Indonésia – Escolas internacionais & escolas bilíngues

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Pois é… cada cabeça uma sentença, cada país um experiência. Vocês se lembram que em um post anterior, falei sobre a diferença entre escolas internacionais e escolas bilíngues? Leia aqui.

Pois bem, na ocasião, eu escolhi uma escola bilíngue por questões pedagógicas e de valores. Não me arrependo, porque sei que do ponto de vista de afeto, aprendizado e princípios, foi uma escola que fez coisas incríveis pelo caráter da minha filha, incluindo o respeito à diversidade religiosa e cultural que ensinamos a ela e que a escola tão bem reforçou. Só não posso negar, que o quesito idioma, agora está fazendo diferença.

Quero reforçar que não acho que houve uma falha da escola na maneira como proporcionou o ensino. Acontece, que até por inexperiência, eu não me atentei a certos detalhes. Se sua língua materna é o português e na escola você tem a opção de falar português, claro que assim você se sentirá mais confortável e talvez deixará de mergulhar no outro idioma.

A merendeira, as professoras auxiliares e outras pessoas estarão lá para te atender na língua materna, então pra que se desgastar ou quebrar a cabeça para desvendar situações em um idioma que ainda é artificial pra você? Enfim, estamos aqui do outro lado do mundo e o idioma tornou-se sim um obstáculo para a adaptação da Khadija.

Moral da história, se você quer ofertar o inglês como uma segunda língua para efeitos de melhoria educacional e futuro progresso acadêmico, não faz muita diferença se o ensino é bilíngue ou internacional, mas se você, de fato, vive a iminência de sair do Brasil a qualquer momento e sem muito tempo para preparo prévio, uma escola internacional pode ser a melhor opção, pois nela a criança não vai ter o português como alternativa e mesmo em uma situação de possível crise, seu filho terá que se virar, descobrindo por si só, um jeito de se resolver em qualquer situação.

Introduções feitas, vamos falar da vida escolar infantil na Indonésia!

Procurando a melhor opção:

A primeira coisa que você precisa saber sobre matricular sua criança para estudar na Indonésia, é que não dá para colocar sua criança na escola apenas com sorrisos ou com jeitinho. Você precisa ter um visto! Muita gente se encanta com vídeos, relatos ou matérias sobre o paraíso indonésio, mas não se iluda. Se a vida não tá pra fácil pra ninguém, aqui na Indonésia não é diferente!

Nada de colocar uma mochila nas costas e se mudar pra cá com o intuito de ser garçom, professor de inglês ou vendedor de miçangas, a menos que você não tenha filhos e tenha nervos de aço. Caso você tenha filhos, precisa ter em mente que para matriculá-lo aqui na Indonésia, você precisará de um visto que lhe garanta esse direito. Assim como no Brasil, aqui você pode escolher uma escola local bilíngue ou uma escola internacional.

As regras são mais ou menos as mesmas que regem esse tipo de escola no Brasil, e eu dessa vez, sem pestanejar, escolhi uma escola internacional. Escolas internacionais são MUITO caras e normalmente, um privilégio “bancado” pelas organizações e/ou empresas que levam estrangeiros para trabalhar no país.

As formas de subsídio variam desde uma pequena porcentagem de apoio, até o valor total dos estudos da criança. No nosso caso, a Organização Mundial da Saúde subsidia 75% do valor da mensalidade. Parece muito, mas levando-se em conta que há escolas que cobram até 7 mil dólares por mês, fora taxas, faça as contas e me diga se parece um valor razoável para você.

Da mesma maneira que no Brasil, há as escolas mais famosas, tradicionais e até as de modinha. Inicialmente, pensei em colocar minha filha em uma escola tradicional, uma escola britânica, mas além do preço, o campus da escola parecia o de universidade – enorme e muito impessoal. Fiquei imaginando, tirar minha menininha de uma sala de aula de seis alunos para uma sala de aula com 30 crianças, ainda por cima gringas! Entrei na maior crise existencial e acabei me decidindo pelo menos renomado, porém mais afetuoso.

Fonte: Arquivo pessoal – “E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria” (Paulo Freire)

Confesso, que já tinha ido para lá com a escolha fechada na minha cabeça, mas quando decidi considerar outras opções, tive que levar alguns aspectos em consideração:

1- Eu queria uma escola laica. Na Indonésia, as escolas locais e mesmo algumas internacionais têm orientação muçulmana, as que não são muçulmanas, são católicas ou protestantes. Sei que no Brasil há muitas escolas católicas e protestantes com conteúdo bem light, afinal nós somos basicamente “alguma coisa” não praticantes, mas lá a coisa é séria. Acredito em Deus, mas acredito também que o despertar para a espiritualidade, deve ser uma experiência íntima e pessoal com Deus e não uma imposição proporcionada em sala de aula. Excluir as escolas não laicas da minha lista, já fez as opções caírem quase pela metade.

2 – Localização pode ser um problema. A maioria das escolas internacionais ficam em rincões da cidade, é raro achar uma em localização mais central. Como as “melhores escolas” contam com campus monstruosamente grandes, elas acabam ficando bem distantes dos grandes centros. Considerando que muitos dos estrangeiros gostam de viver em “bolsões para expatriados”, onde todo mundo é meio vizinho e todo mundo se isola em uma espécie de universo paralelo (sei que nem todos concordarão com minhas críticas, mas eu gosto mesmo é de me misturar com o povo do país). A distância, pode não incomodar, mas se você trabalha, circula pelo mundo real e precisa ir todos os dias para o centro da cidade, não dá. Para se ter uma ideia, o escritório da Organização Mundial da Saúde, onde trabalha meu marido, fica a duas horas da escola britânica. Levando e buscando, dá cerca de 4 horas de trânsito por dia. Então, uma dica importante: a escola precisa ficar perto da sua moradia ou do seu trabalho. Nem pense em relevar essa informação. Quem avisa, amigo é!

