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Argentina Melhores bairros e onde morar

Onde morar além de Buenos Aires

Há pouco mais de 5 anos quando estávamos, eu e meu marido, decidindo onde viver aqui em Buenos Aires, não me passava pela cabeça a questão geográfica, as distâncias e as comodidades de viver em determinada zona. Os únicos lugares que conhecia de Buenos Aires (e da Argentina até então) eram no circuito turístico da Capital Federal e, quando me perguntaram onde queria viver, minha resposta automática foi Buenos Aires, imaginando que era o mesmo que morar na Capital Federal.

Para entender um pouco e para efeito de comparação com o Brasil, a Argentina está formada por 23 províncias (estados), mais CABA (Cidade Autônoma de Buenos Aires, que seria o Distrito Federal). CABA é também o destino de grande parte das pessoas que vêm viver aqui, basicamente porque nela estão a UBA (Universidade de Buenos Aires), escritórios das grandes empresas, atrações culturais e turísticas mais fortes e os grandes centros de compras.

Buenos Aires como um todo (província + CABA), recentemente foi eleita como a melhor cidade latino-americana para viver segundo um ranking do jornal The Economist, feito em 2018, que avalia fatores como meio-ambiente, cultura, saúde, transporte, educação e infraestrutura. É verdade que somos notícia muito mais pela instabilidade da nossa moeda, e esse assunto me afeta muito, mas não posso negar que a qualidade de vida aqui é muito melhor do que a que eu tinha no Brasil, e isso nem sempre significa ter dinheiro no bolso.

Pensando nisso, resolvi escrever meu primeiro texto aqui sobre onde viver em Buenos Aires, sem ser na Capital, apresentando como opção a Zona Norte, onde se pode chegar em carro ou ônibus, pela Autopista Panamericana ou de trem, que leva a Tigre.

Conhecendo a Zona Norte da Província de Buenos Aires

Tomando como referência o trem da Linha Mitre-Ramal Tigre, que sai da Estação Retiro (Capital), vamos fazer um recorrido por suas paradas, e ter uma ideia de lugares para morar que podem ser até opções bem mais econômicas. Inclusive há muitas pessoas que vivem na Zona Norte e trabalham na Capital. A viagem é de aproximadamente 1 hora partindo de Tigre.

Lisandro de la Torre, Nuñez, Belgrano e Rivadavia

É a parte mais ao norte da Capital Federal. A forte atividade comercial da Av. Cabildo se contrasta com os inúmeros edifícios de apartamentos, alguns de alto luxo (a maioria é de classe média/alta), assim que não está demais dizer que é caro viver aqui, seja alugando ou comprando. É uma zona repleta de parques, quadras de esportes e muitas áreas ao ar livre onde, principalmente no verão, é comum ver muita gente fazendo picnics, famílias inteiras aproveitando os meses de sol, compartindo um mate e uma conversa. É uma imagem que pessoalmente me transmite muita paz.

Também encontramos o Bairro Chino, cuja atividade está praticamente conservada em uma rua, cheia de postos de comida entre outras coisas. É visita quase obrigatória de turistas ou de gente como eu que, as vezes busca algo (como azeite de dendê) que não vende nos mercadinhos de bairro ou grandes supermercados. Para os amantes do futebol, temos o Estádio do River Plate e todo o seu entorno bem cuidado. Em qualquer calçada, praça e campo aberto podemos cruzar com pessoas correndo, em grupos de Crossfit, andando de bicicleta ou improvisando no futebol, ou no futebol americano.

Vicente López, Olivas, La Lucila, Martinez, Acassuso e San Isidro

É o trecho mais procurado para viver, não está nem tão longe nem tão perto da Capital e assim se sente bem menos a correria dos grandes centros urbanos. Sobre tudo em Martinez e San Isidro, as casas conservam o modelo de construção dos anos 80: grandes, estilo colonial, muitas delas sem muros. Mas também encontramos edifícios novos ou muito bem conservados. Aqui reina o estilo “Casa Quinta”, que são terrenos extensos, com casas enormes com piscina e ideais para um fim de semana relaxado. Tem ruas que são tão lindas que para mim parecem até foto de cartão postal. É o refúgio de empresários estrangeiros, embaixadores, artistas e herdeiros de famílias tradicionais. Possuem escolas, muitas delas
bilingues, praças, parques e, no mais famoso deles, banhado pelo Rio de La Plata, é onde acontecem shows e feiras gastronômicas e de artesanato. Além do forte aspecto residencial e familiar, aqui também encontramos edifícios onde funcionam escritórios comerciais, porque com o passar dos anos, essa parte Buenos Aires ficou na moda e várias empresas, inclusive brasileiras, se instalaram aqui. Os centros comerciais dessa zona privilegiada têm de tudo, assim praticamente não existe a necessidade de ir até a Capital para fazer compras, por exemplo. Na parte mais residencial, praticamente cada esquina tem uma guarita com segurança, que acredito ser privada, e as ruas sempre têm câmera. O índice de criminalidade é bem baixo. Na minha opinião, é um lugar lindo para quem tem filhos e um poder aquisitivo confortável.

Leia também: Os espaços públicos na vida da capital argentina

Beccar, Victoria, Virreyes, San Fernando, Carupá

Economicamente falando, é o lugar onde mais convém morar, pois não é tão exclusivo quanto a zona descrita no tópico anterior, apesar de que suas casas têm um estilo parecido, porém menos suntuoso. Nos últimos anos houve um crescimento significativo na construção de apartamentos, então há muita oferta. O comércio aqui é bem mais popular e confesso que em alguns lugares falta infraestrutura, limpeza e organização. Também conta com todos os serviços essenciais como hospitais, escolas, assistência jurídica, delegacias e etc. É uma zona de indústrias químicas, têxteis e principalmente as ligadas ao ramo náutico. Explico: aqui se destacam as atividades ao redor das Ilhas do Delta do Paraná, onde além de turismo existem muitas empresas que se dedicam à construção e venda de embarcações.

Tigre

Creio que a única coisa que mais me preocupava em mudar de país, era a questão da segurança, mas em 2013 Tigre, destino final da linha de trem desde Retiro, já se apresentava como uma opção de segurança para todos. Além disso, tem muitas atrações turísticas e de lazer para quem quer sair um pouco do convencional Palermo, Caminito, Puerto Madero e Recoleta. Tigre é bem grande sim e há opções de moradia para todos os orçamentos, desde bairros mais simples como Pacheco e El Talar, até o Nordelta que é um conjunto de condomínios, muitos deles à beira do rio, onde a segurança é reforçada, o que faz dessa uma opção bem cara. Já faz um tempo que Tigre se vende como como uma cidade onde “seguramente“ se vive bons momentos, e tem sido assim para mim há 5 anos.

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