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A fragilidade feminina e as relações virtuais

Falar de fragilidade feminina não implica necessariamente referir-se à força física, mas devemos ampliar esse conceito socialmente construído a um sentido simbólico, às relações de poder e inferioridade em relação ao homem. A mulher nem sempre carregou esse estereotipo de fragilidade; nos primórdios da existência humana, ocupava um papel de destaque na vida social e era responsável pela organização e administração do clã e, por esta capacidade, era divinizada e respeitada.

O que então ocorreu para que o sexo feminino perdesse a sua força nas relações sociais e deixasse de ser a “guardiã dos mistérios da vida”? A essa pergunta recorremos a antropologia e a sociologia, que aponta que desde o período de 9.000 a.C., a mulher passou a ser dominada pelo homem; enquanto a masculinidade e a força eram exaltadas, a feminilidade era cada vez mais enfraquecida.

Para justificar a maneira de ser, de julgar e de agir de um homem havia a necessidade de parametrizá-lo à inferioridade e subordinação da mulher, foi então que se criou o mito da fragilidade feminina, onde nos transformamos em “escravas”.

A cultura patriarcal desenvolveu uma sexualidade desfavorável a mulher, tornando-nos símbolos de dependência e constante objeto de dominação, reduzidas ao prazer, ao serviço e a procriação.

Assim, a fragilidade feminina nas relações sociais e de poder, acabou por delimitar o espaço da mulher ao reduto do lar e privatizando-a em relação à vida pública. Espera-se que a mulher seja um reflexo dos contos de fadas, onde a beleza é o maior estigma e o motivo pelo qual era sempre buscada e encontrada pelo príncipe. Além da beleza, a mulher tem que ser portadora de doçura, delicadeza, obediência, recato, honestidade e infinita bondade.

Embora ao longo da história reconheçamos mulheres que conseguiram romper as diferenças e ocupar lugares antes contemplados apenas aos homens, corroborados aos movimentos feministas, não deixamos de ser destaques na mídia por sofrer recorrentes abusos e explorações. Excluindo as diferenças biológicas entre os sexos e seus papéis na procriação da espécie, que sempre existirão, as justificativas para essa devastadora violência se dá pelo eterno constructo da superioridade masculina.

Infelizmente é esta mesma fragilidade, que indica se uma mulher será vitima ou não de uma relação de dependência emocional. A fragilidade social, onde se condiciona a mulher a um reduto sentimental, desprovido de razão, aliada a insegurança e baixa auto estima pessoal, podem provocar uma necessidade constante da aprovação, aceitação e reconhecimento do outro para enfrentar as situações da vida.

Neste contexto de susceptibilidade é onde a propensão à acreditar em palavras românticas emerge dando espaço a submissão feminina.

Como bem dito pelo filósofo Zygmunt Bauman, o amor próprio é hoje caracterizado pelo amor público, ou seja, como o outro o ama e o ampara. Segundo ele, ser digno de amor é algo que só o outro pode nos classificar. O que fazemos é apenas aceitar essa classificação.

Assim, as relações emocionais estão líquidas, onde não temos certeza do que esperar e, quando alguém aparece com uma mísera solução mágica para preencher esse vazio e nos conduzir para uma vida longe das insatisfações reais, a entrega é imediata e intensa.

Pois bem, agora transportados toda essa caracterização às relações modernas, ou seja, as relações virtuais. Vivemos em uma geração onde a  internet faz parte do cotidiano da sociedade, e com isto a transição de um modelo onde a forma de conhecer pessoas era exclusivamente o físico, presencial e real passa ao estabelecimentos de relacionamentos através do espaço virtual.

São inúmeros os benefícios da internet e das relações conduzidas por uma aparelho eletrônico, mas como tudo, os riscos e desvantagens também são inegáveis.

Leia também: Dicas para evitar golpes nos relacionamentos online

Naturalmente, quando gostamos de alguém e encontramos afinidades, isso nos criará uma ilusão, que se intensifica quando este alguém só existe virtualmente. Como não há uma figura que podemos tocar, a mente produz uma imagem idealizada, criando um modelo que satisfaça os nossos desejos internos, assim, as emoções virtuais tendem a ser mais intensas.

Nas relações presenciais, os olhos tendem a enxergar a realidade, apoiados também na linguagem não verbal, inclinando a minimizar a ilusão. Quando os olhos não enxergam a realidade, a mente começa a imaginar e a criar uma figura idealizada que gostaríamos de encontrar. Assim, aos poucos, entramos numa ilusão que vamos criando até chegar em uma intensidade tão grande que pode nos machucar mais do que pensamos.

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Aqui um adendo: as relações presenciais não estão isentas de dependência emocional, bem como as relações virtuais não estão fadadas a desgraça; não podemos olvidar as características e fragilidades sociais e pessoais que elenquei acima.  O que venho mostrar é como a internet pode ser uma arma mantenedora da “fragilidade feminina” e o quanto e como as mulheres são vitimas dessas relações.

Ou seja, a criação da fragilidade feminina está hoje muito refletida nas relações virtuais, por voltar a acreditar no domínio masculino e em seu poder de nos resgatar de um mundo que nos maltrata, fazendo qualquer coisa para conservar esse “conto”  de sensibilidade atribuído a  nossa natureza humana.

O Brasileiras Pelo Mundo (BPM), sendo uma plataforma colaborativa e com colunistas exclusivamente femininas, preza pelo reconhecimento da mulher em sua amplitude e dignidade e assim, promove artigos e canais que informam e auxiliam às brasileiras a deixarem de serem vistas como objeto de desejo e de usufruto do homem.

O BPM tem uma categoria que aborda os relacionamentos virtuais, com relatos pessoais e cuidados preventivos. Não deixem de ler e compartilhar, pois é assim que minoramos a incoerente relação imposta entre a fragilidade feminina à incapacidade intelectual.

Fontes de pesquisa:

  • Bauman, Zygmunt: Amor Líquido – Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos; editora Jorge Zahar; 2003.

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1 comentário

Solon Mota e Silva Março 24, 2018 at 7:49 pm

a MULHER SEMPRE TEVE MUITA IMPORTÂNCIA E SEMPRE FOI DOMINADA PELO HOMEM POR CAUSA DE FRAGILIDADE DO FÍSICO.MAS ELA NÃO É FRÁGIL tanto como pensam muitos pois é mais resistente a situações de dor e doença,pois tem resistência e resiliência para enfrentar duras situações a quais o homem grita.sofre esbraveja mostrando fraqueza.Na época moderna a religião e governos não lhe deram diretos e aí lutaram muito até ter muitos direitos como agora e igualdade etc…mas a igualdade não pode ser absoluta pois a mulher tem o físico mais frágil e precisa proteção e não pode exercer funções de carregar pesos elevados etc….Porém a parte da inteligẽncia deve ter ser a mulher ser reconhecida.Em roma antiga as mulheres exerciam grande influencia ,Homem e mulher se complementam.Mas o que aconteceu de ruim é que outros gêneros apareceram e clamam por direitos e são minorias barulhentas e querem dominar a sociedade.

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