Leonardo de Mattos – líder do grupo de Robótica Biomédica do Instituto Italiano de Tecnologia

Clube do Bolinha

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Experimentos no Laboratório de Robótica Biomédica, do Instituto Italiano de Tecnologia. Fonte: Imagens pessoais de Leonardo de Mattos. Todos os direitos reservados.
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Leonardo de Mattos – líder do grupo de Robótica Biomédica do Instituto Italiano de Tecnologia

Para a Coluna do Clube do Bolinha, o BPM entrevistou o Leonardo de Mattos. Ele nasceu em 1974, em Red Bank, New Jersey (USA). Com um ano de idade a sua família retornou ao Brasil, onde ele cresceu e se formou em Engenharia Elétrica pela USP São Carlos. Foi ao final da sua faculdade, em 1999, que a difícil situação econômica do Brasil e o fato de possuir o passaporte americano os levaram a retornar a sua terra natal em busca de um bom emprego.

Leonardo de Mattos, líder do grupo de Robótica Biomédica do Instituto Italiano de Tecnologia. Fonte: Arquivo pessoal de Leonardo de Mattos. Todos os direitos reservados.
Leonardo de Mattos, líder do grupo de Robótica Biomédica do Instituto Italiano de Tecnologia. Fonte: Arquivo pessoal de Leonardo de Mattos. Todos os direitos reservados.

Nos Estados Unidos primeiro morou em Boston, onde conseguiu um trabalho de engenheiro de campo em uma empresa chamada FANUC América. Foi esta mesma empresa que depois o mandou para Chicago e Charlotte e que o recomendou um mestrado para que pudesse crescer dentro da empresa.

Leonardo decidiu então deixar o emprego e voltar para a universidade. E neste momento se mudou para Raleigh, na Carolina do Norte, para estudar Mestrado em Engenharia Elétrica, na North Carolina State University. Ele conseguiu uma bolsa da própria universidade, trabalhando como assistente de professor. Posteriormente conquistou uma posição de pesquisador no Centro para robótica e máquinas inteligentes, onde trabalhou por seis anos até terminar o seu Doutorado em Engenharia Biomédica.

Leonardo conta que adorou a área de pesquisa e ficou ali até o fim, só quando buscava por novas aventuras resolveu se mudar para Itália.

Em 2007, em Gênova, na Itália, com um cargo de pesquisador pós-doutorado, começou a trabalhar em um novíssimo centro de pesquisa chamado Instituto Italiano de Tecnologia – IIT. Ali trabalhou com pesquisadores de todas as partes do mundo e das mais variadas áreas, como: neurociência, medicina, robótica avançada, visão computacional, entre outras. Também foi aí que se especializou na aplicação de robótica em outras áreas, com intuito de ajudar com processos delicados de injeção de células para criar animais transgênicos e sistemas para microcirurgias, começando a desenvolver o seu próprio grupo de pesquisa.

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A sua equipe cresceu com o fruto do seu trabalho; com a avaliação positiva da sua produção científica pela Comissão de Avaliação do Instituto de Tecnologia; e com o vencimento do projeto da Comissão Europeia – onde angariou um financiamento de 3.6 milhões de Euros para a realização do Projeto de Microcirurgia Robótica para Operação de Cordas Vocais (µRALP), realizado em colaboração com institutos de pesquisas e hospitais da Itália, França e Alemanha.

Tornou-se então líder do grupo de Robótica Biomédica do IIT, onde coordena uma equipe de, atualmente, 15 pessoas, formado por estudantes de mestrados, doutorados e pós-doutorados das mais variadas nacionalidades (italianos, chineses, turcos, indianos, brasileiros, etc.); e conduz pesquisas nas áreas de microcirurgia robótica, visão computacional para aplicações médicas, sistemas robóticos para a assistência de pacientes com ALS – Amiotrofic Lateral Sclerosis (Em português, ELA – Esclerose Lateral Amiotrófica). Este último, no valor de mais de um milhão de Euros, financiado por duas instituições italianas: Instituto Italiano de Tecnologia – IIT e Fundazione Roma.

Durante esses anos Leonardo também publicou artigos em importantes revistas científicas, como, por exemplo, a Laringoscope – a mais conceituada revista na área de laringologia e participou (participa) de inúmeras conferências de robótica e medicina ao redor do mundo: BioRob, ICRA, IROS, IFOS, para citar algumas.

Hoje, Leonardo percebe a possibilidade de continuar com o seu crescimento profissional e acredita na concretização de inúmeros projetos para melhoria dos sistemas de saúde, apesar de saber que o seu maior desafio é a transferência de tecnologia para aplicações clínicas. Mas, é justamente isso que o motiva a continuar. Já que ele quer ver a aplicação prática da ciência efetivamente ajudando e melhorando as condições de trabalho e capacidade dos médicos e, consequentemente, a qualidade de vida dos pacientes.

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Leonardo diz que nunca sofreu preconceitos por ser brasileiro: “Pelo contrário. Sinto que a simpatia por brasileiros é muito alta em todo mundo.” E lembra que no início o seu maior desafio foi o de lidar com o lado emocional e pessoal de ‘abandonar’ a família, amigos e o Brasil. Contudo, sempre soube que morando fora teria muito mais chances especialmente na área de pesquisa.

“Os países desenvolvidos (EUA/EU) investem mais em pesquisas. A infraestrutura tecnológica das universidades e centros de pesquisas é muito mais avançada.”

Para quem tem interesse em seguir uma carreira similar a sua, Leonardo recomenda que faça cursos e especializações em engenharia biomédica ou robótica: “É preciso estudar muito, ser sério, dedicado. Inglês fluente é fundamental” e completa, “com isso as suas chances de sucesso serão grandes”.

Por fim, diz que tem muitas oportunidades no exterior, mas ressalta que mesmo no Brasil existem boas universidades nestas áreas.

“Existem muitas bolsas de estudo, das próprias universidades e governos internacionais, para aqueles que desejam estudar fora do Brasil.”

4 Comentários

  1. Oi Farah, muito boa a entrevista. Gostei de saber um pouco mais a fundo o que anda fazendo meu sobrinho por essas bandas. Beijos para os três.

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