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Do México para a Suíça

Eis que, após alguns anos morando no México, chegou a hora de mudar para outro País. Por mais que estejamos acostumados a mudanças (ciganos como eu sempre estão), sempre é um processo, que embora divertido, pode ser bastante cansativo e estressante.

Como adoro me mudar, já tenho sempre pronta uma lista mental para situações assim e minha cabeça rapidamente se organiza em “modo mudança”. (Voz de robô) Mudança, mudança.

Bom, a primeira coisa a fazer – já com voz normal, por favor- é organizar a papelada. Passaportes, vistos e toda a burocracia necessária para uma transição tranquila (um saco, eu sei, mas não tem jeito). Informar-se nos devidos Consulados ( do Brasil e do outro país em questão) sobre tudo que deverá ser preenchido, pagamentos a ser feitos, fotos etc.

Note to self: Não esquecer de tirar cópia de todos os documentos antes da viagem caso haja algum extravio ou roubo no caminho.

Depois, pedir um orçamento de três empresas de mudança diferentes para escolher a melhor opção. Claro que, isso só vale no caso da mudança ser paga em sua totalidade pela empresa ou órgão que o(a) contratou no exterior.

Caso contrário, se for você quem pagará do seu bolso o envio de seus móveis, eu aconselharia selecionar somente o estritamente necessário, já que a mudança por navio costuma ser muito cara, sem contar com as dificuldades na hora de recolher os seus pertences no porto de destino, uma vez que dependendo do país, há que se desembolsar uma bela grana para reavê-los ( caso do Brasil, por exemplo). A alfândega brasileira é das mais corruptas e sempre pedem um dinheiro a mais na hora de entregar o container. Pelo menos esta foi minha experiência quando fui do Canadá para São Paulo há alguns anos. Portanto, é de suma importância pesquisar a política alfandegária do país a fim de evitar problemas futuros.

Com a firma de mudança escolhida, o segundo passo é livrar-se de tudo aquilo que não queremos levar. Vender ou doar móveis e aparelhos eletrônicos que não serão enviados. Checar a voltagem e tomadas do país para não arriscar levar aparelhos que, finalmente, não servirão. Abrir os armários e doar as roupas e brinquedos infantis em desuso.

Confesso que, sempre nesta parte do processo, dou-me conta da quantidade de quinquilharias que armazenei nos últimos anos. Aproveito para deixar o meu lado “acumulador” para trás e ficar só com o essencial. Admito que eu sempre penso que daqui para frente serei totalmente minimalista. Sabe quando fazemos aquela dieta que só dura 3 dias mas no primeiro dia jurávamos que era uma reeducação alimentar para o resto da vida? Pois é. Basta chegar no outro país que rapidamente as gavetas estão entupidas de tralha e eu não faço idéia de como chegaram lá. Acho que alguns papéis e pequenos objetos inúteis têm pernas e me perseguem aonde quer que eu vá. Acho que eles já vem com trajes de alpinismo embutidos para escalar as lixeiras e são altamente treinados para voltar correndo de onde vieram.

Não se pode levar bebida alcóolica por via marítima, portanto, se tiver bebida sobrando, é hora do sacrifício mor e terminar com todas as sobras. Chame os amigos para várias despedidas, se quiser, ou beba sozinho para acalmar os nervos diante da inevitável bagunça.

Depois, já de passagens na mão, lembrar de fazer trocentas ligações chatérrimas para desconectar t.v. a cabo, telefones, luz, gás, etc. Avisar ao dono do imóvel (se morar de aluguel), a data da saída para evitar multas desnecessárias. Percorrer todo o imóvel e anotar todos os reparos a serem feitos antes da entrega das chaves.

Informar-se sobre a moradia no país de entrada. Caso a empresa pague, certificar-se de estar de acordo com o local escolhido. Caso não, providenciar um lugar para chegar. Geralmente, há que ficar um período de 2 meses em um apartamento mobiliado até a chegada dos móveis, que por via marítima costumam demorar uns 2 a 3 meses. Neste tempo, você pode calmamente encontrar sua moradia ideal.

Eu sempre costumo pesquisar muito antes de chegar sobre preços de aluguel, melhores bairros, escolas e principalmente sobre a cultura local. Acho bacana saber como vivem os locais do novo país, seus costumes e valores. Claro que, tudo isso é muito teórico até a chegada propriamente dita. Mas, nerds como eu adoram uma boa teoria, de modo que penso que faz parte do processo toda esta preparação anterior.

