo todo. Uma frase pode ser escrita em hiragana e kanji tranquilamente.

Ah, e fica pior: são mais de quarenta mil kanjis diferentes, e cada um tem mais de um significado, dependendo do contexto em que está escrito. A lista básica possui 1.945 kanjis oficiais. Pois, é.

Existem também partículas que são necessárias para formar frases, que indicam se estamos afirmando, perguntando, dando ênfase, indicando lugar, entre outras. E o vocabulário, extenso, é completamente diferente de qualquer palavra que conhecemos (com exceção das palavras estrangeiras, que são parecidas com um inglês “japonesado”).

Os verbos – assim como no português, mas infelizmente diferente do inglês – têm uma conjugação diferente para cada tempo verbal ou forma que será usado.

A boa notícia é que não existe nenhuma palavra em japonês que seja impronunciável para quem fala português. A recíproca não é verdadeira: eles têm muita dificuldade para pronunciar o nosso idioma, porque algumas sílabas não existem no vocabulário deles. Dizer o F e o L, principalmente. Além disso, os japoneses são, de maneira geral, muito solícitos e se esforçam ao máximo para entender o que você precisa e te atender da melhor maneira possível.

Ah, mas não dá para falar inglês? Depende. Em Tóquio tem bastante gente que fala, sim. Mas não no interior. Como escolhi viver em Kisarazu, uma cidade litorânea que fica a uma hora de Tóquio, a mímica aqui tem sido a minha melhor amiga.

A minha sorte foi que aprendi os alfabetos (com exceção dos kanjis) já no Brasil, quando comecei a planejar vir. Não tive muito tempo para aprender mais coisa lá, mas pelo menos consigo estudar. Eu poderia aprender aqui, sim, mas acho que seria muito mais difícil, já que os japoneses têm um esquema de aprendizado completamente diferente.

Leia sobre: Dá para morar no Japão sem saber japonês?

Explico: no Brasil, o meu hábito era estudar realizando exercícios repetidamente até memorizar e aprender. Algumas dúvidas surgiram, claro, mas era como se eu pudesse ter a aula técnica presencial, porém estudasse os exercícios como lição de casa todos os dias, para depois perguntar ao professor na semana seguinte.

Aqui, estou participando de aulas de japonês em inglês, o que já complica um pouco as coisas porque é inevitável que pensemos em três línguas. A “chavinha” do cérebro não sabe para onde virar e é aí que a confusão mental começa. E não para por aí.

Nas aulas, a sensei conversa bastante em inglês sobre coisas do nosso dia-a-dia mesmo, e pede para que a gente repita em japonês (e tome nota, se julgar necessário). Depois, quando o assunto acaba, ela abre um livro e começa a procurar por vocabulário de nível básico para nos ensinar, contextualizando. É uma aula bem legal, mas tenho a sensação de que eu saio de lá mais confusa do que quando entrei, por ser bem diferente de como estava acostumada. E cansa! Saio de lá exausta.

kanjii

Contudo, não estou deixando de estudar do jeito que estou acostumada em casa, e quando surge alguma dúvida, a sensei está sempre disposta a ajudar.

Busco alguns exercícios na internet, refaço os exercícios dos livros que eu trouxe, repito mil vezes. Mas acredito que a chave – que ainda estou trabalhando para ligar – está em não ter medo de falar.

Preciso me lembrar o tempo todo de que os japoneses são muito tolerantes com relação ao idioma deles, porque sabem que é muito difícil para os estrangeiros. Mais de uma vez, em tentativas de conversas com japoneses, depois que consegui dizer que não entendia o japonês (“nihongo wakaranai”), me disseram que realmente é difícil (“musukashi, né?”). Além disso, não existe jeito mais fácil de aprender do que – de fato – falando. E, consequentemente, errando, sendo corrigido, tomando nota, aprendendo.

Leia também: como é trabalhar numa fábrica japonesa

O medo de errar me faz não tentar, o que é completamente errado. Errar também é bom. E, acredite, os japoneses corrigem mesmo, numa boa. Acho até que isso vale para qualquer idioma. Não podemos perder a fé em nós mesmos, e devemos saber que não há nada no mundo que não possamos aprender.

Tenho a vantagem de ter traços físicos ocidentais, também, o que faz com que eles tenham certeza de que sou estrangeira e, de maneira geral, já me abordam diferente, falando mais devagar.

Tem bastante brasileiro que já está aqui há um tempão e não consegue falar quase nada em japonês – o que não julgo, já que depende muito de quais são os objetivos de cada um aqui. Mas não é isso que eu busco. Parece bobo ter que enfrentar alguns medinhos para sair falando, mas a prática é bem mais difícil.

Estou aqui há pouco tempo, e confesso que às vezes bate um desespero porque não consigo manter um diálogo extenso com ninguém ainda, mas por outro lado é bom. Não fico acomodada só falando inglês, me forço a aprender o japonês o tempo todo.

Assim, o meu objetivo é carregar na mala tudo o que a cultura japonesa pode oferecer. Inclusive seu idioma, tão rico e complexo.

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7 comentários

Elaine Janeiro 2, 2017 at 1:06 pm

Imagino sua dificuldade, quando aprendi alemão e fui viajar tinha o mesmo medo de falar, mas como não sabia nenhum outro idioma auxiliar ( inglês, francês, ou outro) fui obrigada a falar errado e ser corrigida constantemente. Foi bom, pois aprendi, porém alemão é um idioma muuuuito menos complicado que japonês. Boa sorte e continue lutando contra o medo de falar errado, você sempre terá a compreensão de estar tentando.

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Juliana Platero Janeiro 18, 2017 at 4:02 am

nossa! Comentei com meu marido outro dia que achava que com exceção dos alfabetos, japonês deve ser um idioma menos complicado que alemão, por exemplo! hahaha então parece que me enganei…
Obrigada, Elaine, vamos continuar lutando sempre! Um beijo

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Gabriela Dias Janeiro 2, 2017 at 5:37 pm

Força Ju, vc vai conseguir! Adorei o texto! Beijos Gabi

Resposta
Juliana Platero Janeiro 18, 2017 at 4:03 am

Estou tentando! Hahaha obrigada, Gabi, de coração!
Um beijo!

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Jairo Bermudez Fevereiro 3, 2017 at 9:36 pm

Gostei muito de ler seu artigo porque sempre andava curioso sobre a língua japonesa. Sim, parece mais complicado do que portugues que estou aprendendo atualmente. Falo inglês e espanhol mas japonês é quase aprender 3 idiomas a mesmo tempo. É admirável o que você está fazendo.

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Juliana Platero Fevereiro 4, 2017 at 1:33 am

obrigada! É realmente bem diferente, mas pra quem sabe mais de um idioma é mais fácil de aprender. É o que dizem, né! rs

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Yamamoto Cristina Janeiro 3, 2019 at 8:18 am

Oi estou no Japão a 6 meses correndo atrás de criar um vocabulário para me comunicar – Hiragana e katakana daijobu mais tem os kanjis e a linguagem formal e informal que bagunça tudo a cabeça kkkk
Mais sou como você desistir jamais no fundo amo o Nihongo e as vezes tenho a impressão que entendo tudo o que eles falam só não consigo responder ainda.

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