3 – Terrorismo lá é realidade. Se você for uma mãe paranoica como eu, que tem pesadelos a cada carnificina em escola causada por algum psicopata norte-americano, se perdeu noites de sono orando e implorando misericórdia pelas meninas sequestradas pelo Boko Haram ou se ficou imaginando que podia ter sido você, a tomar um frappuccino no Starbucks durante o tiroteio de janeiro do ano passado, lembre-se que Austrália e Estados Unidos são os maiores alvos dos terroristas enquanto que Ásia e França são o desafeto mor do Estado Islâmico. Por via das dúvidas, não custa nada pular essas opções né?

4 – A alimentação pode ser um outro ponto confuso. Você contrata o serviço da cantina para facilitar a vida e garantir uma alimentação balanceada, fresquinha e servida quentinha. De repente, sua filha chega em casa morta de fome porque serviram tudo com molho de pimenta, pimenta picada e pimentinha decorando, atenção! Às vezes, pode ser necessária uma “DR” com a nutricionista! Como em toda a vida longe de casa, tudo pode ser um drama ou uma comédia, depende de como você levar a vida. Eu prefiro dar risada, e pregar uma peça na moça da cantina oferecendo um acarajé bem “quente”!

É…a gente também sabe queimar a língua alheia! brincadeirinha…

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Fabi é uma mulher de fibra, que carrega no coração o mundo inteiro. Jornalista e bailarina, tem mestrado em Educação, Arte e História da Cultura e é doutoranda em Antropologia, mas nem liga para esses títulos porque o que ela gosta mesmo é de estar no meio da moçada, promovendo Direitos Humanos e empoderamento popular. Atua com educomunicação e juventude desde que se entende por gente, e ganhou em 2015 o título de mulher inspiradora pelo coletivo feminista "Think Olga" que nomeia os destaques femininos em suas áreas de atuação. Fabi é consultora em comunicação e mobilização social e ja trabalhou para diversas agências das Nações Unidas, além do CDC de Atlanta, além de diversas ONGs e Fundos. Escreve para esse blog desde 2013. Ela tem rodinhas nos pés e asas nas costas. Talvez por isso alguns a chamem de fada. Não tentem descobrir de onde ela é, porque ela pertence a muitos lugares e ao mesmo tempo a nenhum. Essa aquariana de riso farto, tira leite de pedra por onde quer que vá. Saiu do Brasil para morar na Indonésia em pleno pós Tsunami sem falar nenhuma palavra de inglês, se virou bem e daí pras Filipinas e Vietnã. Fez uma pausa no Brasil e agora está na Suíça. Por quanto tempo? Não se sabe. Ela segue à risca o conselho de Frida Kahlo que diz: Onde não puderes amar, não te demores...

11 Comentários

  1. Ola!
    Preciso de socorro! rsrsrs
    Estou de mudanca para jakarta no meio do ano que vem (2018), tenho uma filha de 13 anos e penso exatamente assim! Explorar outro idioma, mas em um lugar mais aconchegante… essa idade é bem complicada… ela esta bastante mexida de deixar os amigos…
    Moro no RJ e ela estuda numa escola nada tradicional…
    O que devo buscar por la? Pensei na escola australiana e na neozolandesa… faz sentido? esta sendo tao dificil escolher à distancia…
    Agradeco muito a ajuda!
    Beijos!

  2. Fabi meu marido e eu mudamos para Samarinda na ilha de Bornéu na Indonésia com nossa filha de 6 aninhos, não consigo achar uma escola britânica é isso já está me causando aflição. Teria alguma diga ou sugestões para me ajudar, por favor?

  3. Fabi, boa tarde, adorei seus posts e sua experiência de vida, ajuda demais, quem como eu se encontra próximo a uma grande mudança com filho pequeno, meu marido esta na iminência de ser transferido para Jakarta no meio do ano, temos uma filha de 7 aninhos que cursa o 2° ano de uma escola catolica aqui em teresopolis/RJ.
    Já li de tudo um pouco sobre escolas, etc… mas se possivel gostaria de sua opinião, e dicas sobre escolas em Jakarta para nossa pequena, ela começou ingles esse ano, e alfabetizou em portugues ano passado, somos católicos, dariamos preferencia a uma escola catolica, mas como disse, na indonésia é diferente do Brasil, onde é mais light, então uma escola laica na indonesia também esta na lista, não queremos colocar nossa filha tão pequena diante de nada muito radical (extremo) em termos de educação/religião… Se puder me dar dicas de escolas em Jakarta (intenacionais/catolicas e/ou laicas para essa faixa etaria) ficarei muito Grata. muito obrigada pela atenção.

    Marcia

    • Márcia, muito obrigada pela visita! Quase todas as escolas internacionais na Indonésia, são laicas ou cristãs. Estou à disposição para maiores informações por e-mail ou what app. Me deixa seu contato que trocamos figurinhas. Bjs !!

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