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O que é o Ramadã?

O que é o Ramadã?

Como toda religião, o islã tem suas práticas e rituais. Existem diversas datas sagradas para o islã, mas o período mais significativo do ano é o Ramadã.

O Ramadã acontece durante o nono mês do Hijri (calendário islâmico). É considerado o mês mais sagrado do ano, pois marca a revelação do Corão ao Profeta Maomé. Praticar o Ramadã é considerado um dos 5 pilares do islã.

Como eu disse no artigo sobre os feriados em Dubai, o calendário islâmico é lunar. Ou seja, baseado nas fases da lua. Por isso a maioria dos feriados acontecem em dias diferentes a cada ano. E isso faz com que o Ramadã não aconteça sempre na mesma data (para nós, que usamos o calendário gregoriano). Espera-se que em 2019 o Ramadã deva acontecer entre os dias 5 de maio e 4 de junho.

Uma curiosidade: para a determinação da data do Ramadã, o governo dos Emirados adota o pronunciamento oficial do comitê de observação da lua que acontece em Meca, na Arábia Saudita. Isso porque Meca é a cidade onde nasceu o Profeta Maomé e onde ele recebeu a revelação do Corão. Para os muçulmanos, é a cidade mais sagrada do mundo.

Leia também: Como obter documento e visto de trabalho em Dubai 

E o que é praticar o Ramadã?

Durante o Ramadã os muçulmanos devem se abster de qualquer tipo de impureza que possa danificar seu corpo e, consequentemente, sua alma. Isso inclui fumar, comer e beber (inclusive água) desde o nascer do sol até o anoitecer. Mulheres grávidas, crianças (antes de atingir a puberdade), idosos e pessoas com algum tipo de incapacidade não são obrigadas a praticar o jejum.

Importante lembrar: a maioria das informações que estão neste artigo, eu obtive no site oficial do governo dos Emirados sobre o Ramadã. Se alguma coisa foge da realidade na vida familiar dos muçulmanos, já é outra história.

Para os muçulmanos, jejuar durante o Ramadã é um dos pilares do islã. Tem um significado espiritual, com o propósito de limpar a alma, ao se abster de impurezas.

A saudação durante este período deve ser “Ramadan Kareem“, que significa “feliz Ramadã”.

Uma outra tradição aqui nos Emirados acontece no primeiro dia do mês que antecede o Ramadã, quando crianças se vestem com suas melhores roupas e visitam as casas da vizinhança recitando poemas e cantando canções locais. Os vizinhos os recebem com doces e nozes, que são recebidos pelas crianças em sacolas de tecido. Alô, Halloween!

Na primeira noite do Ramadã, a família se reúne na casa do chefe da família – geralmente o avô – para realizarem o primeiro Iftar (refeição que termina o jejum do dia). Essa refeição, o Iftar, é um momento de celebração e comunhão familiar.

É bastante comum, inclusive, as famílias receberem amigos, inclusive, não muçulmanos, como uma forma de apresentar um pouco de sua cultura. E é de bom tom que você aceite o convite. Pega mal se não for…

Tanto nos Emirados como nos outros países do Golfo Pérsico, as tâmaras são consideradas o “pão do deserto”. Por isso, um doce muito tradicional durante o Ramadã é uma espécie de pão com tâmaras e cardamomo feito por emiratis.

Inclusive o jejum é, tradicionalmente, quebrado ao comer tâmaras, laban (uma espécie de leite fermentado) e beber água.

Um tempo de caridade

Especialmente aqui nos Emirados, o Ramadã marca um período de caridade e ajuda ao próximo. Para se ter uma ideia: são espalhadas geladeiras pelas cidades, com a intenção de distribuir comida gratuitamente aos menos favorecidos.

Em 2018 foi feito um mapa interativo, mostrando que haviam mais de 200 geladeiras espalhadas pela cidade, distribuindo sucos, frutas, leite, laban e comidas industrializadas.

Como os alimentos são geralmente doados pela própria população, todos se unem em prol de ajudar ao próximo e isso mostra um lado muito bonito e solidário de Dubai.

Um pouco mais sobre como funcionam as geladeiras você pode ler aqui, em inglês.

Leia também: Ramadã na Turquia 

No que o Ramadã impacta no dia a dia?

Como a principal prática do Ramadã é o jejum, existem algumas mudanças que mudam a cara do dia a dia num país muçulmano.

Por exemplo: por lei, a jornada de trabalho é reduzida em 2 horas por dia, tanto para o setor público quanto para o privado, incluindo não muçulmanos, sem desconto no pagamento. Existem alguns lugares, principalmente órgãos governamentais, que até fecham e não realizam atendimento durante este período. Essa redução se dá por conta de os muçulmanos estarem “mais fracos” ou sonolentos por estarem em jejum.

Choque de realidade: na verdade, eles estão jiboiando por terem ficado a noite inteira acordados, comendo um banquete durante a madrugada.

Sim, esse é o macete deles. Assim que o sol se põe e eles estão liberados pra comer, começa o banquete. A cidade troca o dia pela noite e tudo funciona até altas horas da madrugada. Isso porque os muçulmanos – que já comem bastante normalmente – compensam todo o jejum feito durante o dia.

Não muçulmanos não são obrigados a jejuar, afinal esta é uma prática religiosa. Porém não podemos comer, beber ou mastigar chiclete em público.

Um espaço compartilhado como uma praça de alimentação no shopping, recebe uma cobertura de tapumes, para evitar que muçulmanos vejam outras pessoas se alimentando. Restaurantes também isolam suas fachadas, permitindo que clientes possam usar o espaço sem ofender os praticantes da fé islâmica.

Alguns restaurantes fecham e só reabrem no pôr do sol, o horário do Iftar. Vira tudo uma loucura: os restaurantes criam pacotes para o Iftar, procurando atrair clientes para este horário. Teve até pacote de Iftar vegano! Por conta de toda essa procura, é recomendável que faça reserva para garantir a mesa pois a procura é muito grande no horário do jantar.

É um marco grande. Um mês inteiro sagrado para os muçulmanos. Um período de introspecção.

Viver num país muçulmano tem suas restrições mas de que outra forma eu poderia aprender tanto?

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