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Mestrado em energias renováveis na Holanda

Mestrado em energias renováveis na Holanda.

“Eu sou engenheira química e mesmo depois de sofrer durante a faculdade, ainda tenho amor pela profissão, mas nunca trabalhei na área. Meu Deus, eu nunca trabalhei na área!! Você está me dizendo que chorei atoa na sarjeta porque achei que ia bombar em Bioquímica? Gente, quem chora na sarjeta da faculdade? Eu. E eu aprovei em Bioquímica. Calma, rebobina. Eu aprovei! Eiiita! Então porque ainda estou pensando nisso e não fui procurar algo que realmente tenha a ver comigo? Ai Roberta..”. E foram pensamentos como esse que me inspiraram a começar de novo, mas dessa vez, no caminho que eu sabia que gostava.

Decidi fazer um mestrado e já que estava virando tudo de ponta cabeça, resolvi buscar um mestrado fora. Comecei procurando no Reino Unido, porque achei uma bolsa de estudos chamada Chevening que pagava até para você respirar. Pensei “é isso que preciso nessa vida”. Eu e a torcida do Flamengo pensamos isso. Mesmo assim, escrevi todos os textos que me pediram, torrei a paciência de amigos pedindo para corrigir o que eu escrevia e do meu pai para me ajudar com documentos e outras papeladas e apliquei para as universidades. Eu precisava escolher três. E eu passei nas três! Fiquei tão feliz e, como sou de Peixes, já comecei a imaginar minha vida no País de Gales, onde eu ia morar, vendo vídeos da faculdade e custando para entender o sotaque. Eis que chega um e-mail do Chevening começando com “Obrigada”. Hmmm, se começa com obrigada você sabe que jaz. Sempre torça para começar com “Parabéns” (um clássico dos programas de estágio e trainee).

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Triste fim. Sem a bolsa não tinha jeito e minha ideia de fazer um mestrado fora começou a ficar longe. Eis que minha mãe olha para e mim e diz “Hellooo! Os mestrados não existem só no Reino Unido, vamos procurar mais!”. Provavelmente ela disse de uma maneira mais fina, obviamente, mas a mensagem era essa. E como minha mãe é a guru do Google (juro, tudo que você quiser ela acha), foi ela quem se deparou com um programa chamado EMRE (European Master in Renewable Energy) que faz parte da associação EUREC (European Renewable Energy Research Centres) e um consórcio de universidades participantes. Eu entrei no site, e quase chorei de emoção. ERA DEMAIS! Exatamente o que eu queria. Vou aplicar, vou aplicar! Mas calma, sem criar muitas expectativas. Há há! Qual a chance?

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Deixa eu explicar como funciona o mestrado. Ele é dividido em três “semestres”. O primeiro semestre (setembro/outubro a fevereiro) é chamado de “Core”, ou seja, é o ciclo básico em que você aprende um pouco de cada energia renovável (solar, eólica, biomassa e assim vai). É como se fosse o primeiro semestre ou primeiro ano de faculdade que você está estudando química, mas precisa passar em desenho técnico (e eu achando que era só desenhar moléculas). Nessa etapa você pode escolher entre 5 faculdades diferentes, todas com o currículo semelhante mas cada uma em um país: Alemanha, França, Espanha, Reino Unido (trauma) e Holanda.

O segundo semestre (fevereiro a junho/julho) é chamado de “Especialização” e aí você realmente vai estudar o que você gosta (até que enfim posso fugir da elétrica). Para essa parte também existem diferentes opções de faculdades nos seguintes países e seguintes especializações: Espanha (conexão de rede), França (energia solar), Grécia (energia eólica), Holanda (combustíveis sustentáveis para mobilidade), Portugal (energia dos oceanos) e o onipresente Reino Unido (fotovoltaica). Por fim, para o último semestre (junho/julho a dezembro) você precisa encontrar um estágio para fazer um projeto que será sua tese do mestrado. E sabe da parte mais legal? É mandatório mudar pelo menos uma vez que país! Lembrando que a mudança do Brasil para a Europa não conta como uma, né galera. Só avisando..

Agora vou contar um pouco das minhas experiências, quais faculdades escolhi e como foi tudo. Eu comecei chorando no aeroporto de Guarulhos e fui direto para a Alemanha em uma cidade chamada Oldenburg que fica bem ao norte. A cidade é fofa! Mas assim, é nano. Os primeiros dias foram completamente caóticos, porque tínhamos que fazer as seguintes tarefas: arrumar um contrato de moradia, nos registrar na cidade, abrir uma conta de banco, pagar a taxa de registro da faculdade, nos registrar na faculdade. NECESSARIAMENTE nessa ordem.

Prazer, Alemanha e sua organização. E preparem-se porque para tudo você precisa de hora marcada. Juro que um dia fui ao banco, tinham pelo menos cinco pessoas não atendendo ninguém e a moça me disse “me desculpa, mas você terá que voltar daqui 2 horas”. E eu suada de tão rápido que pedalei para chegar lá antes do banco fechar para almoço. Sim, isso também é uma coisa. Fora isso, o semestre foi maravilhoso. Conheci pessoas de milhões de países, a relação com os professores era ótima, todos nos ajudavam muito, a base de estudos que tivemos para a especialização foi bem forte e também nos divertimos muito. E o tempo passou tão rápido, que absurdo. Quando vi já era hora de mudar para a próxima cidade. E adivinha? Chorei litros novamente. Minha vida, minha história.

