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Entrevista com Ana Camila, que viajou sozinha pela Índia

Muitas mulheres têm vontade de viajar para a Índia, mas o medo de ir sozinha é o que mais pesa na decisão. Viajar sozinha não é fácil, ainda mais para a Índia, um país bem diferente e que desperta a curiosidade de muitas pessoas.

Fiz uma entrevista com a Ana Camila Rodrigues, ela tem 34 anos, é de Goiânia e bióloga.  Ela já viajou para vários países e foi recentemente para a Índia sozinha, comemorar o Festival Holi (março 2016).

Por que viajar para a Índia?

Escolhi a Índia porque sempre fui fascinada pela cultura, religiosidade e alegria do povo indiano, queria participar do Holi Festival. Sempre quis entender como o povo indiano, mesmo sendo tão pobre, consegue ser feliz.

Quais eram seus medos antes da viagem?

Li tanta coisa ruim, que confesso que me preparei emocionalmente pra ver de tudo, mas tinha pânico em pensar nos estupros, que infelizmente são famosos na Índia, e como eu fui sozinha isso me preocupava demais!

Como foi o planejamento dessa viagem? Você pesquisou muito antes, onde?

Comecei a planejar a viagem com 5 meses de antecedência, procurei blogs e livros de viagem. E claro, as suas dicas daqui e do seu blog Namastê Mundo. O principal problema é que queria conhecer Rishikesh e a maioria das informações era sobre o famoso “triângulo dourado”, composto por Agra, Deli e Jaipur, então tive que pesquisar muito mais.

Qual foi seu roteiro de viagem? A quais cidades você foi? Quantos dias ficou?
Agra e Vrindavan, Jaipur, Varanasi,  Mussoori e Rishikesh, dois dias em cada uma dessas e Delhi, três dias.

Qual planejamento financeiro você fez? 

Planejei gastar 10 mil reais, incluindo passagens, alimentação e hotéis, ainda deu pra trazer uns sáris rs.
Voei pela Etihad até Abu Dhabi e fiz uma conexão pra Delhi. O voo custou R$ 4.900,00.
Usei carro para me locomover dentro do país, com exceção de Varanasi, pra lá peguei um avião da companhia Indi go no valor de R$ 180,00. Gastei R$ 500 a mais do que planejava.

Qual foi sua primeira impressão ao chegar à Índia?

Me perguntava: ” Que loucura, o que estou fazendo aqui?” A sujeira, a pobreza, as vacas fuçando o lixo junto com os porcos, o povo em cima de você pra comprar alguma coisa, o mau cheiro, o jeito que os homens te olham. Por mais que eu estivesse preparada pra aquilo, quando você de fato vê “com seus próprios olhos” tudo muda!
Essa impressão foi desfeita, preciso dizer, hoje a Índia é um país ao qual quero voltar.

Ana Camila e a mãe sagrada vaca. Na Índia a vaca é um Deus.
Ana Camila e a mãe sagrada vaca. Na Índia a vaca é um Deus.

O que você achou da comida, dos hotéis, transporte?

Adorei a comida! Eu tinha um pouco de receio, mas como já havia estado em outros lugares na Ásia, este não era um problema, gostei tanto que, desde que voltei, estou tentando me tornar vegetariana.

Na Índia sempre escolha hotel 5 estrelas, que equivale a um 3 nosso.

O transporte é um caso à parte. Viajei de carro, as estradas são ótimas, tranquilas e limpas, isso me surpreendeu muito. Também peguei trem pra Mussoori (foram 10 horas de viagem) na primeira classe (que é aceitável). À noite você vai dormindo, então é tranquilo. Tem uma beliche na cabine! Já para a locomoção dentro das cidades eu usei tudo, o otto (que parece um tuk tuk) e o rickshaw (uma bicicleta com 2 lugares atrás), que no meio do caos são as melhores soluções. Nesses você é explorado descaradamente; meu amigo indiano me disse que o mesmo percurso que pra eles custa 100 rúpias, pra nós, estrangeiros, seria 1000 rúpias! Então, SEMPRE combine o preço da viagem antes.

