Genebra no verão

Lá vem o sol... Outra Genebra surge no verão!

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Outra Genebra surge no verão
Foto: arquivo pessoal
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Genebra no verão.

Se você é meu leitor frequente, deve ter lido a matéria Cinquenta tons de cinza, onde eu falo sobre o estilo fashion soturno que encontrei por aqui.

Se você leu, esqueça tudo por enquanto!

Com a chegada do verão, as cores tomam conta da cidade. Aliás, não só nas roupas, mas em toda parte!

A cidade quadrada e cinzenta apresenta contornos e cores. Flores para todos os lados. E as roupas despertam para as mais variadas e coloridas estampas: bolinhas, florzinhas, xadrez, letrinhas…

Nem parece o mesmo lugar, e eu nem pareço mais a mesma pessoa. Caminho cantarolando feliz da vida pelas ruas: “Lá vem o sol. Tchururu… Lá vem o sol!

Eu, que me sentia acuada em meio ao cinza sombrio, recupero a vida com a cidade. Saio mais, tenho vontade de bater perna e explorar Genebra. Eu me olho no espelho e finalmente me enxergo! Por baixo daqueles casacões sufocantes havia uma personalidade, uma identidade, um estilo.

Sorrio feliz e imprimo um vermelho nos lábios graças a um batom recém comprado em uma das muitas promoções da cidade. O verão traz liquidações também.

Tudo pede cores agora. Vejo por toda parte mocinhas com rímel azul, sombra verde e batom pink. Quem diria, há cor nessa cidade!

Pelas ruas, saias, vestidos e, quem diria, até shorts dão o ar da graça. Havaianas e sandálias tomam os lugares das pesadas botas de neve. Dedinho dos pés à mostra, fim das calosidades e bolhas causadas pelo uso constante dos sapatos fechados.

Eu, que não fazia questão de pôr os pés para fora de casa, começo a achar festivais de música e de comida para ver o que essa cidade tem para mostrar.

O verão não traz apenas cor para Genebra. Traz música, eventos e muitas atividades de rua. Aliás, as ruas, antes desertas, passam a ter pedestres, ciclistas e gente andando de patinete. Onde estavam essas pessoas?

Eu sempre me perguntava, ao ver restaurantes e bistrôs vazios, como os donos faziam para se manter. “Seriam estabelecimentos para lavagem de dinheiro?”, me perguntava em tom de sarcasmo. Mas agora entendi. Esses lugares, que no inverno ficavam às moscas, agora estão simplesmente abarrotado de pessoas. E não só dentro dos estabelecimentos. Mesas e cadeiras tomam as ruas, enchendo de graça e vida cada canto da cidade.

É como um renascimento. Até a população me parece mais simpática nessa época do ano.

Seria a vitamina D entrando em ação?

A culinária fica mais leve, menos carne e gordura, mais peixe e salada.

E as sorveterias? Até então, eu não tinha encontrado “nenhuminha”. De repente, inúmeras delas que, até então mantinham suas portas fechadas, abrem suas portas e espalham suas mesinhas por todo lado. E para uma cidade que parecia que nem ostentava esse tipo de negócio, os sorveteiros estão de parabéns! Não só pela qualidade do sorvete de estilo italiano, cremoso e suave, mas também pela criatividade de seus criadores. Já tomei sorvete de figo, acerola com granola, rosas e até arroz doce!

Oh, minha nossa senhora da dieta, assim não dá!

No inverno, perdemos a linha enchendo a cara de fondue e, no verão, o pecado da gula vem em forma de sorvete! Seja como for, não há como fugir do acúmulo de calorias, mas, ainda assim, é na estação solar que a gente se sente, de fato, mais leve.

É impressionante como no verão a qualidade de vida muda. Nos fins de semana, é possível ver gente de roupa de banho pelas ruas, cantarolando felizes a caminho das “praias” (praias de beira de lago, muito eficientes na imitação), piscinas e parques. Isso sem contar os mais abastados que ainda podem velejar.

Leia também: Verão e as piscinas públicas na Suíça

Genebra no verão
Foto: arquivo pessoal

Algumas dessas praias e piscinas são para uso privado dos moradores de determinados bairros. Outras são completamente públicas. Nas praias também é possível nadar, contanto que você não se incomode de dividir o espaço com patos e cisnes. Eu, na verdade, adoro a companhia deles.

Os estudantes, em férias, tomam conta das ruas com seus sorrisos contagiantes.  Qualquer cantinho da rua vira uma festa. O calor anima e nos conclama a “lagartear” felizes celebrando a vida.

Nos fins de semana, os parques lotam de pessoas querendo pegar um bronze, praticar um topless ou fazer um churrasquinho ao ar livre. Aliás, churrasquinho aqui é algo tão popular, que é possível encontrar churrasqueiras de todos os tipos e tamanhos para vender. Portáteis, elétricas e até descartáveis!

Leia também: O topless e eu

Aos domingos, se você visitar parques ou praias, vai ver um monte de gente queimando uma carninha. As pessoas fazem churrasco até no meio da calçada, na beira do lago, no meio da rua sem a menor cerimônia. Tudo muito democrático e informal.

A sisudez Suíça dá uma trégua. Algo de boho está no ar e eu finalmente começo a me apaixonar…

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Fabi é uma mulher de fibra, que carrega no coração o mundo inteiro. Jornalista e bailarina, tem mestrado em Educação, Arte e História da Cultura e é doutoranda em Antropologia, mas nem liga para esses títulos porque o que ela gosta mesmo é de estar no meio da moçada, promovendo Direitos Humanos e empoderamento popular. Atua com educomunicação e juventude desde que se entende por gente, e ganhou em 2015 o título de mulher inspiradora pelo coletivo feminista "Think Olga" que nomeia os destaques femininos em suas áreas de atuação. Fabi é consultora em comunicação e mobilização social e ja trabalhou para diversas agências das Nações Unidas, além do CDC de Atlanta, além de diversas ONGs e Fundos. Escreve para esse blog desde 2013. Ela tem rodinhas nos pés e asas nas costas. Talvez por isso alguns a chamem de fada. Não tentem descobrir de onde ela é, porque ela pertence a muitos lugares e ao mesmo tempo a nenhum. Essa aquariana de riso farto, tira leite de pedra por onde quer que vá. Saiu do Brasil para morar na Indonésia em pleno pós Tsunami sem falar nenhuma palavra de inglês, se virou bem e daí pras Filipinas e Vietnã. Fez uma pausa no Brasil e agora está na Suíça. Por quanto tempo? Não se sabe. Ela segue à risca o conselho de Frida Kahlo que diz: Onde não puderes amar, não te demores...

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