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Entrevistas França

Entrevista com a cantora Flávia Coelho

Hoje vou falar sobre música. Dessa vez, não sobre clássicos franceses que nós, brasileiros, achamos um charme. Conversaremos sobre a Flávia Coelho, uma carioca de pais nordestinos que leva a voz brasileira para os franceses com suas melodias que fogem dos tradicionais bossa-nova e samba. Flávia começou sua carreira em 2006, em Paris, cantando em metrôs e bares até conhecer Bika Bika e Victor Vaugh, seu produtor musical, e começar a ver sua carreira alavancar.

A cantora já participou de vários festivais na França. Tive o prazer de assistir ao seu show ano passado, na Fête de la musique aqui em Lyon e posso garantir: QUE SHOW! Uma alegria contagiante no palco, uma voz maravilhosa e muitos franceses tímidos arriscando passinhos. Foi um prazer poder levar minhas amigas americana e russa para ver de perto alguém que foi trilha sonora da minha vida de au pair.
Flávia já lançou dois álbuns: Bossa Muffin (2011) e Mundo Meu (2014).

BPM -Bom dia, Flávia. Obrigada pela participação em nosso site BPM. Conte-nos como foi a decisão de trocar o Brasil pela França.
Na verdade, eu nao troquei, vim descobrir. Um pouco diferente!

BPM -Quais suas maiores influências? De onde veio a inspiração para tantos ritmos que podemos conferir em seus álbuns?
Escutei musica brasileira toda minha infância. Cresci como todo mundo da minha época: Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano, Fagner, Dr Dre, Nina Hagen, Salif Keita, Eminem e muitos outros. Cresci nessa mistura de som e de ritmos chamado Brasil. Minha influência vem disso mais o meu encontro com todos os músicos que cruzaram meu caminho.

BPM -Você estudou música na França? Se sim, quais cursos você indicaria?
Estudei 4 meses de canto com uma professora americana que me deu algumas dicas; mas, a melhor escola é a noite, os bares, as Jam sessions… a vida!

BPM -Como foi seu início de carreira em Paris?
Como acontece com todos, o começo foi difícil, claro. A língua, o frio… mas tinha perseverança e vontade de escrever minhas primeiras composições. Foi nesse momento que encontrei os músicos Bika Bika Pierre e Victor Vaugh (produtor musical) que acreditaram em meu potencial, viram em meus olhos que eu queria fazer um som diferente.

BPM -Qual a diferença entre o circuito musical brasileiro e francês?
Aqui tem músicos do mundo inteiro que entram e saem do país o tempo todo, trazendo novos estilos, e, por uma questão geográfica, acho que é mais simples que no Brasil.

BPM -Você acha que tem mais opções e possibilidades de uma carreira de sucesso estando na França ou seria o mesmo estando no Brasil?
Na verdade, não tentei minhas composições no Brasil. Comecei a compor na Europa. O encontro com pessoas é importante e é verdade que é mais simples na Europa; porém, precisa ter um conteúdo sólido para convencer todos.

BPM -No começo, ao apresentar seu material, você ouviu muito “mas você é brasileira e não canta samba ou bossa-nova?”
Nem fala! Recebi muitas propostas para fazer discos exclusivamente de samba ou de bossa, para ir “mais rápido ao Top 10”, me diziam algumas pessoas. Não escolhi a música para fazer sucesso ou ir “mais rápido”. A música me escolheu e meu coração pedia para eu fazer discos que tivessem algo a ver comigo, com a minha época, com a minha história. Lógico que tenho uma história com esses estilos, nasci no Rio de Janeiro; mas tive que explicar e convencer a galera aqui na Europa que o Brasil mudou, avançou…não ficou parado nos anos 50.

BPM -Como é cantar em português tendo como palco principal a França? Como foi a recepção dos franceses? Você pretende fazer um álbum em francês?
Os franceses adoram o Brasil. Cantar em português nunca foi um obstáculo, mas a música que eu oferecia sim. Algumas gravadoras tinham medo do que eu oferecia, diziam que nunca iria funcionar. Agora elas me procuram e perguntam como fiz. Disco em francês, como dizem os franceses: On verra*!
*veremos

BPM -Em seu show, nós vemos de tudo: jovens, famílias, pessoas de idade, europeus, brasileiros. Qual a sensação de subir no palco e ver tudo isso?
A sensação é que tenho muita sorte. Sou muito grata e feliz de viver da minha arte e poder dividir com pessoas de todas as idades!

BPM -E como é cantar na Europa, mas fora do território francês? Foi um país que você gostou muito de cantar?
Maravilhoso! Sempre sou recebida com muito carinho e adoro cantar em qualquer lugar!

BPM -Quais dicas você daria a uma brasileira que sonhe/queira ter uma carreira musical na França?
Siga seu coração, é ele que faz as boas escolhas. Aprender a língua do país ajuda muito.

BPM – O que podemos esperar de Flávia Coelho para o ano de 2016?
Viajando o mundo, fazendo amigos, cantando e sendo feliz! E mais música, claro!

BPM – Deixe um recado para as Brasileiras Pelo Mundo, em especial as que estão apenas começando na área musical.
Música é arte e arte se aperfeiçoa com trabalho. Pense arte e não sucesso. Sejam felizes sempre!

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Para informações de seus próximos shows pela França e pelo mundo clique aqui.

… « Não vale a pena explicar
Você vai achar que ele é um vagabundo,
decidiu viver e viajar e conhecer o mundo.
Não vale a pena explicar,
eu digo o que ele tem, um desses mistérios profundos
que aprendeu na marra na mata
com um índio Guarani do terceiro mundo.
Foi na África, viu o Bangladesh, dormiu com o Deus Ganesh.
Ficou intrigado quis ver com seus próprios olhos um arco-íris.
Diz que essa viagem só o ajudou a descobrir povos desconhecidos,
que disseram pra ele que o homem é seu próprio inimigo. »…

trecho de Bossa Muffin (o viajante)
Flávia Coelho

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2 comentários

ananalala Outubro 25, 2015 at 12:36 pm

Top, Jéssica! Adorei.

Resposta
Jéssica Martins Outubro 25, 2015 at 1:10 pm

Ela é incrível Ana! Vale a pena ouvir =) Depois dá uma olhada se ela vai tocar por ai no link de datas de show que postei beijos

Resposta

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