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Mudar de país traz saudades, e anjos

Mudar de país traz saudades, e anjos!

Mais uma vez, chegou a hora da despedida. Estes três anos no México com certeza me transformaram. Me tornei mais crítica e talvez mais dura. Com certeza também mais corajosa (e mais briguenta), principalmente sobre meus pontos de vista e minhas opiniões. Escrever para o BPM também mudou minha vida. Quando você decide escrever sobre a realidade de um pais corrupto, violento e sofrido como o México, com certeza fará inimigos. Eu fiz vários e tive problemas até com minhas filhas, que não aceitam que eu “fale mal” do lugar onde vivemos e fomos felizes. Queria, neste último texto, deixar claro que não pude deixar de falar dos problemas graves que o México enfrenta, mas que encontrei aqui muita gente boa, e vou levar muita saudade deste país.

Quando saí do Brasil chorava e sofria a cada despedida, principalmente pois cada pessoa tinha um papel na minha vida, e sem elas a vida ficaria vazia e assustadora. Minha mãe, meu pai, minhas amigas queridas me asseguravam que eu fazia parte de uma comunidade. Sem elas, meu dia a dia não existia, e até pessoas como o porteiro do clube, a professora da escolinha das filhas, a manicure ou o guarda de trânsito legitimavam meu lugar no mundo, no meu país, na cidade, no meu bairro, na escola, na padaria, na farmácia, no supermercado… Estava tudo organizado, garantido, sossegado.

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Todo mundo, com o tempo, já carrega, inevitavelmente um monte de saudades. A infância com os primos, a casa dos avós, os amigos do colégio, as férias na praia, as baladas com as amigas e uma lista sem fim de coisas que já passaram. Mas, quando você muda de país, a lista de saudades aumenta. Surgem saudades de um monte de coisas que ainda não passaram. As coisas e as pessoas ainda seguem lá e estão acontecendo. É você que não está mais. E então, você passa a ter saudade do que não viveu, do que está perdendo.

E depois, quando você começa a andar de país em país, continente em continente você passa a ter mais casas, mais amigos, mais professoras, mais escolas, outros bairros, outras praias e o seu arquivo de saudades fica tão grande que você quase precisa de HDs externos para carregar todo mundo com você.

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Quando chega a hora de deixar um país, meu peito sempre aperta. As despedidas são sempre doloridas e você nunca acha que agradeceu o suficiente as pessoas que te ajudaram, todos que participaram de sua vida e que você nunca mais vai esquecer. Sempre fica a sensação de que você deveria ter sido mais explícita, deveria ter dito, eu gosto muito de você, mais vezes. E por mais que você repita que estas pessoas poderão contar com você para o resto da vida, você sabe que isto não vai acontecer com todos. Os amigos feitos em outros países são eternos, mas há pessoas de outras “camadas de relacionamento”, das quais você se lembrará para sempre, mas nunca saberá se realmente fez alguma diferença em suas vidas, para que elas também lembrem de você para sempre.

A verdade é que todo país tem seus encantos e seus problemas, mas o mais impressionante é que, em qualquer lugar do mundo, você encontra gente boa. Boa de verdade, disposta a te ajudar sem esperar nada em troca e principalmente sem te conhecer direito. Ser expatriado te traz uma riqueza imensa, idiomas e culturas diferentes, lugares incríveis para visitar, mas também muito medo e solidão. E, a única forma de tudo funcionar é contar com ajuda de “desconhecidos”. Com o tempo estes desconhecidos vão se tornando amigos e acabam sendo parte de sua família.

Antes de sair do Brasil, uma amiga me disse que existia uma coisa mágica em toda a expatriação: Você sempre encontrará um anjo, tipo uma fada, que vai surgir do nada e vai te ajudar com tudo o que você precisar. Hoje estou partindo para minha quarta expatriação e posso afirmar que, de tudo que ouvi sobre morar em outro país, esta é a maior verdade.

Então, a cada país, minha família aumenta, tenho mais gente para sentir saudade, para lembrar durante o dia, para enviar mensagens, para visitar. Tenho mais fadas e anjos para agradecer e muita gente nova e boa para amar.

Este é o ultimo texto que escrevo no México. Talvez em breve possa falar sobre meu novo país e sobre minha nova fada, que tenho certeza de que encontrarei por lá. Por enquanto, o que posso dizer é que todos os caminhos têm pedras. Carregá-las sozinha é difícil, cansativo, deprimente e muitas vezes, impossível. Mantenha seus olhos abertos, o mundo está cheio de anjos e fadas que vão cuidar de você, te ajudar com indicações de médicos, com o idioma, com locais, caminhos e até legumes desconhecidos, com as compras, com seu trabalho, com as crianças e com as emergências que sempre surgem. Vão chorar suas tristezas, curtir suas vitórias, te acompanhar e fazer parte de sua vida para sempre.

Ninguém está neste mundo sozinho e por mais que mudar de país possa ser assustador, também é maravilhoso. Principalmente quando você percebe que anjos e fadas existem e estão ao seu lado.

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2 comentários

Renata Salas Collazo Julho 10, 2018 at 6:47 pm

Beta,
Mais uma vez um texto que qualquer uma de nos poderia ter escrito, mas so voce para deixa-lo tao doce e verdadeiro. Minha admiracao pelo seu talento em transformar sentimentos em palavras tao bem escritas. Nao foi dessa vez que moramos no mesmo pais, mas concordo com a historia de fadas e anjos e voce me acolheu com tanto carinho em um tarde que me valeu por um ano inteiro. Sorte, amor e harmonia no novo pais.

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Roberta Mellis Julho 25, 2018 at 7:02 pm

Rê, muito obrigada! Te desejo muita sorte sempre e tenho certeza de que ainda nos encontraremos por este mundão!Beijo enorme!

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