Quais foram seus custos diários? (Alimentação, hotel ou hostel/albergue , transporte, atrações turísticas.) Foi fácil sacar dinheiro? Passar cartão de crédito? Como você se organizou nesse sentido financeiro para os dias da sua estadia?

Sempre estabeleço um limite de 80 dólares diários pra fazer tudo: transporte, comida e ingressos, etc. Como lá é tudo muito barato, deu certo, gastava sempre menos, nunca mais. Levei dinheiro em espécie e cartão. Não tive problemas para usar o cartão em Delhi, mas nas outras cidades ele só foi aceito em meus hotéis.

Como foi a experiência sendo mulher e viajando sozinha? Quais cuidados de segurança você tomou?

Viajei sozinha, e confesso que tinha muito medo da Índia! Quando cheguei levei um susto, eles te olham como se você fosse um E.T, meu amigo disse que eles acham lindo mulher alta. Pedem pra tirar foto, é até engraçado, nos dois primeiros dias eu só andava de cabeça baixa, mas depois entendi que eles acham diferente, só isso. A principal questão: nunca, jamais, saia com as pernas de fora! Respeite a cultura deles, use roupas adequadas que você não precisará se preocupar. Não entre em locais que só tem homens e não pegue transporte coletivo nas cidades.

Na sua viagem você passou por alguma dificuldade ou medo?

Em todos esse dias de viagem só tive problema no Holi, as pessoas se aglomeram nos templos, que ficam abarrotados; ganhei umas três apalpadas na bunda – isso me aconteceu em Salvador, também. Quando isso aconteceu, simplesmente voltei para o hotel. Não é seguro participar desse festival na rua, não é aquela maravilha que vemos nas fotos! Todos estão bêbados e quando me viam, juntavam pra me jogar tinta, a maioria homens. Não que isso seja ruim, faz parte do festival, mas quando um deles usou isso pra me tocar, vi que era a hora de ir embora.

Ana Camila comemorando o Holi.
Ana Camila comemorando o Holi.

Qual foi sua impressão sobre os homens na Índia? E sobre as mulheres?

O povo indiano é fantástico! Vi cenas terríveis, mas vi coisa muito boa também… Vi um homem muito pobre vendendo pão dividindo o “nada” que tinha com um outro. Voltei apaixonada pelas mulheres e seus adereços, todas tão vaidosas, coloridas, é incrível.

A quais lugares você gostou mais de ir?

Amei Rishikesh. A cidade tem uma energia incrível, uma paz que não consigo explicar! Foi um dos lugares mais mágicos que visitei na vida, mas também preciso dizer que tiraria Varanasi do roteiro, a pior cidade, não tem nada atrativo nem diferente!

Você teve a oportunidade de ir a um casamento arranjado? O que achou dessa experiência?
Esse foi um caso à parte, porque achei a festa linda (comprei até um sári para ir, rs), achei muito chique, é muita ostentação, muitas jóias, muita comida, muita alegria… Confesso que a tristeza me invadiu, porque, para nós ocidentais, se casar sem amor é inconcebível. Não vi brilho nos olhos, não vi amor! Claro que questionei meu amigo, e o que ouvi foi: Ana, esses casamentos sempre dão certo, não existe divórcio na Índia, os que são por amor sempre terminam, veja o seu, por exemplo. (sim, sou divorciada). Nessa hora apenas me calei. A questão é que as traições são grandes, mas as separações inconcebíveis, vai entender…

Apenas retificando o que o amigo da Ana disse: existe divórcio, sim, mas a porcentagem ainda é bem pequena. As tradições e o preconceito ainda pesam muito no divórcio.

Ana Camila linda em um saree indiano indo prestigiar um casamento.
Ana Camila linda em um sári indiano indo prestigiar um casamento.

