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Øresund, a ponte entre a Dinamarca e a Suécia

Sou Marcele, maranhense de nascimento, brasiliense de criação, dinamarquesa por casamento, sueca de coração, øresundner de localização e muita confusão! Desde de 2011 resido na região de Øresund, mas minha relação com a terra dos contos de fadas, antigos reinos, frutinhas vermelhas e igualdade de direitos começou em 2008, quando um lindo viking de olhos azuis-esverdeados se materializou em meu caminho como num simples passe de mágica. E desde então, vivo uma vida dupla, ora a ervilha chatinha e perturbadora do sono real, ora a gentil, amável e imprevisível menina Pippi Meialonga,  questionadora de tudo e mais um pouco.

Agora que já fomos devidamente apresentados e nos tornamos amigos de infância, vamos à construção da nossa ponte, essa bela estrada que conecta dois lindos reinos – Dinamarca e Suécia – que de tão semelhantes e paradoxais dão muito nó na cabeça de seus residentes.

A história da construção dos Reinos da Dinamarca e da Suécia possui muitos pontos em comum e são considerados, muitas vezes, reinos irmãos. E como todos bons irmãos, brigas e guerras não faltaram pelo meio do caminho. Mas como o bom da vida é que a gente se torna vintage, amadurecido e sábio (pelo menos deveria!), a Dinamarca e a Suécia perceberam que juntos são mais fortes e, deste modo, resolveram estreitar seus laços fraternais.

E numa de suas conversas regadas a muitos snaps (tipo de cachaça dinamarquesa e sueca) e arenques, o momento eureca oresundiano aconteceu e o refrão “Vamos construir uma ponte em nós” surgiu. É amiguinhos, Sandy e Junior não são tão originais assim!

Contudo não se enganem, pois a fraternidade estatal é um ser interesseiro e, deste modo, a principal razão para a construção da Ponte de Øresund (dinamarquês) ou Öresund (sueco) foi trazer a Escandinávia o mais próximo possível do continente europeu, fomentando o desenvolvimento dessa região através da promoção do intercâmbio comercial e fortalecimento dos laços econômicos.

A região de Øresund é constituída pela área sul da Suécia, Escânia, e pela zona leste da Dinamarca, as ilhas de Zelândia, Lolland-Falster, Møn e Bornholm, e possui uma população combinada de 3,7 milhões de pessoas. Ressalta-se que a região da Grande Copenhague-Malmö representa a maior conurbação da Escandinávia com seus 2,6 milhões de habitantes, o que para parâmetros tupiniquins é bem menor que a população do Distrito Federal.

Depois de mais de um século de debate sobre a construção da ligação fixa conectando os dois países, foi assinado, em 23 de março de 1991, o acordo derradeiro para interligar as cidades de Copenhague, na Dinamarca e Malmö, na Suécia. O complexo rodoferroviário é oficialmente nominado de Ligação Fixa de Øresund, embora seja frequentemente chamado de Øresundbron ou Öresundbroen na Dinamarca e na Suécia, respectivamente. Tal ponte, na verdade, é uma combinação de 4 km de túnel submerso, 4 km de ilha artificial – Peberholm – e 7.845 metros de ponte estaiada que juntos abrangem os quase 16 mil metros entre os dois países.

O engendrado design da ponte-túnel pauta-se no respeito ao meio ambiente e pelas tradições de construção nórdicas, simples e racionais e, em especial, para permitir a navegação no estreito de Øresund. A ponte, uma das mais longas de sua categoria, possui um pilar de 204 metros e pesa cerca de 82 toneladas. A rodovia possui quatro faixas de rodagem, já a ferrovia situa-se abaixo da rodovia na ponte e paraleliza-se a rodovia no túnel. Os barcos de grande porte passam sobre o estreito de Drogden (faixa de mar sobre o túnel) e os demais, abaixo da ponte que possui uma folga vertical de cercar de 57 metros.

