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Planejamento para mudar para a Dinamarca

Cada vez que sai uma reportagem na tevê brasileira sobre a Dinamarca nós, que escrevemos sobre o país, recebemos dezenas de e-mails e mensagens privadas no Facebook de pessoas que assistiram e começaram a cultivar o sonho de vir para cá. O que muita gente parece ignorar é que há muito a se pensar e planejar na hora de sair de um país para outro, ou seja, sair do Brasil para outro lugar no exterior é mais do que tomar a decisão e fazer as malas. Se você está planejando se mudar para a Dinamarca, leia com atenção!

Ao contrário do que se pensa, não é só vender tudo, empacotar, se despedir e partir, ainda mais na atual conjuntura mundial onde cada vez mais tem-se criado leis para desencorajar e até mesmo tentar paralisar a migração de determinados grupos. Se você quer morar na Dinamarca, planeje a mudança de forma organizada e sistemática para que o seu sonho se torne viável.

Deixo a seguir algumas dicas sobre o que acho importante antes de pensar em amarrar seu burrico por esses lados do mundo.

  1. Seja realista

Mudar de país pode ser o sonho de muitos, porém é preciso fazer uma autoanálise criteriosa na hora de se decidir para onde ir. Primeiro, avalie sua condição:

a) Para obtenção do visto: Antes de pensar em viver na Dinamarca é preciso ter como tirar o visto. Infelizmente, de uns anos pra cá o país se tornou bastante restritivo nas suas políticas migratórias e brasileiros já foram chamados de cidadãos de segunda classe por certos políticos dinamarqueses. Para saber se você tem condições favoráveis para obter o visto, veja o meu texto que fala a respeito clicando aqui. Aproveite e leia o site da imigração dinamarquesa.

b) Financeira: Sendo a Dinamarca um país caro, é preciso contar com uma boa reserva se você virá sem emprego garantido ou se vier para estudar. Leia sobre custo de vida aqui.

c) De adaptação ao país: Em textos meus como o que fala sobre fazer amigos e o que fala sobre trabalho, dá pra ver que as coisas na Dinamarca são muito diferentes do Brasil em termos de relações pessoais. Além disso, tem a questão da comida, do clima – com a famosa depressão de inverno – e do idioma, entre outros, que causam desconforto nos recém-chegados. Tudo na Dinamarca é diferente do Brasil e esperar que seja igual é pedir para se frustrar. Avalie com sinceridade a sua capacidade de adaptação e, se possível, visite o país algumas vezes antes de decidir se mudar definitivamente.

d) De empregabilidade: Já falei sobre trabalho e cultura de trabalho anteriormente no BPM, assim como a Camila, que deu ótimas dicas aqui. Use a sua honestidade e franqueza para refletir sobre as suas reais chances de encontrar um emprego na Dinamarca, dentro do que já foi comentado.

2. Faça tudo dentro da lei

Há diversas formas de se vir para a Dinamarca legalmente. Apesar de o sistema de Green Card ter sido extinto, ainda existe a possibilidade de vir como estudante do ensino médio ou ensino superior em graduação basal ou continuada, ou de vir a trabalho como profissional, seja pesquisador ou especialista.

Quero frisar que casamento com nativos ou ter filhos nascidos na Dinamarca não é garantia de visto. Portanto, a antiga ideia difundida pelo mundo de fazer um casamento de protocolo – ou de fachada – para obtenção de visto é, além de prática ilegal, inútil. Leia no meu texto sobre casamento sobre as diversas burocracias pelas quais a pessoa dinamarquesa tem de passar para poder pedir reunificação familiar com cônjuge estrangeiro.

E como cereja do bolo, nada melhor que a nova lei que acabou de ser promulgada, restringindo a renda mínima que deve ser comprovada para obter reunificação familiar nesses casos e que torna praticamente impeditivo o casamento com estrangeiros para pessoas como enfermeiros, caixas de supermercado, entre outras profissões de nível médio, por conta de seus salários.

3.  Se você é jovem entre 17 e 29 anos

Além de estudante ou intercambista, pode-se vir como au pair, com direito a permanecer até 24 meses, porém as discussões para restrições no exercício dessa profissão já chegaram à pauta do Folketinget, a Câmara dos deputados daqui, e acredito que logo venham mais leis restritivas por aí. A discussão teve início porque muitas pessoas utilizam o sistema como porta de entrada para a migração, mudando a condição de seu visto posteriormente e muito frequentemente por conta de matrimônio.

Estudantes devem consultar o Study in Denmark para obterem mais informações sobre os procedimentos a serem seguidos. Se a sua intenção é estudar em nível superior em educação continuada (mestrado, doutorado) ou para exercer profissões regulamentadas como dentista ou médico, consulte aqui sobre como revalidar o seu diploma emitido no Brasil.

Para dicas sobre como conseguir emprego, consulte o Work in Denmark. E se você acabou de chegar e precisa de um guia geral sobre aspectos práticos, como por exemplo como obter os documentos básicos, veja esse material preparado pela Universidade de Copenhague.

Hoje em dia eu acredito que é cada vez mais difícil ver histórias de sucesso de pessoas que vieram sem planos e para tentar a sorte, principalmente em países com políticas de migração restritórias, como a Dinamarca está se tornando. Estar indocumentado é um risco muito desnecessário e perigoso, correndo o risco de denúncia. Lembre-se de que a Dinamarca é conhecida como o país menos corrupto do mundo e dar o famoso jeitinho está fora de questão.

As consequências para quem está na situação de indocumentado podem ser tristes, a começar pela deportação, muitas vezes configurada como uma medida vexatória, podendo se estender ao banimento da entrada da pessoa no país, temporária ou permanentemente.

