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Dirigir na Cidade do México

Dirigir na Cidade do México.

Todo mundo sabe que a Cidade do México (ou DF, Distrito Federal) é conhecida por um dos trânsitos mais caóticos do mundo. Muita gente que vem morar aqui já chega com essa informação e decide não dirigir, o que é perfeitamente possível, como em qualquer grande capital, com oferta de uma vasta rede de transporte aos moradores, incluindo metrô, e serviços de delivery diversos, como supermercados, farmácias e hortifrutis que facilitam a vida de quem não tem carro à disposição. Muita gente que não quer dirigir, mas quer ter a liberdade de ir e vir em seu próprio carro, opta por ter um motorista, pois a mão de obra é barata, aqui no México. Eu já sou do tipo que gosta de dirigir e desbravar as cidades onde moro. Então, aqui não foi diferente. Além disso, o carro ajuda muito na rotina de atividades da casa e dos meus três filhos, pois me desdobro no leva e busca de escola, natação, balé, futebol, playdates, etc. Para as que também querem se aventurar, vou explicar aqui alguns motivos do caos nas ruas e deixar dicas que valem ouro para entender o trânsito no princípio da vida na cidade.

As causas do caos

Sim, DF é enorme, tem quase 9 milhões de habitantes e um trânsito absurdo. Mas o excesso de veículos nas ruas não é o único responsável por isso. Morei 11 anos em São Paulo e a comparação é inevitável para explicar a peculiaridade do trânsito daqui. As principais diferenças negativas que vejo daqui em relação à capital paulista são: a má sinalização e planejamento do trânsito, o desconhecimento de regras (ou a falta delas) e a compra da carteira de motorista.

Leia também: Transporte urbano no México

A Cidade do México tem bastante vias rápidas como as marginais em São Paulo, mas a sinalização deixa a desejar. É praticamente impossível dirigir sem GPS para ir de um bairro a outro, pois o perigo de se cair em uma via rápida, com um retorno distante, é enorme. Já aconteceu do meu pacote de dados do celular ter acabado e eu ter que comprar uma recarga extra antes de sair de casa com o carro; pois não dirijo sem o navegador. Além disso, falta planejamento no trânsito, com muitas ruas em mãos duplas e cruzamentos permitidos em qualquer direção. Imaginem uma via rápida, larga, com saídas da via central para as laterais; ou o contrário, de novo, comparando as marginais de São Paulo. Em DF, muitas saídas têm as duas possibilidades! É uma loucura sair de uma via central em velocidade rápida para entrar na lateral, com carros vindo na sua direção. A situação é tão caótica que tem gente ganhando a vida fazendo o papel que os policiais de trânsito não fazem, orientando os motoristas no cruzamento a seguir a regra de passar um de cada vez, revezando-se de acordo com a direção do cruzamento. Funciona tão bem que os motoristas agradecem a disponibilidade do sujeito, baixam o vidro e dão gorjeta ao voluntário. Outra situação peculiar é a sinalização nas rotatórias, onde há um semáforo de cada lado para quem está entrando nela; e outro para quem já está circulando dentro dela. Demorei alguns meses no trânsito para entender qual deles eu deveria seguir.

Em relação ao conhecimento das regras do trânsito e habilidade para dirigir, ambos não são exigidos para quem quer tirar a licença para conduzir. Aliás, como já dito aqui em outros posts sobre o México, não se tira a licença, ela é comprada – basta apresentar identificação e comprovante de endereço, pagar uma taxa baixa de 725 pesos (equivalente a cerca de 145 reais) e a carteira de motorista fica pronta na hora. O processo é oficial da Secretaría de Movilidad da prefeitura e há 13 sedes na cidade para a retirada da licença. O resultado desta falta de capacitação dos motoristas na cidade é previsível: não há regras nas ruas, cada um faz o que bem entender. Parar no meio de um cruzamento é o que mais me indigna sobre a falta de noção ou respeito dos chilangos (moradores da Cidade do México) no trânsito. Eu já tentei reclamar, buzinando educadamente e conversando, mas não adianta: ou eles não entendem que é errado porque não foram educados em relação às leis de trânsito, ou são caras de pau mesmo. Cada um só pensa em se dar melhor que o outro, segue avançando e não olha para o lado. Furar sinal vermelho de ruas mais tranquilas também é normal, a qualquer hora do dia. E o que é pior: se você não fura, buzinam pedindo para que você avance.