Conte-nos sobre algum momento(s) que a marcou muito nessa viagem.

Dois momentos me marcaram muito: 1- Quando vi o Taj Mahal (pensei: Deus, obrigada por me fazer tão corajosa, sem isso eu nunca estaria aqui!)

2- Quando mergulhei no Ganges (que é cristalino em Rishikesh), uma paz tão grande me invadiu que não consigo explicar com palavras!

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Quais aprendizados a Índia te deixou? 

Nossa… Tanta coisa… Me vi tão pequena e fútil em tantos momentos! Me senti fraca, egocêntrica e ignorante várias vezes. Poderia dizer mil coisas, mas não quero ficar pregando o que você tem que pensar ou fazer da sua vida. Cada um vê as coisas de um jeito… Porém o que eu quero deixar aqui é meu maior aprendizado: VALORIZE SEU ALIMENTO. Não seja guloso, divida o que você tem, não desperdice. A comida é muito valiosa! É uma benção diária que permite que você permaneça vivo.

Que conselhos você dá para quem quer visitar a Índia?

1- Não beba água que não esteja em garrafas – ainda assim, veja se eles não colaram a tampa! Isso aconteceu comigo.
2- Não coma nada que não estiver cozido.
3- Não beba leite e não coma derivados; fuja do “panner”.
4- Leve pouca bagagem.
5- Sempre pechinche.
6- Use roupas que cubram o corpo.
7- Não pegue nenhum transporte sem antes combinar o preço.
8- Cuidado com os guias em pontos turísticos. Pechinche – eles cobram muito, ofereça 1/4 do preço.
9- Cuidado ao atravessar a rua.
10- Livre-se de seus preconceitos, abra-se ao novo, deixe-se encantar pela Índia! Prepare-se pra ser feliz…

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15 comentários

Carol Junho 27, 2016 at 2:08 am

Obrigada por compartilhar sua história. Eu amo sarees indianos! Achei alguns no mercado livre para comprar rs…

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Joice Santos Junho 28, 2016 at 9:22 am

Oi Carol, fico feliz que gostou da entrevista com a Ana. Realmente as roupas indianas são lindíssimas. Muita cor, bordado, texturas… Também amo! Continue nos acompanhando, Namastê.

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Teresinha marta Junho 27, 2016 at 9:24 pm

Eu também já fui a INDIA ha muitos anos atrás. Foi um divisor de aguas na minha vida. .Gostei muito dos seus comentários. Reais e interessante. Parabéns,

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Joice Santos Junho 28, 2016 at 9:13 am

Oi Teresinha, fico feliz que gostou da entrevista com a Ana… Realmente a Índia nos comove e nos ensina muito. Continue nos acompanhando. Namastê

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Cíni Reis Junho 28, 2016 at 6:12 pm

Adorei sua historia,obrigada por compartilhar conosco….. Sempre quis saber sobre valores ($) reais e vc me esclareceu muitas duvidas principalmente em relação ao dinheiro….. Eu pretendo ir à India em 2017 ,mas vou para Indore e Bhopal.

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Joice Santos Junho 30, 2016 at 11:18 am

Oi Cintia, que ótimo que a entrevista te ajudou a esclarecer algumas dúvidas. Indore conheci, é tranqüila e é bom mesmo ficar atenta ao dinheiro para você não ter problemas. É bom já levar uma boa quantia em espécie porque em cidades pequenas muitas vezes você não vai encontrar caixas eletrônicos com facilidade. Te desejo uma boa viagem quando chegar a hora e continue nos acompanhando. Namastê

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karina Junho 29, 2016 at 3:39 pm

fantástico!!!!!!!!!!!!! estou indo em agosto e amei esse testemunho!

