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Tailândia

Loy Krathong, o festival das luzes na Tailândia

Morando na Tailândia há 8 meses, tive a oportunidade de participar, pela primeira vez, de um dos festivais mais famosos e importantes do país: o festival de luzes chamado Loy Krathong. Esse evento é celebrado anualmente pelos tailandeses, e sempre acontece na lua cheia do décimo segundo mês do calendário lunar tailandês, o que normalmente coincide com o mês de novembro. Esse ano comemoramos o festival nos dias 14 e 15 de novembro, o que coincidiu inclusive com a Super Lua, a maior e mais brilhante dos últimos 68 anos (é muita sorte!).

A tradição consiste em fabricar pequenas balsas em forma de lótus, chamados “krathongs”, feitas com folhas de bananeira e decoradas com velas, incensos e flores,  e colocar esses barquinhos para navegar pelas águas com suas velas acesas. Esse gesto tem como objetivo agradecer à deusa da água pelo ano produtivo, e também representa um momento para se desculpar pelos seus erros, e mandar embora todo o sentimento ruim que sentiu durante o ano, como raiva, ressentimentos e rancores, renovando, assim, seus votos para um novo ano sem negatividade.

Segundo uma amiga tailandesa, antigamente costumava-se colocar unhas e fios de cabelo para flutuar nas balsas, para simbolizar seu lado negativo que está ficando pra trás, e recomeçar livre de sentimentos ruins. Eu, que não sou boba, discretamente coloquei uns fios de cabelo para velejar no meu krathong, porque levo bem a sério essa coisa de tradição.

Como moro em Bangkok, tive a opção de escolher onde gostaria de participar do festival, já que as cerimônias acontecem ao longo dos rios, lagoas e lagos e muitos lugares sediam atividades culturais e proporcionam essa festividade. Na companhia de amigos brasileiros e uma tailandesa, decidimos pegar um barco e escolher um lugar ao longo do rio Chao Phraya, que é um dos grandes rios da Tailândia, e atravessa a cidade de Bangkok.

Ao longo do caminho de barco, apreciamos a paisagem iluminada pela lua, e já era possível avistar balsas acesas velejando pelo rio, mesmo sabendo que o horário mais propício para colocar os os krathongs na água era próximo de meia-noite. Mas pra isso, saímos de casa por volta de 4 da tarde, pois o trânsito, que já é caótico em dias normais, se torna impraticável em dias especiais como esse.

Depois de horas, e alguns meios de transporte diferentes, chegamos em um night market à beira do rio, e já começamos a sentir o clima do festival. Nas barracas, vendedores ambulantes ofereciam uma diversidade incrível de oferendas, de todos os tipos e cores, com preços variando de R$5,00 a R$10,00. Um ponto interessante é que na maioria dos casos, eles usam materiais naturais como pão e casca de coco, a fim de evitar a poluição das águas. Claro que não foi sempre assim, mas hoje em dia já se vê essa preocupação inserida no tradicional festival.

Os restaurantes estavam movimentados, muitos barcos passavam pelo rio, muitas famílias inteiras desfilavam pela rua, e claro, alguns estrangeiros assim como nós, participavam da festa. Na beira do rio, nos deparamos com uma oficina onde você poderia confeccionar sua própria oferenda, com troncos, folhas de bananeira, flores de todos os tipos, e todo o material necessário para a tarefa. Achei muito interessante a ideia, mas como estava acompanhada e não queria atrasar os outros, resolvi comprar meu krathong pronto mesmo.

Depois de um agradável jantar entre amigos, escolhemos nossos barquinhos e fomos em direção ao rio para o momento ápice do festival: colocar o barquinho para flutuar. Como disse anteriormente, aproveitei a história contada pela tailandesa e coloquei uns fios de cabelo, pra mandar embora toda a minha negatividade. Fiz uma prece, agradeci por tudo de bom que acontece em minha vida, e principalmente, por estar exatamente onde eu gostaria de estar, acendi a vela e me encaminhei para a beira do rio. Visto que o local que estávamos não era no nível da água, as oferendas eram colocadas em pequenos elevadores, que desciam até o rio.

O ato de fazer o krathong navegar simboliza renúncia e superação de nossos pontos fracos, e a chama da vela acesa representa longevidade, desejos e libertação dos pecados. Se sua vela permanecer acesa até que seu barco desapareça de vista, isso significa que você terá um ano de boa sorte.

Como moro aqui e respeito muito a cultura local, me sinto privilegiada em poder participar de um momento tão tradicional da cultura de um povo, e poder aprender a admirar seus costumes. Fiquei extremamente feliz em participar desse festival, que é muito importante na vida de um tailandês. E além da beleza da vista daqueles milhares de barquinhos com suas velas acesas, criando uma imensidão de pontos de luz no horizonte, aquele momento mágico realmente me fez refletir sobre a vida e acreditar no poder da cerimônia.

E se por acaso estiver passando pela Tailândia nessa época, não perca a oportunidade de assistir às comemorações do festival. Ao viver em outro país com costumes tão diferentes, aprendi que a melhor forma de entender a cultura local é tendo a oportunidade de vivenciá-la, e, acredito de verdade, que serei abençoada pelo poder e pela magia do Loy Krathong.

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