Diante deste cenário, se alguém ainda quiser dirigir na capital mexicana, seguem mais algumas dicas:

O Segundo Piso

O Periférico é a via rápida mais conhecida e acredito que a mais longa em DF, pois corta a cidade de norte a sul. Em cima dele e de outras vias importantes, há o Segundo Piso, um elevado pedagiado para quem pode pagar e quer se locomover com mais rapidez. A estrutura da construção impressiona até quem está acostumado com São Paulo, pois é altíssimo e com extensões longas, que levam a vários pontos da cidade. O custo é variável de acordo com a região na cidade, mas em geral não é barato, podendo custar mais de 6 pesos (cerca de 1,20 reais) o quilômetro. Quem está disposto a pagar, ganha em tempo de locomoção. Se abaixo está congestionado, o mesmo trajeto pode ser bem mais rápido pelo Segundo Piso. Não funciona para todos os momentos do dia, mas vale checar no navegador onde está mais rápido, antes de pagar e subir ao Segundo Piso. É uma alternativa eficaz para quem quer dirigir na cidade. O pedágio é pago por um dispositivo de pagamento automático instalado no carro, comprado no varejo em geral, mas principalmente em lojas de conveniência. Outra dica importante: para que o navegador do celular apresente a opção do Segundo Piso como melhor rota, é preciso deixar a opção “evitar pedágios” desativada, nas configurações do app. E o contrário também vale: se o tag de pagamento automático não tem crédito, pois a grande maioria deles é pré-pago, ative a opção “evitar pedágios” para receber uma rota que não a leve ao Segundo Piso. É importante ressaltar que o Segundo Piso também leva os motoristas às saídas da cidade e o pedágio se estende às rodovias, onde também há as duas alternativas.

 O Parquímetro

Parquímetro CDMX – arquivo pessoal.

Outra facilidade para a vida do motorista na Cidade do México é o sistema de estacionamento rotativo. É algo para os chilangos se orgulharem, pois é muito eficaz! Em todos os quarteirões há um totem de pagamento do estacionamento nas ruas com moedas ou um cartão pré-pago. Não é preciso ir até um ponto de venda para comprar um papel e preenchê-lo, basta colocar as moedas de acordo com o tempo que você necessita estacionar e o papel já sai preenchido para ser colocado no painel do carro. O custo é baixíssimo, 2 pesos a cada 15 minutos ou 10 pesos a hora, ou seja, cerca de 2 reais por uma hora. Tudo automático, sem ambulantes querendo vender e até lucrar em cima do custo do estacionamento rotativo. Fico pensando no tamanho do investimento dessa infraestrutura toda, pois as máquinas estão, sem exagero, em todos os quarteirões! E se você não tem moedas, é possível pagar, também, por apps recém-lançados em 2018. Porém, da mesma maneira que o sistema é ágil, a fiscalização também é. As chamadas “aranhas” (wheels clamps ou boots) são vistas o tempo todo nas ruas, até em carros na segunda fila com pisca-alerta ligados. Já aconteceu comigo por não ter visto que o papel virou do lado contrário quando fechei o carro e garanto que a situação é para acabar com qualquer humor, pois deixam uma multa no para-brisa do carro e a aranha só é retirada depois do pagamento. É preciso pagar a multa, ligar para a central de fiscalização – cujos telefones estão impressos nos parquímetros – e esperar o fiscal ir até o veículo retirar a aranha.

No fim das contas, mesmo diante deste caos, minha escolha foi a independência de sair dirigindo por DF. Com alguns cuidados, paciência e planejamento, como ter sempre GPS, moedas no carro e saldo no tag do pedágio, é possível usufruir do conforto de estar dentro do seu próprio carro em uma cidade que tem um período prolongado de chuvas e um sol muito forte nos meses mais quentes. Vale a pena!

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4 comentários

Lea Mello Silva Agosto 2, 2018 at 10:03 pm

Paula
Aqui ou no México temos o pior e o melhor
Gostei muito de saber sobre o transito por aí
Seus textos são ótimos
😘

Resposta
Ana Paula Almeida Agosto 8, 2018 at 3:25 pm

Pois é, trânsito ruim tem em muitas metrópoles, não é só na Cidade do México não! Mas que lá é bem caótico, é!

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Luiz Polli Novembro 28, 2018 at 11:42 pm

Olá Ana. Parabéns pelo artigo.

Moro em DF e o pouco que dirigia aqui se torna um absurdo. É gigantesca a prepotência e egocentrismo deste povo.
Sou de SP, mas nem se compara a forma que eles conduzem na CDMX.

Agora um ponto extremamente importante é o custo de vida. Aqui o poder financeiro/aquisitivo é bem melhor que o Brasil(país). Aqui se pode comprar coisas de marca barata por exemplo. No Brasil nem passava perto.

Enfim, eu não me acostumei na CDMX. Voltando ao Brasil. 🙁

Saludos

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Ana Paula Almeida Dezembro 3, 2018 at 9:12 pm

Que pena Luiz, eu e minha família gostamos muito da Cidade do México, nos adaptamos bem. Sem dúvida, aqui quase tudo é mais barato que no Brasil. Nas últimas visitas ao Brasil me surpreendi com os altos preços de lá. Quem sabe esse papo rende um bom artigo? Obrigada pela dica e por seu comentário!

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