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A maneira holandesa de educar filhos

Educação de filhos é sempre um tema complexo e muitas vezes polêmico. Para completar a miscelânea, atualmente é possível encontrar centenas e centenas de livros sobre os melhores métodos de se educar uma criança, cada um com um enfoque diferente. Os pais testam aqui, testam ali, o que funciona para uns nem sempre funciona para outros, mesmo porque criança não é feita em série, e há que se considerar as particularidades de cada uma.

E só para aumentar ainda mais a confusão do assunto, experimente ter filhos em outro país! Sim, porque ao sairmos de nossa zona de conforto e ampliarmos nossa visão de mundo, nos damos conta de que nem sempre o que é “normal” em um local é no outro. Isso pode parecer óbvio, mas não é, já que a tendência é tomarmos como parâmetro a realidade com a qual estamos acostumados.

Morando desde 2012 na Holanda, num local onde sou a única estrangeira, tenho tido a oportunidade de observar bastante de perto, ou melhor, “de dentro”, a maneira como os holandeses que moram no mesmo lugar que eu educam seus filhos.

Obviamente, não posso afirmar que é assim que acontece em todo país, mesmo porque além de cada família ter suas próprias características, a região em que se mora ( norte – sul / campo – cidade) também influencia muito na maneira de educar os pimpolhos.

Sem dúvida, durante esses anos observei coisas bacanas e outras não tão bacanas assim no modo holandês de educar, mas nesse texto ressalto aquelas que, sob o meu olhar, são positivas.

1 – Incentivo à independência desde cedo

Desde que o bebê nasce, tanto as enfermeiras que ficam com a mãe em casa no período de kraamzorg (período que uma enfermeira especializada fica em casa com a parturiente), quanto no consultatie bureau , aconselham-na a incentivar a independência da criança. E o primeiro passo é aprender a dormir sozinha. Após o ritual antes de adormecer (por exemplo: mamar, ouvir histórias ou musiquinha) a criança/bebê já deve ir se acostumando à idéia de dormir sozinha. E não pense que o método é deixar o bebê se esgoelar durante horas; existem técnicas específicas que são ensinadas à mãe (caso o bebê não tenha aceitado bem a ideia de dormir sem os pais), nas quais lentamente o bebê vai se sentindo seguro para adormecer sozinho.

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Fonte: https://pixabay.com

Os pais holandeses não fazem pelas crianças o que elas podem fazer sozinhas. Obviamente, respeita-se a faixa etária e suas limitações para, assim, gradualmente, a criança aprender a não depender do papai e da mamãe para tudo.

2 – Tarefas em casa

Ainda respeitando a faixa etária dos filhos, os pais vão delegando a eles tarefas dentro de casa. Pode-se começar, por exemplo, ensinando a guardar os brinquedos, depois colocando a própria roupa suja no cestinho, as tarefas tornam-se mais complexas a medida em que o tempo passa. Importante ressaltar que nas famílias holandesas, de modo geral, todos têm tarefas a cumprir.

3 – Igualdade de gêneros

A questão da igualdade de gêneros é naturalmente inserida na educação dos pequenos e isso começa justamente no item mencionado acima: a delegação de tarefas. Meninos e meninas têm as mesmas responsabilidades, ou seja, todos vão aprender igualmente a limpar a casa, lavar as próprias roupas, etc.

Os pais holandeses também não diferenciam gênero na hora de presentear os filhos. Não é incomum ver meninos ganhando pequenas cozinhas de presente e meninas brincando de trator.  O importante é ser criança e desenvolver a imaginação e a criatividade.

4 – Incentivo ao esporte e a Leitura/Cultura

Criança holandesa é incentivada desde cedo a “se mexer”. O mais interessante é que não percebo que o foco é competir e ser o melhor, mas sim porque se exercitar é saudável. Além disso, a prática de exercícios ajuda muito nos meses escuros e frios de inverno. Hábito que cultivado desde muito cedo, perdura a vida inteira.

Grupos de crianças (pequeninas e maiores) em museus com os pais e escolas são normais de se ver. Aliás, muitos pais têm como passeio de fim de semana levar os filhos a museus e exposições, muitas das quais possuem atividades interativas para os pequenos.

