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Turismo e transporte público na Holanda

Fazer turismo na Europa é o sonho de muitos brasileiros, mas pode se tornar um pesadelo  na hora em que chega a fatura do cartão de crédito. A diferença entre as moedas faz com que simples gastos de um dia, como um cafezinho ou mesmo uma passagem de ônibus, tornem-se um uma parte considerável das despesas, quando somados no final da viagem.

Só para fazer uma comparação, no dia em que escrevo este texto, cada Euro gasto equivale a R$3,96. Para facilitar, usarei a proporção de 1 euro para cada 4 reais. Em resumo: uma simples passagem de ônibus custará, na prática R$14,00 e um cafezinho básico, R$10,00. Pode não parecer tanto ao pagar isoladamente, mas certamente encarece a viagem como um todo.

Muitas cidades europeias disponibilizam um cartão que pode ser usado, ilimitadamente, pelo período de  24, 48 ou até 72 horas. É uma maneira prática de prever o total dos gastos, já que muitas vezes, o valor diário é pouco mais do que o equivalente a duas passagens. Em Londres, por exemplo, é possível adquirir um Oyster card, fazer recarga e ao final da viagem, devolvê-lo e pegar o valor do depósito de volta. Infelizmente, não é o caso de Amsterdã ou qualquer outra cidade holandesa.

Porém, isso não quer dizer que não seja possível economizar. O turista que vem passar alguns dias e que quer visitar várias cidades da Holanda, pode adquirir passagens mais baratas de trem, comprando bilhetes promocionais on-line, por exemplo. O site www.ns.nl,do sistema ferroviário, oferece várias sugestões de passeios e deslocamentos com um custo muito inferior aos trechos entre as cidades.

Além disso, algumas lojas grandes holandesas, como Blokker, Kruidvat e Hema, oferecem tíquetes que podem ser usados ilimitadamente no mesmo dia. Uma vez validado o bilhete, você pode entrar e sair de trens o dia todo, sem precisar pagar de novo. Normalmente, eles podem ser encontrados por um valor inferior a €18,00, o que é uma pechincha, se você considerar que alguns trechos entre cidades holandesas podem custar cerca de €27,00.

Outra forma de economizar é comprar (nas estações de trens) um OV-chipkaart anônimo. Este cartão não precisa de identificação nem endereço fixo na Holanda para ser adquirido. Ele é comprado diretamente em um terminal de autoatendimento pelo valor de €7,00. Depois disso, você pode recarregá-lo sempre que precisar e ele vale não só para os trens, mas para ônibus, metrôs e trams (aqueles bondes que circulam pelas principais cidades).

 

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Para o uso em trens e metrôs, ele não tem nenhuma vantagem, pois o valor pago entre os trechos é o regular. Porém, ele é uma grande vantagem para uso em ônibus e trams, já que permite pagar o valor fracionado. A única desvantagem do cartão: ao final da viagem, você não pode devolvê-lo e ter o valor restituído.

Para quem não está familiarizado com o sistema de transporte holandês, ele funciona da seguinte forma: quando você entra em um tram ou ônibus, deve encostar o cartão na máquina para fazer o check-in. Depois, ao desembarcar, deve encostar o cartão novamente para fazer o check-out. Assim, será cobrado apenas o valor correspondente ao trecho que você percorreu. Caso você esqueça de fazê-lo, será debitado o valor total entre os dois trechos.

Bem, pode ser que sua estadia não seja longa o suficiente para adquirir o OV-chipkaart. Neste caso, há a opção de utilizar o dagkaart, um cartão válido por um dia, com o preço único de €6,50. Se você usá-lo uma única vez (ida e volta), já está no lucro. Esse cartão pode ser adquirido com o condutor ou nos centros de informações turísticas (VVV).

Há também a opção de pagar €3,50 por um uurkaart (válido por uma hora) e usar ilimitadamente o cartão no curto período. Particularmente, acho esta escolha a menos vantajosa de todas, mas é uma possibilidade para quem quer conferir algum ponto turístico e seguir adiante para o próximo.

Para quem está em Amsterdã, uma boa pedida pode ser o hop-on hop-off aquático. Como meio de transporte, ele é uma alternativa cara, uma vez o valor diário pode ficar em torno de €19,00. Contudo, se você se programar bem,  pode valer-se do recurso para fazer um passeio entre os canais da cidade e, ao mesmo tempo, deslocar-se para os pontos de interesse que serão percorridos naquele dia. Neste caso, o Canal Bus acabará cumprindo duas funções e você curtirá o passeio, que é um dos que não podem deixar de ser feitos na capital holandesa.

