As lições do orgulho Made in Italy

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O que significa Made in Italy que todos os italianos pronunciam com tanto orgulho? Quando é lícito colocá-la nos produtos? E o que nós brasileiros temos a aprender com tudo isso?

As duas características marcantes dos italianos, fora suas paixões por comida e vinho, são o orgulho que carregam de seus produtos e o respeito à qualidade e à origem daquilo que adquirem. Falar que algo – principalmente alimentos – de outro país é melhor que o da Itália é comprar briga na certa. Insistir nisso então, pode significar ofensa e motivo para o rompimento das boas relações. É tangível como eles são o oposto de nós brasileiros que, praticamente, só valorizamos o que é importado e que compramos tanta pirataria.

Made in Italy é motivo de orgulho para cada cidadão dessa península. Isto é tão sério que eles criaram esta marca para garantir a procedência e a qualidade do que produzem. É o aval da criatividade, qualidade e estilo de vida italiano que se exprimem, sobretudo, nas áreas de vestuário, decoração, automação mecânica, agronegócio, invenções e descobertas científicas. O seu brio está no que reflete: “um saber fazer” que se destaca aos olhos de outros países. Hoje, ela é uma das marcas mais conhecidas e apreciadas do planeta.

De acordo com um estudo de mercado realizado pela KPMG, Made in Italy é a terceira marca em notoriedade depois de Coca Cola e Visa. Economistas e analistas de negócios também identificaram algumas empresas em que o nome é grandemente associado a esse selo, são elas (além da Ferrari, considerada a marca mais influente e forte no mundo e embaixadora do Made in Italy): a Barilla, para alimentos; a Ferrero, para doces; e a Benetton, para moda.

O espírito italiano do Made in Italy contribui para o reconhecimento imediato do produto que a possui e o eleva em termos de qualidade, bem como exalta a sua imagem global.

Historicamente, Made in Italy era uma expressão em língua inglesa empreendida de propósito para os produtos italianos. Estas mercadorias eram associadas à qualidade, alta especialização e diferenciação, elegância e proveniência dos seus famosos e tradicionais setores industriais. Tanto que no exterior, no decorrer do tempo, esses artigos ganharam uma fama que passou a lhe corresponder uma vantagem comercial. Não obstante, junto a essa vantagem veio à necessidade de definição e de pontuais auxílios jurídicos como regras para a sua proteção contra falsificação, fraudes, concorrências desleais, por indicações falsas ou enganosas de origem, e tudo mais que poderia induzir o consumidor ao erro.

De tal modo – como parte de um processo de reavaliação e de defesa da “italianidade” do produto, com a finalidade de combater estes problemas mencionados das produções artesanais e industriais italianas, principalmente nos quatro setores tradicionais de moda, alimentação, decoração e mecânica (carros, desenho industrial, maquinários e navio) – as palavras Made in Italy passaram, desde 1999, a serem amparadas por algumas associações e regulamentadas por leis estaduais.

A partir de então só é permitido inserir essa marca de origem se o artigo foi inteiramente produzido na Itália ou se passou pela sua última transformação substancial na grande bota. Em outras palavras, Made in Italy, 100% Italia, Fatto in Italia, Tutto Italiano, Full Made in Italy, em qualquer língua, com ou sem a bandeira italiana, só pode ser empregado às mercadorias totalmente feitas no país (isto é, projetada, fabricada e confeccionada na Itália). Qualquer abuso pode ser punido por lei.

Made in Italy é uma indicação de proveniência que reflete um produto completamente projetado, fabricado e confeccionado na Itália. Tem o objetivo de consentir ao consumidor a garantia da origem italiana e da qualidade do produto adquirido.

Entre as associações há pouco mencionadas está o órgão certificador Istituto per la Tutela dei Produttori Italiani – ITPI (Instituto para a Tutela dos Produtores Italianos), ao qual a empresa que pretende comercializar seus produtos usando a marca distintiva do Made in Italy, se inscreve voluntariamente ao regulamento e ao pedido da certificação. Para atingirem o status Made in Italy,  suas mercadorias devem, em linhas gerais, ter os seguintes requisitos:

  • Ser idealizadas e fabricadas totalmente na Itália;
  • Ser produzidas com materiais naturais de qualidade;
  • Ser fabricadas sobre usinagem tradicional típica;
  • Ser realizadas no pleno respeito das normas de trabalho, higiene e segurança.

