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A Primavera e a febre do feno na Holanda

Todos os anos é a mesma coisa: aguardo ansiosa a chegada da primavera, minha estação preferida aqui na Holanda. Tudo parece ganhar vida nova, depois de meses de frio e árvores retorcidas e desfolhadas. Porém, nem tudo é perfeito e, junto com ela, chega um inconveniente que os alérgicos notam de cara: a rinite ou, mais especificamente, a “febre do feno”. Você já ouviu falar dela?

alergiasalergiasA febre do feno (ou polinose ou alergia ao pólen) é basicamente uma inflamação da cavidade nasal causada por uma reação do organismo a partículas alérgenas do ar. Indivíduos sensíveis a essas partículas costumam desenvolver alguns sintomas muito parecidos aos de uma gripe comum.

No Brasil, costumamos nos referir a essa condição simplesmente como rinite alérgica, mas aqui na Holanda, o nome mais específico é amplamente usado, afinal, uma rinite alérgica pode ser desencadeada por vários agentes alérgenos, enquanto a febre do feno é causada  por elementos do chamado “mundo verde”.

No meu caso, a condição se agrava quando saio para caminhar ou correr pelos lindos parques e bosques da minha cidade. Normalmente, lido com a mesma sequência: dificuldades para respirar e coriza durante a atividade física e, quando chego em casa, espirros intermináveis, acompanhados de dores de cabeça ao longo do dia. Uma situação bem desconfortável e que nada combina com a alegria de curtir a natureza.

Febre do feno_4

Demorei um pouco para perceber que o que eu tinha se tratava de uma alergia. A princípio, pensava ser uma reação ao vento (constante na Holanda) e ao frio, já que mesmo na primavera é possível ter temperaturas abaixo de 15 graus Celsius num dia de sol. Ficava com aquele pensamento bem antigo e nosso de que “era friagem”.

Aos poucos, fui notando que a população não sofria do mesmo mal e passei a refletir sobre o que poderia ser a causa do meu problema. Acabei por pesquisar o assunto e descobri muitas coisas interessantes.

A primeira delas foi associar que a coceira e a vermelhidão em meus olhos não eram comuns em ocasiões em que eu ficava resfriada ou gripada, mas que eram constantes após as corridas. Além disso,  o nariz, a garganta e o céu da boca também coçavam, o que me fez perceber que se tratava, de fato, de uma alergia.

Daí a pesquisar alternativas para diminuir o desconforto foi um pulo. A primeira decisão foi evitar ao máximo o uso de medicamentos, pois mesmo os que não têm venda proibida, acabam trazendo algum efeito colateral ou dependência. Além disso, eles aliviam os sintomas, mas não garantem a cura, que praticamente não existe para este tipo específico de alergia.

Resolvi, então, compilar uma lista de dicas que agora vou compartilhar com você:

Evite correr ou praticar atividades ao ar livre em dias muito secos e ventosos, pois o pólen é disseminado mais facilmente nessas condições. Períodos de chuva ou pós-chuva são perfeitos.

Assim que chegar em casa após um passeio ao ar livre, coloque para lavar as roupas usadas e tome um banho para tirar o pólen dos cabelos e da pele.

Por fim, procure não estender as roupas em varais externos, para evitar que o pólen se acumule sobre elas.

Além desses cuidados, alguns truques na dieta também podem ajudar:

O chá de camomila é um ótimo aliado para amenizar as inflamações nasais. Alimentos como cebola, alho, verduras com folhas verdes-escuras, beterraba, cenoura e batata-doce são muito bons para quem sofre de rinites alérgicas.

O uso de algumas vitaminas também pode auxiliar no combate à febre do feno. A vitamina C, por exemplo, possui um efeito antioxidante nas células das vias respiratórias. A vitamina B5 é um descongestionante nasal e os ácidos graxos Ômega 3 , que são encontrados na gordura dos peixes,  diminuem a inflamação na garganta.

É claro que todas essas dicas são pequenos paliativos diante de um quadro, muita vezes, mais severo. Neste caso, a visita a um médico é indispensável. Só ele será capaz de investigar mais a fundo a extensão do problema e analisar a melhor medida para solucioná-lo.

E aí entra um novo fator: uma ida ao médico, muitas vezes gera angústia, pois a comunicação pode ficar falha. Isso pode ocorrer, principalmente, se ambos falam uma língua que não lhes pertence. É o que acontece com frequência aqui na Holanda, por exemplo. Um número enorme de estrangeiros prefere tratar de assuntos mais sérios em inglês (pois o holandês é mais difícil). Os médicos costumam falar o idioma com fluência, porém não deixa de ser um desafio a mais.

Daí a importância de saber, de antemão, quais são os medicamentos que podem ser usados para aliviar os sintomas. Assim, se o médico prescrevê-los, você saberá o que está sendo administrado. Veja, não estou sugerindo a auto-medicação, de forma alguma. Estou apenas apresentando as substâncias para que você possa relacioná-las com as existentes no Brasil.