Resposta
Joice Santos Junho 30, 2016 at 9:27 am

Oi Karina que ótimo que a entrevista tenha te animado ainda mais. Faça uma linda viagem e depois me conte a sua experiência. Vou adorar ler. Namastê

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Índia – Entrevista com Ana Camila, que viajou sozinha pelo país – Namastê Mundo Junho 30, 2016 at 5:18 pm

[…] Muitas mulheres têm vontade de viajar para a Índia, mas o medo de ir sozinha é o que mais pesa na decisão. Viajar sozinha não é fácil, ainda mais para a Índia, um país bem diferente e que desperta a curiosidade de muitas pessoas. Fiz uma entrevista com a Ana Camila Rodrigues, ela tem 34 anos, é de Goiânia e bióloga. Ela já viajou para vários países e foi recentemente para a Índia sozinha, comemorar o Festival Holi (março 2016). TODA A ENTREVISTA AQUI […]

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Star Setembro 12, 2016 at 6:29 pm

Corajosa de participar sozinha do Holi. Nem meu marido que é indiano gosta de Holi pelas mesmas razões. Bagunça.
Quanto à água de garrafinha isso não acontece só na Índia, em Maceió – BR me venderam na praia uma garrafinha de água mineral com a tampa adulterada senti um gosto estranho e vi que era de cor diferente da original . Passei muito mal, então esse cuidado com a água deve ser aplicado a qualquer viagem, até mesmo no Brasil.

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Lis Setembro 29, 2016 at 8:46 am

Olá Joice.. Nossa amei essa entrevista, sempre li sobre o lado ruim de ir viajar para Índia sozinha, mas ao ler sua matéria percebi que é do mesmo jeito que viajar sozinha pelo Brasil a fora e também para qualquer lugar do mundo, sempre temos que respeitar a cultura local… Pretendo um dia ir à esse país que muito me encanta. Obrigada querida por compartilhar essa experiência da colega Ana e também das suas próprias em Mumbai, adoro seu blog namaste mundo. Bjs

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Cris Frost Setembro 30, 2016 at 12:50 am

Olá, gostei muito de sua entrevista. Raramente alguém fala bem da Índia; as pessoas, infelizmente se fixam no negativo, que tem em todo lugar, inclusive aqui.
Sou separada, e tenho uma filha deficiente, e moramos na Índia por 1 ano, e nesse período fizemos várias viagens. Algumas com amigas; mas durante dois meses viajamos sozinhas, de carro particular, de trem ( de terceira e segunda classe), de carro compartilhado ( táxi), e de ônibus.
Foi incrível! O que eu posso dizer desses dois meses? Que nunca vi tanta gente gentil, simpática, solidária!
Eu e minha filha Marcela nunca mais esqueceremos essa viagem, e todas aquelas pessoas e experiências.
Se Deus nos permitir, repetiremos, com toda certeza!
Mas durante toda nossa estadia na Índia, só usamos saris e punjabs, nunca short, regatas ou saias transparentes. É estávamos sempre de xale, como e o costume local. Nós os respeitamos e fomos respeitadas por eles.

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Aleksandra Outubro 1, 2016 at 4:53 pm

Olá! Gostaria de entrar em contato com a Anà, tem como?? Adorei a viagem e também penso em ir sozinha. Obrigada pela entrevista e reportagem.

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Claudia Janeiro 9, 2017 at 9:46 pm

Nossa… fiquei ESPANTADA por ela ter gasto SOMENTE R$ 10.000,00. Estou indo para a India com um grupo e ficaremos 15 dias, contando os dias de ida e volta. Pelas minhas contas já cheguei nos R$ 21.000,00, sendo que estou levando USD$ 1.200 (dolares) para gastar lá. Vou pesquisar mais da próxima vez pra não gastar tanto 🙁

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Camila Ferreira Junho 1, 2017 at 1:37 pm

Índia – Entrevista com Ana Camila, que viajou sozinha pelo país – BrasileirasPeloMundo.com Achei uma pessoa de goiânia para o resto da minha vida, acessei o site http://www.namorogoiania.com.br e encontrei minha alma gêmea aqui mesmo em goiânia. Agradeço ao site por existir, e indico aos amigos e quem queira ter um relacionamento sério.

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