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Brasileiros em Myanmar

Nos meus artigos até agora eu abordei temas relacionados à cultura birmanesa, como hábitos e curiosidades. O artigo deste mês será um pouco diferente, pois será sobre os brasileiros em Myanmar. Sim, para a surpresa de muitos eles existem! Uma comunidade pequena, mas unida. Acredita-se que no momento cerca de 25 a 30 brasileiros(as) estejam vivendo em Myanmar. O Brasil tem uma embaixada em Yangon, que conta com certa de 10 funcionários, entre brasileiros e birmaneses. Eu tive a oportunidade de conhecer alguns destes brasileiros ao longo da minha estadia aqui. Melhor dizendo, algumas, já que a maioria que encontrei são mulheres. Um grupo no WhatsApp tem um papel importante na comunicação entre as brasileiras de Yangon, já que ali podemos pedir dicas, tirar dúvidas, trocar informações, etc.

A maioria das brasileiras que moram em Yangon são casadas com estrangeiros e vieram parar aqui por causa do trabalho dos maridos, e outras, vieram a trabalho. Temos veteranas e recém-chegadas. Vamos conhecer algumas delas!

A Nathalie está aqui pelo segundo ano, pois seu marido é jogador de futebol num clube local. Ela conta como veio parar aqui e quais foram suas primeiras impressões: “Meu marido recebeu uma proposta de emprego no final de 2013 e em 2014, ele já veio para trabalhar; eu vim em 2015. A primeira vez que estive aqui para visitá-lo me assustei com a sujeira, o esgoto a céu aberto e com a enorme quantidade de manchas vermelhas pelo chão, por causa da cunha que eles mascam e cospem. Em pouco tempo (2 anos) isso diminui muito”.  A Nathalie está grávida e terá o bebê no Brasil, uma vez que a medicina local é muito precária.

Suyene, que está aqui há 7 meses, também está grávida e não terá o bebê em Myanmar. Seu marido trabalha na embaixada americana e ela tem uma filha de 2 anos. A família voltará para os EUA para o parto. Ela conta: “Essa é minha segunda gravidez e como muitas mães sabem, o parto é um momento mágico, mas cheio de surpresas, pois pode haver complicações. A imensa maioria dos expatriados que conheci foi para Bangkok, Singapura ou voltou para o seu país de origem, para terem seus bebês“.

A Nathalie ficou um tanto surpresa quando soube que viria morar em Myanmar: “Eu não sabia onde era!  Mas sempre gostei de conhecer lugares diferentes, pesquisei no Google e fui aprendendo na prática”.  No caso da Suyene, seu marido se candidatou à posição aqui, pois já conhecia um pouco da história do país e ambos tinham amigos morando em Myanmar, o que foi bastante recomendado. No entanto, ela ficou um tanto titubeante quando receberam a confirmação: “Fiquei com sentimentos conflitantes: feliz pela possibilidade de trabalho, oportunidades de viagem e passeio com a família, mas com receio de ficar grávida aqui, por estar distante da família e com uma filha tão pequena, e ter que viajar em caso de emergências médicas com ela.”

Ambas relatam o que mais gostam em relação ao Myanmar. Para Nathalie, a tranquilidade e a segurança do país. Já para Suyene, os lugares diferentes para se visitar, a arquitetura e vida cultural em Yangon.

Daniella acabou de chegar a Yangon há algumas semanas para trabalhar na Embaixada do Brasil. Apesar de não estar aqui há muito tempo, ela já pode ter algumas impressões. Segundo ela, foi muito difícil encontrar moradia apropriada (o que a maioria dos estrangeiros seguramente confirma) e é muito difícil se locomover na cidade, uma vez que o transporte público não é bom ou praticamente inexistente. Os taxistas não falam bem inglês, mas o suficiente para negociar a corrida. No entanto, muitas vezes não conhecem o endereço e não admitem isso. Mas apesar destes detalhes e do pouco tempo vivendo aqui, também teve impressões positivas sobre o país, ainda pretende explorar outros destinos de viagem.

Para Suyene: ”A comunidade brasileira (e lusófona para ser mais abrangente) é muito receptiva e calorosa. Foi sem dúvida um dos meus maiores alicerces na minha adaptação à nova cidade antes mesmo de chegar aqui.”  Nathalie compartilha da mesma opinião: “Eu acho a comunidade brasileira aqui bem unida, acho legal o suporte que a embaixada fornece.“ Eu também posso confirmar a hospitalidade e prestatividade das brasileiras e da comunidade lusófona em Yangon. Recentemente tive uma prova disso, num momento muito difícil da minha vida. Eu perdi minha mãe, que faleceu subitamente e, por estar em Yangon, não consegui voltar a tempo de vê-la. As meninas me deram um apoio incrível, o que me ajudou bastante até eu poder viajar ao Brasil.

Juliana no monastério onde da aulas como voluntária. Créditos: Juliana Cristine, www.instagram.com/jujunomundo .

