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Guto Souza – Chef brasileiro na Índia

Guto Souza – Chef brasileiro na Índia.

A edição especial Clube do Bolinha deste mês traz a história de Guto Souza, um brasileiro que vem ganhando espaço na Índia como chef do “Boteco” __ restaurante de sua propriedade que oferece a seus clientes pratos da culinária brasileira com toques de sofisticação em ambiente charmoso com imagens que remetem ao Brasil __ que já conta com dois endereços no país, primeiramente em Pune e depois em Mumbai.

O trabalho de Guto vem sendo reconhecido gradualmente, pois neste ano o “Boteco” recebeu o prêmio “Best New Restaurant in Mumbai”, concedido pelo Restaurant Awards.

Natural de Juíz de Fora – MG, Guto Souza é casado com a holandesa Neel Souza, pai de Melissa e de Kiki e de Gabriel, que também é chef de cozinha na Nova Zelândia.

A trajetória gastronômica de Guto como chef é composta por roteiros distintos em nível mundial. Após ter trabalhado por três anos no Rio de Janeiro, seu último restaurante no Brasil foi o Atelier Bistrô, em Juiz de Fora. Em 2002, mudou-se para Lisboa, em Portugal, onde trabalhou por dois anos no Restaurante Sul. Em seguida, foi para Bruges, na Bélgica, e lá abriu um restaurante denominado de Tante KIKI e anos depois, inaugurou o La Cacerola, em Amsterdã, na Holanda.

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Os desafios do chef na Índia

Em 2004, Guto chegou à Índia com sua família e se instalou Majorda, ao sul de Goa, para aprender a culinária local e, em 2005, inaugurou o Fusion, um restaurante estilo steak house que se tornou muito popular. Depois de alguns anos, em 2013, abriu em Baga o Go with the flow que, além da culinária brasileira, servia também outros tipos de pratos. Apesar de não pertencer mais a Guto, o Go with the flow está aberto até hoje.

Em 2015, o Guto conheceu seu sócio __ executivo da Coca-Cola que residia nos Estados Unidos e que, por ser responsável pelo mercado brasileiro, ia muito ao Brasil a trabalho e se apaixonou pela culinária local __ que queria iniciar um restaurante brasileiro no país, inaugurando em Pune, sua terra natal.

Quando meu sócio me apresentou o projeto, percebi que era o momento oportuno para eu investir na Índia, onde já estou instalado há algum tempo e familiarizado com os costumes regionais. Também pesou na minha decisão de investir no projeto o fato de o mercado indiano ter aberto as portas para o mundo há uns 5 anos, pois a Índia está se desenvolvendo gradualmente e possui a terceira maior economia da Ásia”, relatou Guto.

Tomada a decisão do investir nesse projeto, por mais incrível que possa parecer, uma grande dificuldade de Guto foi burocracia imposta no país para abrir o restaurante, tanto por desconhecer muitas leis e regras para o sucesso do investimento num país estrangeiro, como também pelo fato de a Índia ser um país extremamente burocrático, com organizações muito diferentes das que operam no Brasil. “Hoje, posso afirmar que é difícil e demorado conseguir um visto profissional, mesmo quando se tem um bom projeto e a documentação necessária. De toda forma, esse processo faz parte de um jogo de paciência, virtude que adquiri com minha longa experiência nos diversos países em que morei e nas diferentes culturas que conheci”, relembra Guto.

Resolvidos esses detalhes, Guto e o sócio se tornaram parceiros de negócios e, em 2016, abriram o primeiro Boteco, além de uma segunda versão menor do restaurante em Pune, servindo lanches e grelhados. As pessoas realmente gostaram do que eles estavam fazendo em Pune e, então, eles decidiram abrir uma filial do Boteco em Mumbai, maior centro econômico e culinário da Índia e a cidade mais populosa do país.

Raízes brasileiras

À frente do Boteco, Guto representa o Brasil num país com cultura e hábitos completamente diferentes. Sobre esse aspecto, o chef relata que, apesar da abertura e da transformação que a Índia vem vivendo nessa última década, às vezes não é fácil administrar tantas restrições alimentares decorrentes de feriados religiosos, pois tais preceitos influenciam intensamente os hábitos cotidianos da população, especialmente no tocante ao cardápio, pois nessas ocasiões, via de regra, são permitidos exclusivamente pratos vegetarianos.

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Em contrapartida, há pessoas que não seguem à risca as tradições religiosas, e há um expressivo número de estrangeiros, composta por brasileiros, japoneses, coreanos e pessoas de diversos países da Europa. São esses fatores que contribuem para equilibrar o movimento do restaurante nessas épocas distintas. Com uma percepção cautelosa e de quem cozinha por muito tempo nos diferentes cantos do mundo, Guto afirma que “os indianos têm muita curiosidade sobre as diferentes cozinhas, acrescido da fama de que nossa culinária é uma das melhores do mundo.” É claro que isso contribui muito para o bom êxito dos negócios.

Guto relata com orgulho e emoção que adora representar o seu país e poder mostrar ao mundo um pouco da nossa cultura e, especialmente, a nossa gastronomia, pois isso o mantém conectado com o Brasil. Segundo ele, “é gratificante para qualquer pessoa reconhecer, mesmo em territórios distantes, os pontos positivos da sua cultura, da sua história e das suas origens, Especialmente num momento em que o Brasil vivencia um período tão turbulento, mesmo tão distante, é possível mostrar ao mundo a riqueza e o requinte da culinária brasileira, compartilhando com pessoas de tantos lugares o delicioso sabor da nossa terra”.

Com toda a energia que o acompanha desde o início de sua carreira, Guto aposta nos planos e nos projetos da sociedade mundo afora. No momento, ele e seu sócio estão investindo no seu mais novo empreendimento, o Boteco Snacks, em Amsterdã, que tem inauguração marcada para julho deste ano e, se tiverem êxito, planejam abrir outras lojas do mesmo estilo em mais alguns países da Europa.

“Eu acredito que tudo que é bem feito, traz bons resultados. A lição mais importante que aprendi nesta jornada é acreditar nos meus sonhos e nunca me deixar levar por pessoas negativas. A receita do sucesso consiste em lutar pelos meus projetos e fazer sempre o meu melhor.” Simples assim!

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1 comentário

Ana Carolina Poli Junho 6, 2018 at 3:12 am

Eu também sou chef, trabalhando na Estônia. Esse tipo de relato transmite muita inspiração e esperança! Felicidades a Guto e muito sucesso, quando estiver em alguma dessas cidades certamente procurarei visitar seus restaurantes. Abraço!

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