Meu próximo destino foi a Holanda em uma cidade chamada Groningen que fica a exatas duas horas de ônibus de Oldenburg. Foi a mudança mais rápida da vida. Lá fiz a especialização em Combustíveis sustentáveis para a mobilidade (que belo nome). E lá percebi que a universidade “Core” que eu escolhi foi realmente muito boa e nos preparou bem para a especialização.

Esse semestre foi cheio de trabalhos, apresentações, relatórios, provas e funcionou um pouco diferente do primeiro porque a faculdade era em módulos, ou seja, cada mês víamos uma matéria diferente quando na Alemanha tínhamos todas as matérias juntas. Durante esse período precisei buscar o estágio e como se faz isso? Da maneira mais ineficiente e frustrante possível: enviando milhões de e-mails. Toma bastante tempo, muitos não te respondem, mas é assim que funciona e no final consegui um estágio aqui na Holanda mesmo. E como já tinha mudado uma vez de país (lembra que era necessário?) pude continuar aqui!

Comecei então a trabalhar em um centro de pesquisa chamado TNO que é financiado pelo governo e sem fins lucrativos. Nessa empresa estou fazendo minha tese e é super “mãos à obra”. Hoje em dia sou o mito da chave de fenda com tantas coisas que tive que construir. E assim aprendi uma cultura diferente de trabalho: em geral as pessoas entram as 8h e saem as 17h, você não é julgado por isso e você pode dizer o que pensa porque aqui estão acostumados a ser diretos.

A parte final do mestrado é enviar a tese e fazer a defesa em Bruxelas (onde fica o Headquarter do mestrado) e é quando todo mundo se junta novamente. Caos na terra! São três dias de apresentação com um júri composto por três professores e, depois disso, só partir para o abraço! E claro, aproveitar as belas cervejas de mais de 8% de álcool que a Bélgica nos proporciona. Ah, agora entendi o porquê de tanto chocolate!

Bedankt em tot ziens!

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10 comentários

Nay Kerllen Fevereiro 4, 2018 at 4:02 pm

Parabéns pelo texto, Roberta.
Para eu, foi uma inspiração, pois faço graduação em engenharia de energia e pretendo terminar e fazer mestrado fora do Brasil.
Abraços,
Nay.

Resposta
Roberta Veronezi Figueiredo Fevereiro 8, 2018 at 10:51 am

Nay! Muito obrigada, fico feliz que tenho sido uma boa inspiracão pra vc! Se precisar de ajuda quando decidir procurar algo, só avisar 😉

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Marcia Ferreira de Figueiredo Fevereiro 4, 2018 at 11:52 pm

Essa.menina e um orgulho para toda sua família esse e o verdadeiro sentido de criar filho para o mundo… mas um filho assim, pronto e preparado para enfrentar w creacer sem mimimi…

Resposta
Roberta Veronezi Figueiredo Fevereiro 8, 2018 at 10:52 am

Muuuuito obrigada pela forca sempre!!! :D:D:D

Resposta
Karen Março 31, 2018 at 2:28 am

Oi, Roberta! Tudo bom?
Estava pesquisando sobre mestrado em energias renováveis e te encontrei aqui!
Muito legal o seu relato!
Gostaria alguma forma de entrar em contato pra esclarecer algumas dúvidas e pegar mais dicas, se for possível!
Abraços,
Karen 🙂

Resposta
Roberta Veronezi Figueiredo Maio 8, 2018 at 7:01 am

Oi Karen! Desculpa a demora em responder, mas você pode me mandar um e-mail : [email protected]

Assim consigo te ajudar melhor com suas dúvidas 😉

Resposta
Vinicius N. Abril 30, 2018 at 2:34 am

Oi Roberta, tudo tranquilo? Gostei demais de seu relato inspirador e carregado de emocoes =DDDD
Eu me graduei ha alguns anos (Eng. Eletrica), e desde que sai da universidade pensei em me envolver com energias renovaveis. Hora de agir! Muito obrigado!

Resposta
Roberta Veronezi Figueiredo Maio 8, 2018 at 7:03 am

Oi Vinicius! Que bom que te inspirei então!!

Se quiser alguma ajuda, só me avisar! 😉

Resposta
Rafael Lopes Maio 1, 2018 at 11:30 pm

Legal ouvir um relato assim! Meus parabéns por alcançar seus objetivos! Gostaria de saber se conseguiu alguma bolsa no fim das contas. E se pode dar algum conselho..estou com o objetivo de fazer um mestrado exatamente na área de Energia Eólica. Agradeço desde já a atenção! Obrigado!

Resposta
Roberta Veronezi Figueiredo Maio 8, 2018 at 7:00 am

Oi Rafael!!

Muito obrigada 🙂 No fim não consegui bolsa, mas também quando decidi fazer o mestrado aqui na Europa já era tarde para aplicar para umas bolsas do DAD que é uma instituicão alemanã que tem muitas oportunidades!
No mestrado que eu fiz a especializacão de eólica é na Grécia, em Atenas. Os meus amigos que foram para lá gostaram bastante e disseram que os professores eram bem bons e o ensino foi forte. Além disso, a Alemanha é muito forte em energia eólica (principalmente no norte do país) e a Holanda está comecando a investir bastante neste setor (també no norte) então no momento acho que essas seriam as melhores opcões caso você queira morar fora. No Brasil, existem dois programas de incentivo à energia eólica e solar e a maioria é para a região do nordeste, então acho que vale procurar algo por lá 😉

Espero ter ajudado, mas se quiser mais informacão, pode me contatar por e-mail!

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