Mais recentemente conheci através do BPM a Juliana, ex-colunista de Singapura.  Ela já estava na Ásia há um tempo e veio inicialmente ao Myanmar para ficar duas semanas, mas acabou ficando um mês e agora, prolongou seu visto e estadia para 70 dias. Ela dá aulas de inglês para crianças num monastério em Shan State e também ajuda numa fundação local que fornece uniforme de escola para as crianças da região e uma escola de verão onde podem aprender inglês. Ela, assim como eu, se apaixonou completamente pelo país: “No Myanmar eu encontrei o meu propósito de vida, e a cada dia, ao lado desse povo maravilhoso, minha vida ganha mais significado e felicidade” , diz Juju. Para quem quiser conferir suas aventuras neste canto do mundo, ela  tem perfil no Instagram, um blog e uma página no Facebook.  Entrem em contato com ela caso queiram ajudar nos projetos com os quais ela trabalha, por exemplo, com doações.

Fiquei surpresa ao saber que há  “tantos” brasileiros em Myanmar. É sempre interessante descobrir as histórias de vida de compatriotas vivendo nesta área. Myanmar tem mesmo uma magia; algo que prende, que fascina.

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12 comentários

Lynkx Julho 12, 2017 at 12:23 pm

Queria falar com algum Brasuca q more em Myanmar….

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Natalie Lima Agosto 18, 2017 at 2:48 am

ola, desculpe o atraso em responder, mas estava viajando em Julho e infelizmente acabei nao vendo o comentario antes. Esta planejando uma viagem ao Myanmar? Tem alguns brasileiros por aqui.

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Leidiane Abril 23, 2018 at 8:40 pm

Vc ainda está em Myanmar ??

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Natalie Lima Abril 29, 2018 at 12:05 pm

Oi Leidiane,nao, eu nao estou mais morando no Myanmar.

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Juju e o caso de amor pelo Myanmar... JUJU NO MUNDO Agosto 16, 2017 at 3:43 am

[…] Há algumas semanas escrevi um depoimento contando um pouco sobre minha experiência para o blog de amigas, confira no Mochilão Trips e no Brasileiras Pelo Mundo. […]

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Dione Conceção Novembro 20, 2017 at 3:32 pm

Eu sou dione eu quero um inprego mais eu não cei fala hindi
Eu tenho 2 filhos sou copeira hospitala

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Robinson Outubro 3, 2018 at 7:36 am

Ola pessoal, eu e minha esposa temos o desejo de nos mudar para mianmar, mas conhecemos pouco sobre o pais. Gostaria de saber quanto custa um aluguel de uma casa ou apartamento simples de 1 quarto, sala , cosinha e banheiro na capital. Qual eh o custo de vida? Preciso mais ou menos de quanto em reais para eu e a esposa ter uma vida simples?

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Natalie Lima Outubro 3, 2018 at 9:36 am

Oi Robinson, tudo bem? Que legal que voces estão pensando em se mudar para Myanmar. A maioria dos estrangeiros não mora na capital, que é Naw Pyi Daw, mas em Yangon, que é a antiga capital e maior cidade do país. O custo de vida pode variar bastante, depende do bairro onde voce queira morar, tamanho do apartamento. Aluguel em Yangon não é muito barato, um apartamento simples de 1 quarto pode custar pelo menos uns 500 a 800 USD. Depende muito da região. Geralmente os senhorios exigem 1 ano de aluguel adiantado, as vezes 6 meses. Comida em geral é barata, mas se voce quiser comprar produtos nos supermercados direcionados aos expatriados (com produtos importados etc) será mais caro. Caso voce tenha filhos teria que ver o tema de escolas internacionais (que são bastante caras). Transporte publico e muito ruim, então a maioria usa taxis, as corridas custam em media uns USD 2- 5 dependendo da distancia.

Eu aconselharia voce entrar em grupos de expatriados em Myanmar/ Yangon para poder pesquisar melhor, no momento não estou mais vivendo em Myanmar faz um ano. Nestes grupos voce pode obter informações atualizadas e também tirar suas dúvidas com o pessoal que está lá. Existe um grupo chamado Brasileiros em Myanmar, e também há grupos em ingles, sendo o maior e mais completo o “Yangon connection”. Boa sorte!

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Cristina Novembro 11, 2018 at 3:45 am

Olá, vc ainda esta em myanmar? Me identifiquei com a historia da nathalie! Meu marido é jogador e tb esta indo, e em breve irei com nossa filha, seria legal ter brasileiros por perto, ainda mais nesse inicio que dá um friozinho nabarriga! Obrigada pelas informações, beijos

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Natalie Lima Novembro 12, 2018 at 2:24 am

Oi Cristina,
Eu não moro no Myanmar já faz um ano, mas sei que ainda tem brasileiros lá. Cheguei a conhecer alguns jogadores e uma brasileira casada com um jogador (acredito que voltaram ao Brasil), recomendo voce entrar no grupo “Brasileiros em Myanmar” no Facebook. Lá voce pode trocar experiencias e contatos com conterraneos que estão no país no momento. Boa sorte! Beijos

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Camila Janeiro 24, 2019 at 12:19 am

Olá! Vc conseguiu morar um ano em Myanmar porque estava travalhando ou foi estendendo o visto, e qual é o processo para conseguir morar lá?!
Obrigada pelo artigo!!!

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Natalie Lima Janeiro 25, 2019 at 4:12 am

Oi Camila,
Eu tinha visto de negócios quando trabalhava em Myanmar e fui prorrogando o visto algumas vezes, agora faz 1 ano que não moro mais no Myanmar então não sei se o processo mudou. Caso tenha interesse em passar um tempo em Myanmar recomendo checar alguns grupos no Facebook como Yangon Connection e Brasileiros em Myanmar, lá voce encontra várias dicas. Um abraço!

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