A estrutura do túnel é constituída de elementos de concreto e ecológicos situados no fundo do mar através de tecnologia semelhante as utilizadas na instalação de base de extração de petróleo.

A disposição global desse emaranhado de concreto, inaugurado em 1º de julho de 2000, foi desenhada pelo arquiteto dinamarquês Georg Rotne e a construção, que demorou 5 anos para ser concluída e custou cerca 3 bilhões de euros, foi financiada pelo consórcio de Øresundbron.

Os pilares da ponte e o parque eólico de Lillgrund propiciaram a formação de um recife natural e são um ambiente protegido para a vida marinha. A ilha artificial de Peberholm, que conecta o túnel e a ponte, foi construída a partir de material retirado do fundo do mar local e um parque ambiental foi erguido na ilha, tornando-se um santuário para pássaros e outros animais da região, dentre eles, um raro sapinho verde danadinho, gosmentinho e famoso por ter inspirado a lenda do sapo-príncipe. Às moças e aos rapazes interessados em comprovar a veracidade da lenda, informo-lhes que há uma saparia ao redor da costa de Øresund.

Aproximadamente dois terços dos viajantes preferem o conforto do trem, que garante uma soneca revigorante de 35 minutos do centro de Malmö ao centro de Copenhague – só não vale babar! Mas como não há rosas sem espinhos, o dolorido pedágio pode custar, por percurso, até 46 euros de carro ou 13 euros de trem.

A experiência de atravessar a ponte, seja de carro ou de trem, é inesquecível e um choque de realidade ao constatar a capacidade do ser humano em transformar o espaço ao seu redor. A cada travessia, reflito sobre a justaposição da vida de migrante e a estrada da aceitação, onde o escuro túnel representa as decepções e frustrações diárias nessa batalha pela inserção e, a ponte vem a ser a alegria e a normalidade que tanto almejamos. E é desta esperançosa pangeia que conversaremos em nossos posts.

Para mais informações, visite o site oficial da ponte.

Hejdå (sueco), Hejhej (dinamarquês), Tchau!

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7 comentários

André Radigonda Janeiro 26, 2017 at 6:13 pm

Seu texto ficou muito gostoso de se ler, Marcele! Cheguei ao fim querendo mais! Parabéns! Por curiosidade, você faz essa travessia praticamente todos os dias?

Resposta
Marcele Rask Janeiro 27, 2017 at 2:08 pm

Olá, André. Boa Tarde.
Que felicidade saber que você gostou do texto. Essa ponte tem um significado muito especial para mim 🙂
Atravesso cerca de 3 a 4 vezes por semana. Às vezes mais, às vezes menos, dependendo das atividades que tenho a realizar.
Dentro de alguns dias, um novo texto sobre esses dois mundos será publicado. Fique ligado, acho que lhe agradará também. 🙂
Forte abraço.
Marcele

Resposta
André Radigonda Janeiro 28, 2017 at 4:57 pm

Oi! Obrigado pela atenção! 🙂
Interessante! Me interesso bastante por esses dois mundos que você está inserida. Seguramente me agradará. Ficarei atento por aqui!
Abração!

Resposta
Marcele Rask Janeiro 29, 2017 at 5:26 pm

Que maravilha, André 🙂
Vou adorar ter sempre o seu feedback.
Forte abraço! 🙂

Resposta
anderson Abril 5, 2017 at 2:30 am

Oi parabéns pelo Post. Sou um estudante de engenharia civil em minas gerais e estou fazendo um trabalho sobre a ponte oresund, gostaria se você puder fazer um pequeno vídeo falando sobre os benefícios da ponte e sobre a interculturalidade que ela gera.obrigado.

Resposta
Marcele Rask Abril 5, 2017 at 9:41 am

Oi Anderson.
Obrigada, fico feliz que tenha gostado do artigo.
Faço, claro, adoraria ajudar.
Te enviei um email, responde com o que você precisa e para quando, e eu te envio o video.
Um abraço.

Resposta
anderson Abril 7, 2017 at 1:42 am

Obrigado desde já.

Resposta

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