Febre do feno_3

O mais comum é que o profissional sugira o uso de soro fisiológico para lavar as narinas e, talvez, um descongestionante nasal para reduzir o desconforto de entupimentos. Se necessário, ele poderá receitar um anti-histamínico, mais conhecido como antialérgico, cuja função é tratar reações alérgicas. Um dos mais usados é a Loratadina (Loratadine, em inglês e holandês), que é o princípio ativo do Clartitin e do Desalex.

Há, também, a possibilidade de ele sugerir a Fexofenadina (conhecida comercialmente por Allegra, Allexofedrina ou Altiva) ou a Certirizina (Zyrtec ou Hexal). São muitas as possibilidades que exigem acompanhamento de um profissional. É importante que você saiba como está sendo tratado(a) e com o quê. Ninguém é obrigado a ter conhecimento médico, mas todos têm o direito de saber o que ingerem. E para concluir a nossa aulinha de vocabulário básico do alérgico, é bom que se saiba que o nome da febre do feno, em inglês, é Hay Fever e, em holandês, é Hooikoorts.

Eu realmente desejo que a primavera traga para a sua vida somente as cores fascinantes e os aromas deliciosos, típicos dessa época do ano. Porém, se ela lhe trouxer, também,  essa encomenda de espirros, tosse e coceiras, você pelo menos já estará munido(a) de conhecimento para driblar o lado não tão colorido da estação. Saúde!

Febre do feno_1

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7 comentários

elisa Abril 11, 2016 at 7:58 pm

A febre do feno, infelizmente, não é restrita à Holanda. Moro no Canadá e já estamos sofrendo muito!
Outra dica que posso acrescentar a sua lista é: baixar algum aplicativo de clima (aqui no Canadá temos o weather network)
Esses aplicativos geralmente medem a quantidade de pólen no ar diariamente… E com essa informação, é possível evitar atividades ao ar livre nos dias de “alerta vermelho” para o pólen.

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Regina Oki Abril 14, 2016 at 9:16 am

Oi, Elisa! Muito obrigada por sua leitura e participação. Nossa, que legal! Eu uso aplicativos de clima todos os dias, mas nunca tinha visto índice de quantidade de pólen no ar. Depois que li seu comentário, fui verificar se estava disponível no meu (e se. por acaso, eu nunca havia reparado!), mas não havia a opção. Achei sua dica bárbara e conversarei com a edição do BPM para inclui-la no corpo do texto. Um grande abraço!

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Francisco Nobre Abril 12, 2016 at 11:48 am

Oi Regina. Não sei se o preço dessa terapia é proibitivo aí na Holanda, mas, no Brasil, minha esposa fez uma terapia com vacinas que a ajudou a resolver pelo menos 80% de suas crises alérgicas (que muitas vezes a deixava sem folego, como se estivesse com crise de asma, o que ela não tem). Falo do preço, pois a terapia requer aplicações, no mínimo, quinzenais, muitas vezes semanais, e pode durar mais de um ano (no caso de minha esposa, ela toma vacinas quinzenais há mais de 2 anos). No Brasil, o convenio médico paga quase tudo, não sei por aí. Há pessoas que praticamente se curam do problema. Depende da reação de cada organismo. Deve-se procurar um médico alergologista que prescreverá os exames e os reagentes na vacina.

Resposta
Regina Oki Abril 14, 2016 at 9:12 am

Oi, Francisco!Primeiramente, muito obrigada pela leitura e participação. Agradeço, imensamente, as dicas. Eu sou meio desligada e acabo esperando que o problema se resolva sozinho… rs…vou tentando driblar os sintomas, mas as vacinas devem ser excelentes para quem tem crises alérgicas mais frequentes (ou mais intensas). Eu nunca procurei vacina, mas sei que o tratamento está disponível por aqui. Vou tentar saber mais detalhes. Um grande abraço!

Resposta
Anna Santos Abril 5, 2018 at 3:19 am

Oi Regina, tudo bom? Estou desesperada procurando soro fosiologico e nao encontrei para comprar. Como vc encontrei na Holanda? Como pedir na farmacia? Meu bebe costumava utilizar para limpar o nariz e ainda nao encontrei por aqui. Ja pedi na farmacia e eles insistem em vender frasquinhos de descongestionante dizendo ser a mesma coisa. Ele é muito jovem pra ficar usando descongestionante todos os dias, que é so o que encontrei aqui. Poderia me ajudar, por favor? Muito obrigada. Abracos

Resposta
Liliane Oliveira Abril 5, 2018 at 11:59 pm

Olá Anna,
A Regina Oki parou de colaborar conosco, mas temos outras colunistas na Holanda que talvez possam te ajudar.
Você pode entrar em contato com elas deixando um comentário em um dos textos publicados mais recentemente no site.
Obrigada,
Edição BPM

Resposta
Lukido Março 2, 2019 at 5:32 pm

Nossa… eu sofro c isso… moro no Japão e neste momento estou em crise alérgica de pólens que só a graça de Deus… mas o mais triste é que sou alérgica à todo e qq anti-inflamatório, o que por aqui se torna mais difícil o meu tratamento c qq médico. Amo este país mas esta época do ano é terrível.

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