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Não mude por alguém, mude com alguém

Fonte: hubimagens

Não mude por alguém, mude com alguém.

Na vida de muitas mulheres que moram no exterior, há uma coisa em comum: a mudança em razão da carreira da pessoa amada. Claro que não é uma regra, existem casos de mulheres que encabeçam a mudança da família pela sua própria profissão, como também existem aquelas que vão sozinhas ou pessoas que decidem ir em outras condições.

Mas esse assunto do POR alguém ao invés do COM alguém tem rondado meus pensamentos ultimamente e acho que pode servir de reflexão para pessoas que possam se identificar com a situação.

Tanto no consultório atendendo brasileiras e brasileiros no exterior, ou na vida cotidiana conversando sobre mudanças às vezes costumo ouvir relatos de pessoas comentando sobre como foi a decisão de mudar-se de país ou de cidade: muitas vezes a decisão vem a partir de uma proposta que algum dos cônjuges recebeu e que parece ser algo bastante interessante para a pessoa e, muitas vezes, também para toda a família, por conta das oportunidades que podem surgir a todos, proporcionando uma vivência que pode trazer muito aprendizado e crescimento.

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Porém, quase sempre quando este tipo de coisa acontece, a contrapartida é que, na maioria das vezes, apenas um dos cônjuges acaba indo empregado ou com um curso em vista. Normalmente o outro se vê em uma situação em que o que existe é esperança de novas oportunidades (ou, às vezes, nem isso) e uma frase que costuma aparecer é algo como: “Estou indo POR CAUSA do trabalho/dos estudos do fulano (a)”.

Pode parecer uma bobeira chamar atenção para a construção da frase, contudo, como estudante de Lacan que sou, “não posso deixar passar batido” e acho que vale conversarmos a respeito, ou melhor, escrever.

Quando fazemos algo POR alguma coisa, acredito que podemos notar um certo peso, obrigatoriedade ou falta de opções. Me passa pela cabeça algo do tipo: “tem que fazer porque sim”, sem que haja um espaço para que as partes envolvidas possam realmente decidir por aquilo, me remetendo a algo como a impossibilidade de outras decisões, algo como se as pessoas envolvidas estivessem submetidas, gerando uma relação meio que de dependência e ordem.

Já quando tomamos uma decisão COM alguém, penso que a relação da frase remete a algo muito mais igualitário, em que as pessoas envolvidas decidem juntas, sem a dinâmica de um peso sobre o outro, mas com a concordância e representatividade dos envolvidos na escolha.

Como já falei um pouquinho, acredito que, sim, muitas vezes uma mudança ocorre porque alguém recebeu uma proposta interessante e que, muitas vezes, as sincronias da vida não são as mais afinadas. Com isso, a consequência é que talvez o outro lado do casal, ou até mesmo os filhos, tenham que abrir mão de planos pessoais,  exigindo sacrifícios nas mais variadas áreas para que aquele plano que exige a mudança possa ter continuidade.

Claro que uma coisa é fato: mudança sempre vai exigir sacrifícios, não tem jeito, mudar sempre vai nos exigir abrir mão de muitas coisas. Como já diz o ditado: cada escolha, uma renúncia. Mas como bem é dito, há uma escolha, é preciso que as pessoas envolvidas na mudança possam se sentir escolhendo em alguma ordem e não sendo obrigadas.

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Por conta disso, acho importante prestarmos atenção em algumas coisas: é preciso que as pessoas envolvidas possam encontrar uma motivação própria para darem o passo da mudança, é imprescindível que todos os envolvidos construam motivações pessoais para que essa jornada que muitas vezes é tão desafiadora não pese apenas nos ombros de uma pessoa, porque, quando isso acontece, o relacionamento pode acabar muito estremecido.

Venho percebendo com o tempo que quando isso acontece a dinâmica pode ser tornar muito desequilibrada e a tendência é que as pessoas explodam quando os problemas apareçam, falando ou sentido coisas do tipo: “Tudo isso aconteceu POR causa do fulano/a, se não fosse por tal coisa não estaríamos aqui…”, o que pode ser muito doloroso para todo mundo.

Para aqueles que foram os responsáveis pela mudança pode ser super pesado e estressante porque, além de terem que lidar com a própria adaptação e a dinâmica familiar no geral, é possível que se sintam responsáveis pela felicidade da família inteira! Já parou para imaginar como isso pode ser uma responsabilidade impossível para alguém?

E para aqueles que vão POR causa de alguém, a dinâmica também pode acabar seguindo nessa linha e ao invés de traçarem seus próprios caminhos, sonhos, planos e desejos para essa nova jornada, é possível que acabem colocando o peso da própria felicidade sob os ombros do outro que provavelmente vai estar passando por desafios também.

Como já diria Freud: A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz.

Sei que não é um assunto fácil, ele se desdobra em muitas camadas e cada família e casal tem a própria dinâmica e cada um de nós enquanto sujeito tem suas questões, e sim eu sei que existirão situações em que inevitavelmente alguém irá contrariado, mas com esse post quero convidar você a pensar na forma como tem tomado suas decisões, como sua família tem decidido e como vocês podem trabalhar para que diante de cada desafio que a vida apresenta, todos possam ter voz e construir sua própria motivação para seguir, para que as individualidades possam ser respeitadas e para que cada um possa viver os próprios sonhos no seio familiar! E lembre-se, se isso tem sido um desafio, um problema ou dolorido, não deixe de buscar ajuda, no meu site falo sobre meu trabalho com atendimento online como psicóloga e aqui no BPM temos também as Psicólogas pelo Mundo.

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