Leio livros de autores locais, escuto a língua o máximo possível- caso não seja fluente no idioma- e sem querer, começo a despedir-me da terra que me acolheu durante os últimos anos. É interessante como de repente, cada cantinho que antes eu antes passava batida, agora tento guardar em uma memória estática e doce.

A partida sempre deixa algo para trás. Um cheiro, uma lembrança de algum dia qualquer. Passos que andaram em ruas que já não vão mais estar. Ainda existirão, porém não no visível do cotidiano. Estarão presentes somente na idéia do que se foi. Sim, porque mesmo ao regressar, nunca voltamos para onde um dia estivemos. A volta é um movimento marcado por mudanças, ao passo que, a lembrança permanece estática, linda em toda sua forma e majestade.

Portanto assim, sem mais, é hora de partir. Rumo à um novo mundo qualquer repleto de capítulos ainda não lidos que, na transitoriedade do tempo, darão lugar a outras partidas e muitas chegadas.

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15 comentários

Rosana Findeiss Março 21, 2014 at 2:51 pm

Oi Fernanda, minha filha de 24 anos esta
De mudança p a cidade do Mexico, vai sozinha,
através de uma empresa. Que conselho daria
a ela caso fosse sua filha, no sentido de dicas
e cuidados ref a cidade? Obrigada e seja muito
feliz em seu novo destino,
Abraço,
Rosana

Resposta
Fernanda Moura Março 24, 2014 at 2:55 pm

Oi Rosana 🙂
Bom, em primeiro lugar garantir que a empresa exista e seja o que afirmam ser. O que tem de mutreta não é fácil. Em segundo lugar, saber se a empresa pagará o aluguel em sua totalidade ou não. Caso pague, saber em que bairro irá morar. Como qualquer cidade grande, o DF tem areas perigosas e areas boas de morar. Na minha opinião os bairros de Polanco e Condesa são os melhores para estrangeiros, embora bairros como Coyocán y Del Valle sejam excelentes também. Tudo depende de onde ela irá trabalhar. Aqui o ideal é morar perto do trabalho porque o transito é infernal. Outra coisa importante é saber se seu pagamento será em pesos ou em reais. A moeda aqui vale muito menos que o real e se o pagamento é feito em pesos, certificar-se de que seja uma quantia condizente com o trabalho a ser feito. Dá uma olhada na internet o valor do cambio para ter uma ideia do que esperar. Quanto à cidade, os cuidados são os mesmo que em outras grandes cidades. Há risco de assalto, mas em boas regiões é dificil de ver algo criminoso acontecendo. Uma dica importante é não ter preconceito com a comida, mas tomar cuidado ao comer na rua. A maioria dos estrangeiros aqui demora uns 2 anos para não passar mal ao comer na rua. Bem, quando falo rua, não falo de restaurantes bacanas etc. Estou falando da comida de carrocinha de rua que é muito comum por aqui. No mais, é um lugar dificil no principio, mas que quando nos acostumamos pode ser bem gostoso de morar. Ahh outra coisa importante é saber se o seguro da empresa cobre todas as especialidades medicas etc e como é feito esse reembolso. Os médicos aqui não são tao caros quanto no Brasil, mas de qualquer maneira, dependendo do caso, pode vir a ser um baque no salário mensal caso a pessoa tenha que bancar todos os custos. Qualquer outra dica, basta entrar em contato comigo que será um prazer ajudá-la nesta nova fase. Um abraço, Fernanda [email protected]

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Ana Cristina Kolb Março 22, 2014 at 12:51 pm

Nossa Fernanda até fiquei com nostalgia lendo seu texto! Muito lindo a imagem de se despedir e de descobrir um novo pais. Otimas dicas de mudança, que pode ser realmente estrelante se não for bem planejada. A gente quando veio temporariamente pra Suica, no inicio alugamos nossa casa na Alemanha mobiliada, compramos tudo simples e básico aqui, no IKEA, o interessante nestas mudanças, é exatamente como voce bem diz, ver quantas coisas supérfluas acumulamos. Seja bem vinda querida! 🙂 Namasté

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Fernanda Moura Março 24, 2014 at 3:02 pm

Obrigada, Ana:) Fico feliz que tenha gostado do texto com direito a nostalgia e tudo rsrs . Beijos!

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Ju Março 24, 2014 at 5:09 am

Fer adorei seu texto… tambem amo mudancas, otimas dicas, obrigada!! ….. concordo plenamente com o que disse `…mesmo ao regressar, nunca voltamos para onde um dia estivemos…`

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Fernanda Moura Março 24, 2014 at 3:05 pm

Que bom que vc gostou, Ju! Pois é, acho que quem tem alma cigana como a nossa, não pode parar nunca em um lugar ne? Beijos!

