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Gravidez e parto na Itália

Imagino que ser mãe na Itália é igual a ser mãe em qualquer outro lugar. Porém, como cada canto do mundo tem suas peculiaridades vou contar um pouco da minha experiência.Vou falar sobre a minha gravidez e parto na Itália.

Logo no começo, devido a boa qualidade do atendimento, resolvi fazer todo o pré-natal e o parto no sistema público de saúde italiano. Também optei por isso porque assim eu teria a possibilidade de ser atendida em um dos melhores hospitais infantis da Europa. Contudo, sistema público é sistema público. Isto é: você é apenas mais uma no meio da multidão; os agendamentos precisam acontecer com muita antecedência; a agenda do médico sempre se prevalecesse sob a tua; você não tem acesso aos telefones particulares do médico – para qualquer necessidade ou urgência o seu contato é aquele geral; e, mesmo fazendo todo o atendimento pré-natal com o médico e/ou obstetra, na hora H, sendo parto natural, te atenderão aqueles que estão de plantão – que pode ou não serem os mesmos que te acompanharam durante a sua dolce attesa.

Na Itália quando uma mulher está grávida se diz que ela está na dolce attesa (doce espera).

Foi por ter algumas dúvidas e não ter uma relação próxima com a médica e a obstetra que me acompanhavam que resolvi contar com o conhecimento e a ajuda de uma doula. O que para mim foi perfeito e me deu toda a tranquilidade para seguir com a minha gravidez serenamente. Com ela sim eu podia contar 24 horas por dia nos sete dias da semana.

Do meio para o final da gravidez, mais ou menos quando completei os 7 meses, eu e o meu marido participamos de dois cursos pré-natais oferecidos pelas duas principais redes italianas especializadas em produtos infantis. Apesar dos cursos serem oferecidos pelas lojas, eles não eram exclusivamente focados em vendas – claro que, aqui e ali, eles falaram e fizeram merchan dos produtos que ofereciam, mas em ambos recebemos muitas informações e dicas boas. Pela minha experiência vale a pena participar. Só tome cuidado para não cair na paranoia das listas – onde tentam te entuchar uma enormidade de produtos que o seu filho nunca vai usar ou realmente precisar. Foi somente no final do oitavo mês que pude frequentar o curso pré-natal oferecido pelo meu hospital. Neste caso o curso foi estruturado em alguns poucos encontros, alguns com o pessoal do próprio estabelecimento outros com alguns especialistas. O formato é mais de bate-papo do que aulinha. São grupos enormes de mães que obtém a possibilidade de conversar e tirar todas as dúvidas referentes, principalmente, ao parto. O legal é que no último encontro, nós fizemos um tour pelas salas onde aconteceriam o trabalho e o parto, fosse ele natural ou cesárea. Além disso foi bacana porque acabei fazendo amizade com as outras mães que igualmente teriam neném ali, na mesma época que eu.

Quando a minha filha nasceu eu já conhecia várias mães que estavam na maternidade. O que deixou um clima gostoso de comemoração e suporte recíproco.

Saindo desse ambiente hospitalar e se colocando no meio da sociedade, no dia a dia, é muito gostosa a atmosfera que se cria entorno das mulheres grávidas. A Itália tem um índice de natalidade muito baixo. Segundo dados do Eurostat, o Instituto Europeu de Estatísticas, são 8 nascimentos a cada mil habitantes no país, sendo que a média no bloco é de dez para cada milhar de pessoas.” Por isso as pessoas adoram e ficam muito contentes aos verem uma mulher grávida. Até parece que você sai da tua “invisibilidade rotineira” e passa a ser o centro da atenção e dos cuidados da população. Todos, ou quase todos, te saúdam, te ajudam, te dão a preferência em qualquer lugar que você vá ou passe. Pelo menos foi isso que eu vivi em Gênova. Assim que a minha barriguinha começou a aparecer era praticamente impossível passar despercebida em algum lugar. Ao menos um auguri, que quer dizer felicidades, tudo de bom, eu ouvia pelo meu caminho. Os velhinhos então, adoravam me abordar para dizer que tinham acabado de ganhar um neto ou que estavam esperando pelo bisneto, ou que seus filhos fizeram isso ou aquilo quando nasceram. E quando eu estava sem pressa ou não tinha como me desvencilhar, podia até me sentar que lá vinha muito história para escutar.