E claro, para os mais aventureiros, sempre será possível alugar uma bicicleta. Em todas as estações de trem centrais, das grandes cidades, o serviço está disponível. Mesmo que você esteja de passagem pela Holanda, é possível utilizar o sistema, que é muito simples.

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Você pode ligar para uma central telefônica única que funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana e fazer uma reserva pelo número 030-2300023. Caso você opte por fazer a reserva antes de chegar ao país, o número sofre uma modificação: +31 30 2300023.

Bem, pode acontecer de você não ter a chance de fazer a reserva antecipada, ou mesmo, que se decida, de última hora, pelo serviço. Neste caso, pode alugar diretamente em uma das estações de trem (são mais de 250 postos de aluguel de bicicletas espalhados pelo país). Para isso, você deve portar um cartão de identificação válido (passaporte, identidade etc). Não há garantia de que haverá uma bicicleta disponível no momento, mas não custa tentar.

Duas dicas importantes com relação ao transporte na Holanda. A primeira refere-se ao uso dos cartões nos diferentes meios: certifique-se sempre de que passou seu cartão nas máquinas apropriadas. Em algumas plataformas das estações de trem, há pequenos postes com leitor para entrada e saída, começo e término do percurso. Nos ônibus e trams, também há dispositivos para isso em todas as portas. A fiscalização é constante e os fiscais, implacáveis. O esquecimento gera multa na certa. O valor da “passagem”, neste caso, pode passar dos 60 Euros…

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A outra, não menos importante, é com relação às bicicletas. Mesmo a Holanda sendo um país muito seguro, em que casos de assalto com violência são praticamente inexistentes, o roubo de bicicletas não é incomum. Bicicletas deixadas sem tranca ou cadeado, muito provavelmente não estarão no local quando você voltar, especialmente, nos grandes centros. Assim, se você for alugar ou tomar emprestada uma bicicleta, certifique-se de que haverá como se precaver de aborrecimentos.

E por fim, a melhor maneira de conhecer uma cidade, na minha opinião, é percorrendo suas ruas e bairros a pé. A caminhada é o meio de transporte mais saudável, barato e capaz de proporcionar descobertas e experiências fantásticas. A Holanda é um país com uma acessibilidade extraordinária, então, por que não valer-se deste recurso democrático e ainda economizar um bom dinheiro?

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4 comentários

Ingrid Gomes Junho 13, 2016 at 9:43 am

Em Amsterdam por exemplo é possivel comprar cartões com válidade de no minimo 24 horas, já aqui em Den Haag nós temos os 3 dagkaart válido por 3 dias, que custa 16,50.
Acho que também vale lembrar que crianças acima de 4 anos pagam transporte público, e para crianças de 4 a 11 anos é possivel comprar tickets do dia com valor menor doque o valor para adultos. Esses tickets normalmente não são vendidos nos trams e sim nos guichês de vendas nas estações. =)

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Regina Oki Junho 13, 2016 at 9:47 am

Oi, Ingrid! Muito obrigada pela leitura e por contribuir com informações valiosas. Grande abraço!

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Elias Junho 13, 2016 at 7:45 pm

Olá Regina! Muito obrigado pelo post! Agora, quando visitar a Holanda, não vou passar por apuros, rsrs. E ainda conseguir economizar com o transporte público. Que dicas valiosas! Mas o medo de gastar em Euros ainda permanece, pois se colocar na ponta do lápis, quase tudo é mais caro que no Brasil, se comparar com o valor convertido em Real. Nessas horas que eu penso o quanto o brasileiro ganha pouco (de salário) em comparação com a maioria dos países europeus. O jeito é fazer um bom “pé de meia” e planejar bastante, para fazer uma viagem tranquila. 🙂

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Regina Oki Junho 15, 2016 at 7:04 am

Oi, Elias! Fico feliz que tenha gostado, afinal, foi você quem me deu a dica… 🙂 Pode me mandar ideias sempre que quiser! Verdade, as mínimas despesas ficam altas para os brasileiros que ganham em Reais. Você sabe que toda vez que viajo presto atenção nisso e penso em formas de minimizar os gastos para quem mora no Brasil? A diferença de câmbio é um fato, mas sempre há formas de economizar.

Agora, um fato curioso: esta semana estava conversando com minha irmã, que mora no Brasil. Ela reclamava dos altos preços do supermercado. Começamos a comparar os valores dos produtos lá e cá… e surpreendentemente, fazer mercado aqui na Holanda sai mais barato do que no Brasil (mesmo com a conversão de valores). Fica aí mais uma dica para economizar: ficar em uma acomodação onde você possa preparar as próprias refeições.

Grande abraço!

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