Tenha calma e foco em vez de desanimar. Se o seu objetivo é a Dinamarca, coloque tudo na balança, avalie e se planeje, tendo em mente que que embora o seu desejo de morar fora seja grande e a vontade seja a Dinamarca, talvez se faça necessário considerar outras possibilidades e até mesmo outros países.

Aproveite para consultar as recomendações do Itamaraty para quem for visitar a Dinamarca como turista.

Boa sorte com seus planos e continuem nos acompanhando para saber tudo sobre a Dinamarca!

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8 comentários

Rodrigo Lucas Dezembro 7, 2017 at 7:06 am

caramba me deu uma desanimada, eu tenho 26 anos, tenho ensino médio completo e comecei agora a estudar inglês pra poder tentar morar na Dinamarca apos uma reportagem que vi mas o valor pra tentar morar ai e alto. Deu ate um tristeza.

Resposta
Cristiane Leme Dezembro 7, 2017 at 5:40 pm

Como eu disse pra você no seu comentário no texto com as regras pra morar na Dinamarca, aqui é um país bem hostil para se tentar a sorte. Para obter sucesso, faça planos realistas e dentro do que você pode se comprometer. Não acredite em tudo o que vê na tevê, principalmente se for dourado com açúcar Globo.
Boa sorte!

Resposta
Priscila Junho 10, 2018 at 6:45 pm

Oi Cristiane!
Passei em um bacharelado na Dinamarca. Como cidadã italiana, não preciso pagar o curso, mas preciso fazer as contas para cobrir o restante das despesas. Como estudante e não falando dinamarquês, eu conseguiria um trabalho? Quanto eu poderia ganhar, mais ou menos? Estou com muitas dúvidas sobre ir ou não.

Resposta
Cristiane Leme Junho 12, 2018 at 7:23 pm

Difícil é responder a essa pergunta sem saber que qualificações e experiência você possui, nem a cidade para onde pretende ir…
Em cidades maiores como Copenhague e Aarhus, também conhecidas por serem pólos estudantis, é comum que estudantes trabalhem no setor de HORECA falando apenas inglês. Eu não sei precisar o quanto você ganharia numa posição dessas mas você pode usar essa calculadora para ter uma média aproximada: https://www.jobindex.dk/tjek-din-loen/adm?lang=en. Para usar é preciso escrever o cargo pretendido, por ex. garçonete (em inglês: waitress).
Veja meu texto sobre custo de vida para ter uma ideia de gastos por aqui. Seu custo de vida irá depender do estilo de vida que pretende ter na Dinamarca.

Resposta
Gabriel Junho 18, 2018 at 12:24 am

Ola Cristiane, tudo bem? Primeiramente parabens pelos conteúdos.
Eu e mihha esposa pretendemos ir para morar na dinamarca apos nossa cidadania italiana sair. Com o passaporte europeu nos poderíamos morar e trabalhar ai sem problemas ou sem solicitar visto? Ja li em alguns sites que nao precisa por ser um pais da UE mas tbm ja li que mesmo assim precisa solicitar visto. Caso precise, por ser cidadao europeu seria mais facil conseguir o visto? Obs.: temos ingles e vamos com objetivo de aprender o dinamarques para nos estabelecermos ai.

Resposta
Cristiane Leme Junho 20, 2018 at 5:50 pm

Gabriel, num dos diversos links desse texto você tem acesso ao site da imigração dinamarquesa (wwww.nyidanmark.dk), onde você encontra toda a informação sobre o seu caso. O site tem versão em inglês.

A questão é que não basta ter o passaporte europeu para poder permanecer na Dinamarca: é preciso comprovar vínculo com o país de emissão do passaporte, ou vir para a Dinamarca já de contrato assinado com uma empresa daqui. Fora dessas condições você tem 3 meses para ficar aqui legalmente e procurar emprego, porém achar emprego não é lá muito fácil, não. Dependendo da área de atuação e da cidade para onde vierem é imprescindível saber dinamarquês. A longo termo é praticamente impossível viver integrado na sociedade local sem saber falar o idioma.

Eu aconselharia vocês a irem primeiro para a Itália e depois de dois ou três anos virem pra cá, e nesse meio tempo poderão aprender dinamarquês e comprovar o tempo mínimo necessário de ligação com o país de emissão do seu passaporte.
Boa sorte com seus planos!

Resposta
Juliana Rodrigues Dezembro 10, 2018 at 7:47 pm

Olá Cristiane,
Muito bom o teu texto, muito esclarecedor. Obrigada por nos proporcionar uma visão tão clara e próxima da realidade. Estamos nos mudando para Dinamarca logo mais, em março de 2019. Estamos vendo a questão da escola para as crianças e a prefeitura nos informou que será em função do nosso futuro endereço de moradia. Como as crianças falam português e italiano, gostaria de saber se você tem bairros para me indicar que tenham maior probabilidade de encontramos grupos nas escolas com crianças que falem a mesma língua. Existem bairros de determinadas comunidades? Muito obrigada desde já,
Juliana

Resposta
Cristiane Leme Dezembro 16, 2018 at 9:19 pm

Caramba, Juliana, vi que deixou esse mesmo comentário em diversos textos de outras colegas…
Desconheço comunidades italianas como a que talvez você procura, mas tem brasileiros aos montes em cidades grandes como Aarhus, Aalborg e Copenhague. Infelizmente é impossível indicar comunidades ou grupos específicos sem saber pra qual cidade vocês vão.
Boa sorte na mudança!

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