Também bastante usual é a presença de mães em bibliotecas com os filhos. O incentivo à leitura vem também do próprio governo; as prefeituras em parceria com as bibliotecas costumam enviar às residências dos recém-nascidos uma carta convidando os pais a pegar (na biblioteca) uma malinha de leitura. Essa malinha contém um ou dois livros para bebês e a carteirinha de empréstimo com o nome da criança.  Até os 18 anos pode-se emprestar livros da biblioteca sem pagar, após essa idade é cobrada uma taxa anual.

Dar livros de presente para crianças também é corriqueiro e muitas, desde bem pequenas já possuem sua mini biblioteca.

5-   Consumo consciente

Consumo desenfreado de brinquedos e roupas não faz parte do cotidiano dos pequenos por aqui. No geral, as crianças ganham presentes somente nas datas mais importantes como aniversário e Sinterklaas, alguma lembrancinha no Natal e só.

As escolas incentivam a reciclagem/re-uso de material, por isso, nada de choro por não ter aquele estojo novo de lápis de cor. A criançada sabe que vai ter que usar o que já tem até acabar e usar livros que já pertenceram a outros alunos.

6 –  Liberdade de escolha

Pressionar os filhos para a escolha de determinada profissão, opinar profundamente sobre escolha de namorado (a), livros, amigos etc? Não, essa não é uma característica dos pais holandeses.

Não há pressão para se cursar uma faculdade, por exemplo, tanto que muitos jovens optam por cursos técnicos de nível médio ou técnicos superiores e vivem  muito bem sem necessariamente ter um bacharelado, pós-graduação etc.

Se os pais não gostam muito do(a) namorado(a) da(o) filha(o), não há brigas homéricas e proibições, mais comumente é feita uma observação ou uma conversa. Mas, a decisão final é sempre do diretamente envolvido.

Isso quer dizer que os pais holandeses não amam seus filhos? Não! Isso quer dizer apenas que eles criaram esses filhos de forma a serem responsáveis por suas próprias escolhas e conscientes das consequências de suas decisões.

Como mencionei no início desse texto, cada família tem suas  especificidades que são, por sua vez, dependentes de outros fatores. Mas observar como o modo de educar os filhos reflete no contexto geral do país é sem dúvida algo fascinante.

Quer saber um pouco mais sobre os hábitos das mães holandesas? Leia aqui o excelente artigo da Regina sobre o assunto.

Leia sobre a adaptação das crianças em um novo país!

Tallenna

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4 comentários

Suzanna Dezembro 28, 2016 at 7:12 pm

Não há pontos negativos?

Resposta
Cintia Beatrice Dezembro 28, 2016 at 7:24 pm

Olá Suzana,

Como mencionado no texto existem pontos sim que não acho bacanas, mas nesse texto enfoquei apenas os aspectos que considero positivos. Abs

Resposta
Suzanna Dezembro 29, 2016 at 12:15 am

Meus filhos foram criados com esses valores e comportamentos no Brasil. Meus netos também o são. Conheço o padrão holandês por ter morado também na Holanda. As crianças não são incentivadas a ter higiene bucal, aliás, higiene de um modo geral; não possuem um bom padrão alimentar, pois nem sempre os cuidadores fazem comida. Consomem batata e um biscoito holandês (o qual esqueci o nome) que é puro açúcar. Enfim, não vejo na cultura holandesa um exemplo a ser seguido na educação infantil.

Resposta
Cintia Beatrice Dezembro 29, 2016 at 9:45 pm

Ola Suzanna,
Obrigada por ler e comentar. Interessante notar como cada um tem um olhar e experiencias distintos de um mesmo país, não é mesmo? Do que vivencio aqui , vejo um profundo incentivo a higiene infantil sim. As mães são aconselhadas a escovar as gengivinhas do bebê desde muito cedo, inclusive recebendo ate mesmo revistas que explicam a importancia da higiene bucal e a partir dos dois anos, os pequenos devem ir ao dentista a cada seis meses. Sobre alimentacão nas escolas, atualmente, incentiva-se o consumo de frutas e outros alimentos saudaveis.
Fico feliz que seus filhos e netos tenham sido criados com os valores mencionados no texto, se mais familias agirem assim quem sabe no futuro a sociedade brasileira se torne menos machista, diminuindo a sobrecarga das mulheres, mais tolerante com as diferencas e menos prisioneira das aparências. Todos temos a aprender uns com os outros, ha pontos positivo’s e negativos na educacão das criancas em ambos os países. Abs e continue nos acompanhando.

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