E não é só a população que se alegra ao ver uma grávida. O governo também, pois em 2015, o país registrou apenas 487,8 mil nascimentos, o menor número da história. Além disso, o total de habitantes sofreu uma queda de 139 mil pessoas, chegando a 60,65 milhões”. Para enfrentar essa queda na taxa de natalidade o governo italiano oferece alguns benefícios para famílias de baixa renda que decidem ter um filho, chamado “bônus bebê”. Mas… isso é assunto para outro texto.

“País com menor taxa de natalidade da União Europeia, a Itália registrou 60.579 habitantes até 1 de janeiro de 2017, cerca de 86 mil pessoas a menos em relação ao ano anterior. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (Istat) e confirmam a tendência de redução populacional no país.”

Por fim, tive a sorte de conseguir fazer um parto normal e de conseguir realizar quase tudo o que queria e desejava no meu plano de parto: cortar o cordão umbilical só quando ele parasse de pulsar e fazer o “pele a pele” – deixando a minha filha um tempo mamando assim que nascesse, antes mesmo de afastarem ela de mim. Logo em seguida meu marido acompanhou de pertinho todos os exames, controles e quando a limpavam… Tudo isso, pelo que eu tinha lido, estudado, e conversado com a minha doula, eram coisas muito importantes para o seu desenvolvimento. É por isso que sempre digo que foi tudo ótimo e que mesmo não tendo todas as vantagens dos atendimentos particulares eu não me arrependo da escolha que fiz.

“Con l’augurio di assaporare ogni attimo del loro essere genitori. Perché essere padre, essere madre è davvero qualcosa di… immenso.”

Na esperança de saborear cada momento das suas condições de genitores. Porque ser pai, ser mãe é realmente algo… imenso.

***

Citações e Fontes:Cozza, Giorgia. Bebè a costo zero. Edizioni Il leone verdi, 2016 | Itália tem menor índice de natalidade da União Europeia | Governo paga até 160 euros por mês para cada filho nascido ou adotado, até que a criança complete três anos

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10 comentários

jessica Fevereiro 5, 2018 at 4:42 am

Oi Farah, tudo bom
Primeiramente queria parabenizá-la pela bb e desejo que Deus a abençoe!! 🙂 tenho parentes italianos, mas ainda não tenho a cidadania italiana e gostaria de saber como ficou a questão da documentação toda da criança e se ela e vc ganharam cidadania ou benefícios italianos. Aguardarei sua resposta pelo e-mail (quando vc tiver tempo para isso, é claro). Muito obrigada pela atenção e tudo de bom para sua família!! ps: amei o fato do parto de ter sido normal e com doula, pois eu gostaria que o meu parto seja assim tbm! <3

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Farah Serra Fevereiro 5, 2018 at 11:00 pm

Olá Jessica,
Tudo bem e com você? Muito obrigada pelas felicitações, desejo tudo de muito bom para você e o teu bebê também.
Bem, o teu filho só terá a cidadania italiana depois que sair a tua. O fato de nascer aqui na Itália não dá direito a cidadania, escrevi sobre isso no texto que será publicado este mês no Brasileirinhos Pelo Mundo. Fique de olho lá.
Quanto aos benefícios o governo italiano dá alguns, porém poucos, e depende muito da renda anual total da tua família. Procure pelo INPS que lá você acha algo sobre isso.
Muitas felicidades para vocês, e que o teu parto seja tão bom quanto foi o meu 🙂

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Francieli Março 4, 2018 at 2:02 am

Amei seu texto to nessa luta de busca de informacoes e empoderamento em relacao ao parto…
Tive meu primeiro filho ai na italia, mas mae de primeira viagem acho q sofri um pouco….. minha segunda bebe nasceu no brasil e foi quase perfeito so faltou a doula….. agora tive um presente surpresa do tercerinho e ele nascera na italia entao ê bom saber q existe plano de parto etc….em 2011 nao tive nada disso.

