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Vietnã

Escrever sobre o Natal Para Mim, é Como “Chover No Molhado”

Ultimamente não importa quantas vezes eu fale sobre o Natal, eu acabo fazendo meras variações sobre o mesmo tema.

A minha conclusão, é que infelizmente não importa por onde eu tenha caminhado, minha frustração permanece a mesma. Natal deixou de ser o que é para se transformar no que jamais poderia ser.

Depois de 3 anos e meio nas Filipinas, onde as pessoas começavam a comemorar o natal em setembro, e terminavam de comemorar em fevereiro (esse era o tempo médio que a gente ainda via decoração espalhada por toda cidade). Por cerca de seis meses, supermercados, padarias, restaurantes etc, tocavam musiquinhas natalinas. No primeiro mês foi um encantamento, mas depois de um tempo tornou-se uma tortura…

Um dia perguntei porque tocavam as musicas por tanto tempo, e alguém me disse que as musicas tocavam nos meses de “ember”, September, October, November e December, mas daí eu tive que fazer o que devíamos fazer então a respeitos dos “uaries”, já que em January e February a “tortura” continuava. Era acordar ouvindo Jingle Bells, jantar ouvindo Jingle Bells e por muitas vezes deitar na maca do spa e relaxar fazendo uma deliciosa massagem ao som de White Christmas!

Mas Natal tem que ser mais do que musiquinha não?

Infelizmente Natal é hoje uma data comercial onde espiritualidade e comunhão têm passado longe de seu sentido original.

Chegando ao Vietnam estava preparada para a ausência de Natal, mas o que encontrei foi muito pior que isso: Semanas antes da festa cristã, algumas ruas do distrito de Hoam Kien (uma espécie de 25 de março local) ficam intransitáveis. Papais-noéis gigantes, renas, neve falsa, fantasias de duendes e Santa Claus, arvores de plástico e mais um mundaréu de tranqueiras que não faz nenhum sentido para vietnamita algum.

Vários vietnamitas de classe social dominante tem em seu jardim um pinheiro gigante com bolas coloridas, a maioria deles está gastando horrores comprando decoração de gosto duvidoso e torrando o que tem em presentes e artigos de marca, agora pergunte a qualquer deles, qual a  razão da celebração e você vai se dar conta de que eles não tem a menor idéia do que se trata. Algum deles um pouquinho mais conectado pode ainda tentar deduzir que natal é o aniversário do Papai Noel, mas Jesus?

Jesuuuuus????!!!!

Quem é esse?!

Nós poderíamos botar a culpa dessa “ignorância espiritual” no ateísmo comunista, mas qual de nós de fato tem no coração o verdadeiro sentido de natal? Quantos de nós estão  dispostos para usar essa data para reflexão, meditação e crescimento espiritual? Quantos de nós estão  dispostos a viver esse natal?

É hora de olhar para o bebê no presépio. Olhar pra essa criança que nasceu numa manjedoura porque não lhe havia nenhum lugar melhor.  Esse bebê extraordinário que mudou o mundo para sempre! O aniversariante mais querido, mais esperado, mais importante que poderia haver. Mas ele esta no centro do nosso natal?

Do meu? Do seu? Duvido muito! E qual a nossa desculpa? O capitalismo ateu?

Vamos resgatar algo que vá além disso? Usar as nossas vidas para fazer algo de bom? Procurar um projeto onde possamos atuar como voluntarias, escrever cartões para os amigos, ao invés de só enviar e-mails padronizados e frios (isso a equipe do Brasileiras Pelo Mundo já está fazendo hehehhe), que tal visitar amigos, perdoar algum desafeto, adotar um bicho ou uma criança ? (ainda que virtualmente) Você pode prover alimento, material escolar, medicação… há tantas organizações necessitando deste compromisso por parte de gente como a gente!

E sobre as compras…comprar demais não faz bem pro bolso nem pro meio ambiente, mas como a gente gosta muito (sim, eu também adoro! Mea culpa! Mea Culpa! Mea Culpa!) que tal a gente pelo menos comprar de pequenos produtores ao invés de comprar nas grandes lojas?

Vamos prestigiar as pequenas lojas, os artesãos, os amigos!

E vamos acima de tudo, cantar parabéns pro cara certo!

Feliz aniversário Jesus! Toma o seu lugar na nossa mesa (e nas nossas vidas!) afinal, você é o dono da festa!

 

 

 

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2 comentários

Bel Dezembro 20, 2012 at 4:11 pm

PERFEITO, Fabi!!! Ah, como seria bom que o mundo todo lesse isso aqui… e vivesse isso aqui!!!
Beijo enorme!

Resposta
Georgea Goldstein Dezembro 24, 2012 at 10:12 pm

Parabens pelo texto! Muito bom mesmo. Bjs!

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