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Início da alfabetização em francês: como fica o português?

Estamos na França há quatro anos e minha filha tem seis. Podemos dizer que ela viveu mais tempo aqui do que no Brasil.

Uma das nossas maiores preocupações é que ela aprenda o francês sem perder o português, pois temos data para voltar e não queremos que ela sinta muito a diferença no retorno, principalmente na escola.

Sabemos também, que quando voltarmos será o contrário; ela será imersa no português e tentaremos ao máximo manter o francês vivo nela.

Por enquanto estamos nos virando bem. O francês dela é fluente, sem sotaque e o português é bom (mesmo que todas as conjunções e palavras de ligação saiam em francês). Ela reconhece o alfabeto e os números nas duas línguas. Temos que melhorar um pouco os números em português, pois ela sabe mais números em francês. Dias da semana, por exemplo, ela não sabe em português ainda. Está em nossa lista de reforços, mas quando cobro um pouco mais, tenho que ouvir:

“Acho que prefiro o francês, né mamãe ?”

Muita cara de pau para uma criança só…

No final do maternal as crianças ainda não são alfabetizadas, mas as noções são introduzidas: reconhecer letras, números, sílabas, sabem ler palavras curta e soltas, já começam a identificar e escrever o nome em cursiva. Nesse sentido tentamos ao máximo não deixar o português muito para trás (confesso que estamos atrasados em alguns pontos).

Em setembro começou o CP em francês (curso preparatório), que é o equivalente à alfabetização em português.

Leia também: tudo que você precisa saber para morar na França

E agora, como fica o português ?

A escola de minha filha organizou uma reunião em junho, no encerramento do maternal, onde fomos apresentados à nova professora do CP. Esta falou um pouco do método e de como a preparação feita no maternal é importante nesta nova fase. Aproveitei  a oportunidade e  falei sobre a nossa situação. Perguntei como poderíamos alfabetizar nas  duas línguas ao mesmo tempo.

A professora deu vários exemplos de crianças bilingues (francês / espanhol) na escola dizendo que, para elas, esse processo é natural. Disse  para não forçarmos demais o ritmo de aprendizado, pois será normal que com duas línguas ao mesmo tempo o ritmo fique um pouco mais lento. Cada criança tem seu ritmo e isso não é uma regra bem definida.

Acredito que como o português não é tão diferente do francês (imagine se fosse tailandês, polonês, japonês), facilita um pouco para nós. Para mim, uma das grandes diferenças são alguns sons/ sílabas inexistentes nos dois casos.

A professora sugeriu começar em francês, até mesmo para não ter uma diferença com a turma e, depois que ela pegar o ritmo, introduzir o português.  Mas como ela mesma disse, não é uma regra, tem que ser o mais natural possível.

Como foi o inicio do CP?

Na primeira semana de aula já foi possível ter uma ideia do desafio. A professora apresentou as vogais, as sílabas com a letra f e os sons. O  que achei interessante é que eles trabalham com a língua dos sinais ao mesmo tempo em que ensinam sons.

Os exercícios de casa nesta fase inicial são leituras de vogais e sílabas para reconhecer diversos tipos de escrita e, na hora da leitura, tem que fazer os sinais. Eu achei o máximo, pois  a criança grava bem. Cada dia uma letra é apresentada e como ela fica junto com as vogais. Não só consoante + vogal, mas também vogal + consoante, como nos casos apropriados ar, et, ir, por exemplo

Além disso, as letras são apresentadas em formas de personagens. Os “Alpha” é uma metodologia de leitura e aprendizado que é reconhecida pela  UNESCO (veja o site aqui). Tem toda uma história para apresentar cada letra. Ela iniciou a apresentação das letras e dos “alphas” ano passado . Este ano começou reforçando o método.

Funciona bem, pois as crianças não esquecem. Um exemplo foi o aniversário da minha filha depois de somente 1 semana de aula: todas as crianças estavam à mesa comendo bolo e uma começou a se comparar com a “mademoiselle U” por causa das tranças. Um outro disse que  era o Sr. A, que adorava rir (risos). Ao mesmo tempo faziam os sinais das letras.
Mesmo fora do ambiente escolar eles estavam associando o que aprenderam na escola.

Como os sons não são os mesmos que alguns no Brasil vamos esperar um pouco para introduzir a leitura e escrita em português.

Fonte: pixabay.com

 Como faremos ?

Na França as crianças não têm aula às quartas-feiras, minha filha passava o dia na garderie da escola (lugar supervisionado onde as crianças podem permanecer quando os pais trabalham) e no final da tarde ela ia para aula da dança no gelo.

A partir desse ano, nos reorganizamos. As aulas de português serão às quartas, ela ficará  em casa e o meu marido dará as aulas. Por enquanto ela continuará com as aulas de dança no gelo no final do dia.

Fizemos muitas pesquisas de material para saber como  faremos e pegamos muito material pela internet. Vamos ver como será. Começaremos uma vez por semana e, se necessário, veremos como poderemos aumentar esta carga horária, ou até mesmo procurar um professor particular de português se não tivermos avançando muito.

O mais importante é não desgastar ou cansar demais a criança, afinal de contas ela tem que ter um  tempo para ela também: brincar, descansar ou mesmo não fazer nada.

Já mostramos parte do material que separamos e ela está bem animada.

Desafios

O nosso maior desafio será o preparo para a volta. Ainda não temos uma data bem definida, mas já começamos a pesquisar e descobrimos  que no Brasil, a partir do segundo ano do ensino fundamental, praticamente todas as escolas no Rio de Janeiro têm prova de admissão no mínimo de português e matemática.

É claro que vamos explicar bem o nosso contexto e o ideal seria uma escola acostumada com casos iguais ao nosso, que aceite entrevistas iniciais por telefone ou Skype, pois não sei se poderemos ir ao Brasil muito antes para pesquisar escola.

Ou seja, ela vai ter que aprender o português  para voltar e não ficar atrasada. Boa sorte para nós!

E vocês? Estão numa situação parecida ? Como estão fazendo?

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