O ITPI, ao garantir o cumprimento de todos essas exigências, concede a certificação e a empresa é inscrita no Registro Nazionale Produttori Italiani (Registro Nacional de Produtores Italianos), bem como no sistema de rastreabilidade dos produtos certificados.

Para você ter uma melhor ideia da importância disso, os valores dessa certificação são: Garantia (confirmação, controlada e garantida, dos valores e da origem dos produtos italianos de qualidade); Rotulagem; Rastreabilidade (numeração sequencial aplicada ao artigo); Anti Falsificação (total segurança e tutela da marca corporativa); Patrulhamento (pesquisas e levantamentos de potenciais distribuidores em mercados estrangeiros); Acreditação (de empresas certificadas nos mais importantes distribuidores internacionais); Retribuição (mais benefícios para as corporações sobre as concessões regionais, estaduais e comunitárias).

Isso tudo permite que os produtores distingam as suas criações daquelas de proveniência italiana duvidosa, dando todas as garantias aos seus clientes.

Achei legal te contar sobre isso, primeiro, porque o orgulho, a honra, a grande satisfação com o próprio valor que os italianos sentem pelos seus produtos deveria ser um exemplo a ser seguido, por todos nós brasileiros. Temos muita coisa boa e de qualidade no Brasil que carecem do nosso reconhecimento. Aquela ideia de que deveríamos comprar das pequenas empresas e autônomos – isto é, de familiares artesãos que fazem uma boa arte, da amiga doceira que faz doces artesanais, do desconhecido que tem uma loja no bairro, etc. – é muito astuta. Pois, antes de comprar das grandes marcas internacionais, deveríamos ajudar a nossa sociedade e a nós mesmos fazendo com que o nosso dinheiro circulasse dentro do nosso próprio território e país.

Segundo, para que, ao mesmo tempo, tenhamos a consciência de que comprar aquela mercadoria falsificada, aquela cópia pirata, é incentivar e pior, patrocinar uma concorrência desleal que prejudica os produtores locais e, acredite, danifica a você próprio que encontra no mercado imitação de artigos que certamente não respeitam a cadeia produtiva e que seguramente não possuem as mesmas características dos originais.

Mas, sem dúvidas, sobre isso os italianos ainda têm muito a nos ensinar!

A presto e Buon Anno!

***

Citações, fontes e fontes de inspiração:

Cosa è «Made in Italy» (e cosa no) | Made in Italy | Made in Italy: in Unione Europea ci sono Formaggi senza latte e Vino senza Uva | Made in Italy | Certificazione 100% Made in Italy | Certificazione di origine e qualità 100% Made in Italy

 

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Farah vive em Gênova, na Itália. Ela é uma daquelas pessoas que pegou o avião para, audaciosamente, chegar lá onde estão as histórias… e, sem querer, descobriu que as ama contar. E porque quem escreve deve fazê-lo em um espaço e em um tempo, deve viver um espaço e um tempo, ela está sempre por aí, no seu caminho – entre os seus blogs Pelos campos de trigo, Tempos de gestão,Observações sobre o belo e o sublime (Obvious) e @peloscantosdomundo (Instagram). Além disso, ela é Bacharel em Administração Hoteleira. Possuí dois MBAs, em Gestão de Pessoas e em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios. E um Master em Inovação na Administração Pública. Em 2005, foi publicado o seu primeiro livro "Fator Humano da Qualidade em Empresas Hoteleiras".

2 Comentários

    • Oi Marcella,
      Que legal que você gostou do meu texto, fico feliz!E eu acho que é compartilhando o que cada povo tem de bom que vamos aprendendo e evoluindo… pois, acredito muito que todos tem o que ensinar ao mesmo tempo em que todos tem o que aprender, não é mesmo?
      Abraços,
      Farah

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