Livros sobre a Suíça que ajudam na adaptação cultural

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Fonte: Pixabay
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Livros sobre a Suíça que ajudam na adaptação cultural.

Clima de Natal rondando cada uma de nós, mercados de Natal explodindo por toda a Suíça, correria com a preparação da ceia, expectativa com a chegada da neve, reunião com os amigos e familiares, preocupação com o que fazer durante as breves férias escolares, e então, vem aquele costumeiro e pesaroso balanço de como foi o seu ano (“So this Christmas/And what have you done/Another year over/And a new one just begun)… Que tal incluir os livros que você leu nesta retrospectiva? Melhor ainda se forem livros que te ajudaram a compreender melhor a cultura do país que você mora e as pessoas que te rodeiam, não é? Esse post serve para refletirmos sobre: o que você fez para se adaptar no exterior ao longo desse ano?

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Um dos vários projetos que eu me propus quando decidi morar na Suíça foi o de aprender mais sobre a própria história do Brasil. Com essa ideia na cabeça eu trouxe vários clássicos da literatura brasileira comigo, e fui comprando outros tantos e-books sobre o tema. Foi um período delicioso: revivi certos fatos, aprendi outros episódios, ponderei certas posições… Mas, com tantas novidades me rondando, com infinitas possibilidades surgindo, esse projeto foi definhando, se amiudando, e acabou se amparando num canto do armário por hora…

E, então, um novo pensamento passou a ocupar a minha cabeça: eu estou formando a minha concepção de estrangeira em relação à Suíça mas, e o que pensam as demais pessoas, nossa visão é comum? É lógico que é muito divertido explorar e ter a sua própria avaliação sobre as novas experiências. Eu, pessoalmente, sou uma entusiasta da ideia de ver o mundo com seus olhos autênticos e ter suas opiniões pessoais, porém, houveram muitas coisas que a minha vista simplesmente não compreendeu, e outras tantas que me passaram desapercebidas, ou que eu sequer pude tirar uma conclusão lógica. Com isso, comecei a pesquisar e a ler mais sobre a Suíça, tudo, num ritmo tranquilo, sem rigidez teórica, ou seja, leitura por pura diversão.

A seguir, divido com vocês algumas sugestões de livros – sem ousar fazer qualquer crítica ou resenha – mas apenas para listar fontes de informação que podem ajudar na adaptação a um país.

The Naked Swiss. A Nation Behind 10 Myths” (Clare O’Dea. Editora Bergli Books. 2016).

Foi meu livro de cabeceira por várias noites. Eu li a versão original em inglês, mas o livro já foi traduzido para o alemão e o francês também. Clare é uma jornalista irlandesa que mora há muitos anos na Suíça, e que se propôs a escrever sobre os clichês do país – a visão de que os suíços são, por exemplo, ricos, banqueiros, neutros, sexistas, xenófobos, entediantes etc. – e passou a avaliar o quanto esses rótulos seriam verdadeiros ou falaciosos. Instrutivo e rico em passagens históricas, a obra vale pela leitura despretenciosa. Seu ponto fraco, porém, está na ausência de fontes substanciosas ou de notas de rodapé pois, para uma leitora voraz e cautelosa, as citações de jornais da época, as entrevistas ou mesmo as menções a outras obras não foram tratadas com tanto primor.

Muitos temas são delicados e difíceis de digerir (como a questão da posição das mulheres na sociedade; a retirada compulsória de crianças (uma espécie de adoção forçada) para as famílias que viviam abaixo do nível de pobreza e que perdurou até o anos 70; e se os suíços foram coniventes ou não com o nazismo) mas, a autora aponta suas conclusões, e também descreve as posições contrárias; com isso cada uma de nós se sente livre para manter nossas próprias convicções ou para rever outras. De um modo geral, “The Naked Swiss” me ajudou a viver aquele momento de julgamento hipercrítico, que é bem comum nas pessoas estrangeiras recém chegadas a um país tão diferente da sua própria cultura. Logo no início, Clare comenta que quando os suíços não estão ocupados sendo maravilhosos, eles estão atarefados sendo horríveis. E, ao meu ver, essa é a grande lição do livro: as civilizações escondem-se e alternam-se como os personagens do “Dr. Jekyll & Mr. Hyde”, podendo ser, ao londo da história, respeitáveis e atrozes ou geniais e más.

How Basel Changed the World” (Matthias Buschle e Daniel Hagmann. Editora Christoph Merian Verlag. 2015).

Por meio da narração de uma série de fatos históricos – tentando ser “bairrista”, mas guardando um certo humor e ironia – os autores desse livro pretendem demonstrar que Basiléia é uma cidade de importância mundial. Seguindo a pergunta-chave do livro: “o que aconteceu em Basiléia e que teve consequências globais?”, eu aprendi várias curiosidades que ocorreram exatamente nessas terras onde eu moro hoje: o acidente de laboratório que acarretou na descoberta do alucinógeno LSD; a criação do famigerado pesticida DDT; a organização da aclamada feira de artes chamada Art Basel;  a passagem do humanista Erasmus de Rotterdam e de Paracelsus pela cidade;  os trabalhos do BIS (Bank for International Settlements) até chegarem ao Acordo de Basiléia III; como foi feita a primeira edição do “O Processo Civilizatório” de Norbert Elias; que a predecessora da WWF (World Wildlife Fund) teve raízes por aqui, etc.

Apesar do estilo como os capítulos foram escritos não me agradar muito, pois não há uma lineariedade temporal e, às vezes, a junção de temas tão distintos soa bem artificial, ou as “conexões” não parecem estar realmente amarradas entre si diante de um texto seco e rápido, este livro é um prato cheio para aquele velho bordão do “está faltando assunto?”. Pois bem, com alguns exemplos do livro na manga, você dificilmente passará aperto na hora em que baixar aquele silêncio sepulcral na mesa do jantar em que você está rodeada de ilustres desconhecidos, onde, apesar da comida estar fantástica, o papo está um tédio.

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The Monster Book of Switzerland” (Jeanne Darling e Michael Meister. Editora Bergli Books. 2018).

Este é um livro infantil sobre as lendas da Suíça e conta com um texto encantador e gravuras belíssimas, que diverte crianças e adultos curiosos, e está disponível em inglês, francês e alemão. Para além das lições morais e pedagógicas que toda obra infantil carrega, o livro ajuda na nossa aclimatação em meio às fábulas sobre montanhas, queijos, chocolates, dragões, heróis, basilisks e cachorros da raça são bernardo.

Por trás dos contos, nos bastidores dos mitos, busquei perceber um pouco mais da ética e dos princípios suíços que se refletem nas ruas e na vida cotidiana. O interessante é que a autora (Jeanne Darling) é uma estrangeira, e foi professora na Suíça por muitos anos, assim, o livro é um esforço de um olhar não nacional para fantasias e símbolos locais. “The Monster Book of Switzerland” pode ser um bom começo para entender o contexto social em que crianças são criadas para serem independentes logo na tenra idade e, em que se respira frugalidade em cada esquina.

Bom, esse é apenas o começo de um novo projeto pessoal de leituras, e a minha lista de cabeceira já está aumentando com as novidades do mercado editorial sobre a Suíça! Quem tiver novas sugestões: me avise! Assim, quem sabe, poderei acrescentá-las à lista de pedidos do Papai Noel…

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