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Carla Março 27, 2014 at 4:57 pm

Oi Fernanda, adorei o seu texto. Bem humorado, leve, facil e muito sensível. Hoje vivo no pais #3 (sem contar o Brasil), e me vi exatamente como você descreve no seu texto. Adorei a sua organização e estrutura para mudança: é exatamente isso! Quando eu mudar novamente, volto correndo aqui no seu artigo para refrescar a cuca. Parabéns!

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Fernanda Moura Março 28, 2014 at 4:35 pm

Obrigada Carla! Que bom que gostou do texto. Só a gente que se muda de país com freqüência sabe a importância de uma certa guideline mental né? Principalmente após ter filhos…Beijos!

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Emilia Hanashiro Março 27, 2014 at 11:42 pm

Nossa! Mudar, deixar algo, momentos que serão lembrados, e ainda tudo que se acumula no tempo de estadia. porem tem pessoas que se torna especialista em mudanças pois nunca para por muito tempo em um só lugar,parabéns pelo texto.

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Fernanda Moura Março 28, 2014 at 4:36 pm

Obrigada, Emilia! Beijos

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Lu Janeiro 20, 2015 at 9:03 pm

Olá Fernanda, amei seu texto, Espero que sua vida Suíça esteja sendo maravilhosa também 🙂

Também já morei fora do Brasil (o maior tempo foi de 2 anos na Malásia), e pode ser que eu e meu marido nos mudemos de São Paulo para a Cidade do México ainda em 2015. Ainda estou avaliando a situação, e como planejamos fabricar o primeiro filho nos próximos 365 dias, pergunto a você o que achou do atendimento médico dos mexicanos.

PS: ainda não recebemos a proposta de expatriação, portanto não sei dizer qual o plano de saúde proposto para nós.

PS2: de repente poderia ter seu email ou facebook para você me enviar algumas indicações? 🙂

Beijinhos,
Lu

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Fernanda Moura Janeiro 21, 2015 at 7:32 am

Oi Lu 🙂 Fico feliz que tenha gostado do texto. Mais tarde te mando um e-mail para conversarmos melhor, pode ser? Bjs 🙂

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Maria Cláudia Maio 12, 2015 at 8:01 pm

Oi, Fernanda! Td bem? Tô indo dia 15/5/15 para a Cidade do México. Meu marido foi transferido pela empresa espanhola que ele trabalha há 5 anos (ele é espanhol) e vamos ficar na Condesa. O queria saber era em relação ao plano de saúde/seguro saúde. Ele ouviu dizer (pq já começou a trabalhar lá desde o mês passado, entre idas e vindas…) que o plano é por hospital ou por grupo de hospitais, algo assim. Li na internet que é td particular e vc pede reembolso no seguro saúde. Enfim, vc consegue me informar quais os melhores hospitais da Cidade do México para maternidade e me aconselha em relação a plano de saúde, qual o melhor, se existe mesmo, etc. Muito obrigada!! ;o)

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Fernanda Moura Maio 13, 2015 at 6:32 am

Oi Maria Cláudia 🙂 Em primeiro lugar, boa viagem e boa sorte com a mudança. Como você comentou, de fato, a maioria dos planos de saúde no México funcionam a base de reembolso, mas nem todos.O ideal seria entrar em contato com o plano escolhido e perguntar. Nao sei se a empresa onde o seu marido trabalha lhe dá a opçao de escolha ou nao. Geralmente há, desde o plano simples ao executivo onde, no último, vários serviços sao cobertos. O chato do reembolso é a papelada para preencher cada vez que vamos ao médico. Eu tinha, se nao me falhe a memória, Metlife. Incluía vários médicos e hospitais,mas a maioria das vezes por reembolso ( o meu plano nao era executivo). Eu morava perto da Condesa, em Polanco, e portanto geralmente ia ao Hospital Español para qualquer emergência. Conheço pessoas que tiveram seus filhos lá e gostaram. Há também o Hospital de la Mujer que fica em Lomas, mas acho que mudou de nome recentemente. Ouvi dizer que o Hospital Inglés e Hospital ABC sao bons também, porém ficam distantes da Condesa. Se você precisar de dicas de pediatras, etc. basta entrar em contato que te passo algumas recomendaçoes. Se quiser podemos conversar com mais calma por email. Um abraço!

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Maria Cláudia Maio 12, 2015 at 8:04 pm

Tb quero ver a resposta da Lu (ACIMA), pq tenho as mesmas dúvidas q ela… Hahahahahaa! :o)

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