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François Archanjo, percussionista brasileiro na Estônia

François Archanjo, percussionista brasileiro na Estônia.

Para a coluna do Clube do Bolinha desse ano, entrevistamos um percussionista que, ao lado de outros talentosos artistas brasileiros, trabalha para trazer nossa música e cultura para a Estônia. François Archanjo é um reconhecido músico e nos conta um pouco da sua história e projetos que unem dois países tão distantes geograficamente.

BPM – Conte-nos um pouco da sua trajetória: de onde você é, como se iniciou no mundo da música…

François – Eu nasci e cresci no subúrbio do Rio De Janeiro. Comecei a tocar espontaneamente em casa, influenciado pelos meus pais que eram sambistas. Passei pelo projeto social Afro Reggae e através das oficinas de percussão surgiu meu interesse em continuar trabalhando com projetos sociais. Desde então eu venho conciliando minha carreira como músico e professor.

BPM – Como surgiu a oportunidade de ir para a Estônia, e quanto tempo faz que trabalha lá?

François –  Eu recebi um convite pra tocar em um festival de música brasileira na Estônia em 2008. Nos primeiros três meses, fiz vários workshops e apresentações pelo país. Logo após fui convidado a desenvolver um projeto social utilizando a Percussão como ferramenta para atender crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

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BPM –  Como você foi recebido pelo público estoniano?

François – Eu fui bem recebido, mas posso dizer que quando cheguei aqui, não existia a percussão ou outros percussionistas no país. Tudo era muito novo para eles, então demorou alguns anos para o público entender exatamente qual era o trabalho que eu desenvolvia na Estônia. Hoje em dia sou bem adaptado e inserido na cena musical local, e também respeitado pelo meu serviço social com as crianças.

Em 2011, ganhei o prêmio de melhor serviço social do país.

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BPM – Quais projetos você conduz atualmente?

François –  Além de me apresentar em concertos com artistas locais e internacionais, também sou professor em uma escola de música em Tallinn, onde desenvolvemos uma pesquisa sobre ritmos tradicionais brasileiros; ministro workshops sobre Percussão em várias cidades da Estônia e sou presidente e fundador da primeira escola de samba do país, a GRES Macieira de Ouro. Também continuo trabalho com o governo, criando projetos sociais para atender crianças e adolescentes em situação de risco.

BPM – Você acha que a presença da cultura brasileira tem crescido na Estônia, nos últimos anos?

François – Com certeza tem crescido consideravelmente. Quando cheguei, as noites brasileiras oferecidas pela minha colega Denise Fontoura eram o principal evento que acontecia em Tallinn. Hoje em dia já existem grupos de capoeira, artistas estonianos tocando música brasileira e ensinando samba no pé, etc. É fácil encontrar trabalhos artísticos baseados na cultura do Brasil. infelizmente acho que muita coisa se perde nesse processo de adaptação de uma cultura dentro de outra, mas por outro lado esse intercâmbio é o resultado positivo do trabalho de artistas brasileiros que vivem na Estônia.

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BPM – Que conselho gostaria de deixar para quem deseja seguir uma carreira artística fora do Brasil?

François – O Brasil é uma fonte inesgotável de cultura, mas acho necessário saber exatamente que tipo de trabalho artístico será desenvolvido. O mais importante é o resultado do intercâmbio cultural entre os dois países, e claro que com muito respeito a cultura local.

O Brasileiras pelo Mundo agradece a participação e deseja muito sucesso ao artista!

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2 comentários

Edison Eduardo Junho 10, 2018 at 12:05 pm

Sábias palavras do François, foco, intercâmbio e respeito a cultura local.
Parabéns a ele.
Parabéns pela entrevista.

Resposta
Ana Carolina Poli Junho 11, 2018 at 5:30 pm

Muito obrigada!

Resposta

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