Parabens pela filhota e pelo blog.

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Farah Serra Março 7, 2018 at 11:01 am

Que legal Francieli! E que alegria esse seu presente surpresa. 🙂 Espero que dê tudo certo com a gravidez e com o parto de vocês. E se puder, conte com uma doula, tenho certeza que você não se arrependerá! 😉 Auguri!!!

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Janaina Maio 26, 2018 at 2:21 pm

Olá Farah gostei muito da sua história queria saber minha sogra mora aí na Itália eu moro no Brasil queria muito ir para Itália mas tou gravida não sei como fazer eu e minha sogra não temos nenhuma informação queria saber se você poderia me dar algumas dicas de como eu faço para ir pra Itália já estando grávida obrigada parabéns pela sua bebê 😘

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Farah Serra Maio 30, 2018 at 9:29 pm

Olá Janaina! Obrigada e parabéns pelo bebê!! Não entendi bem que tipo de ajuda você quer. Geralmente, no primeiro e segundo trimestres de gestação (até 27 semanas) você pode viajar normalmente. Isto é, não tem problema em viajar de avião desde que você esteja fazendo o pré-natal direitinho e que não tenha tido nenhuma complicação médica. Caso tenha tido algo é melhor consultar o teu médico e ver se ele autoriza uma viagem assim tão longa. No mais, não sei muito o que dizer. Quer me detalhar melhor as tuas dúvidas? Assim posso ver como consigo te auxiliar… 🙂

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Carol Junho 6, 2018 at 9:39 pm

Oi Farah, tudo bem? Meu marido acabou de pegar a cidadania italiana dele, e estamos considerando mudar para a Europa para podermos fazer um processo de fertilização in vitro. Estou tentando engravidar a 6 anos, e aqui no Brasil o processo é muito caro. Tenho uma amiga que esta tratando em Paris e tem toda a assistência pelo governo. Ainda estou pesquisando como funciona na Italia e gostaria de saber se você tem alguma informação para me passar, ou se conhece alguem que ja tenha feito fertilização ai na Italia. Obrigada! =)

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Farah Serra Junho 7, 2018 at 7:31 am

Oi Carol, comigo tudo bem, obrigada. Espero que com você também. 🙂 Poxa, infelizmente ficarei te devendo essa, não sei nada sobre fertilização in vitro por aqui e também desconheço alguém que tenha feito. Porém em Gênova tem dois grandes hospitais que talvez possam te ajudar com isso. São eles: Ospedali Galliera – talvez o mais indicado; Istituto Giannina Gaslini. Boa sorte!

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Tania Julho 16, 2018 at 9:21 pm

Oi Farah, tudo bem?
Qual a média de uma doula ai?
Meu marido vai tirar a cidadania e estou pensando em ter meu bebê ai. Esse acesso à saúde pública também ficaria disponível para mim se ele me der o permesso di soggiorno? É gratuita?

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Farah Serra Julho 23, 2018 at 8:37 am

Oi Tania, nao sei te dizer a media, mas a minha doula cobra 60 Euros por encontro (que dura em media 90 minutos) este preco vai diminuindo se voce fecha pacotes de varias horas com ela. Todo cidadao tem direito ao atendimento no sistema publico de saude na Italia, seja ele italiano ou nao. O seu tipo de permesso que dira se voce devera pagar por algo ou nao. Este pagar, normalmente, sao taxas simbolicas por exames ou mesmo para se cadastrar no sistema. Qualquer duvida e so falar. Boa sorte e auguri, parabens, pelo bebe!

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