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Passeando e conhecendo o mundo: do Recife para a França

Passeando e conhecendo o mundo: do Recife para a França.

Meu trajeto passeando pelo mundo começou logo cedo. Filha, neta e sobrinha de militares, acho que já cheguei predestinada a navegar. Não tenho amigos de infância, nem tenho raízes profundas em nenhum lugar, mas aprendi desde cedo que posso ter o novo. Que o desconhecido traz mil possibilidades.

O que mais eu podia querer? Aprendi logo cedo a lidar com despedidas e recomeços, com saudade e desafios. Aprendi a ser camaleoa, a mudar, a me refazer, a pertencer. Aprendi a aprender. Nasci no Recife, onde vivi apenas 3 anos antes da minha primeira mudança, pra Natal, no Rio Grande do Norte. E depois de menos de um ano, nos mudamos pro Rio de Janeiro, onde (acho que posso dizer que) cresci. E quando eu tinha a ilusão de que a vida era fácil, confortável e já tinha esquecido o que era mudar de cidade, de escola e de amigos, veio a notícia de que voltaríamos a passar um tempo no Recife. Foram só
alguns meses, antes de voltarmos pro Rio outra vez, e de depois irmos pra Palmas, onde ficamos até a próxima volta pro Rio. Nesses vai-e-vens não lembro nem exatamente em quantas casas moramos ou em quantas escolas estudei. Mas lembro que, depois de dois anos da nossa última volta pro Rio, acabei indo embora mais uma vez e de novo pra Recife. Na verdade, dessa vez, Olinda, onde ancorei com minha irmã, meu irmão e minha mãe, depois do divórcio dos meus pais.

Passadas todas essas mudanças e ensinamentos de infância e adolescência, eu me lancei no mundo pela primeira vez aos 19 anos, com uma mala, com toda a minha vontade de viver e com meus olhos (ainda inocentes) brilhando de curiosidade. Tranquei a faculdade, deixei um namorado e fui para o Canadá, sem saber se iria querer voltar pro Brasil. Acabei ficando um ano. Foi minha primeira viagem internacional e acabou se tornando a experiência mais avassaladora e engrandecedora que já vivi.

Ali entendi que mudar de estado e de cidade era pouco, que o mundo é enorme e que e  queria vê-lo tanto quanto possível de perto. No Canadá aprendi uma nova língua, fiz amigos de vários lugares do mundo, viajei, me apaixonei, trabalhei, virei dona do meu nariz e provei pra mim mesma o quanto sou forte e como o mundo pode ser uma boa escola quando estamos dispostos a aprender com ele.

Leia também: tudo que você precisa saber para morar na França

Em meio ao meu amor por viagens, nasceu meu amor pela literatura e por línguas. E foi por meio dele que acabei chegando à minha faculdade de Letras, que por sua vez acabou me levando a um outro amor sem volta: o amor pela língua francesa.

Aos 18 anos comecei a estudá-la e, depois de voltar do Canadá com aquele sentimento incômodo de quem não consegue mais ser o mesmo de antes, tudo que queria era viajar pra viver uma nova aventura e mergulhar nessa língua que me fascinava. Foi assim que,
em 2015, já ao final da graduação, tive a chance de fazer um intercâmbio em Paris. Aqui trabalhei 8 meses, descobri uma nova casa no mundo, uma versão melhor de mim e conheci o homem que mudou minha vida pra sempre.

No meu sexto dia na França, encontrei meu marido e nunca mais nos afastamos. Exceto quando ele recebeu uma proposta de emprego na Coreia do Sul e eu estava de malas prontas pra voltar pro Brasil.

Mas eis que o destino tinha novos planos de viagem pra mim e, depois de muitos meses de Skype e de saudade, surge aquele convite inesperado “Vem passar um tempo na Coreia do Sul comigo?”. Eu fui, é claro. A Coreia do Sul nunca tinha nem estado na minha lista de países a visitar e agora eu estava ali, pesquisando sobre, me informando e me preparando pra essa nova aventura. Foi assim que morei 6 (incríveis e desafiadores) meses no país e que firmei relacionamento com meu parceiro de pé na estrada.

Foto: arquivo pessoal

Eu me lancei numa nova vida a dois, em um novo país, com a cultura mais diferente que eu já havia vivenciado. Arrisquei estudar a língua local e, mais uma vez, enfrentando medos e desafios, fiquei grata ao mundo por ter aprendido tanto.

Sou tradutora, revisora, vegetariana, entusiasta do movimento lixo zero, mas antes de tudo isso sou exploradora desse mundão que tem tanto a nos mostrar e ensinar e tento estar sempre aberta às mudanças que possam surgir, seja ela uma mudança de endereço ou de profissão.

É sobre essas mudanças, minhas trocas, aprendizados e tropeços na vida longe das nossas terras tupiniquins que gostaria de dividir com vocês. Quero tornar minha vivência aqui ainda mais bonita da melhor forma que conheço: dividindo, contando sobre minhas descobertas e assim, talvez, iluminando o caminho de alguém que esteja perdido por um lugar por onde eu já passei.

Afinal, depois das minhas andanças pelo Canadá, pelos Estados Unidos, aqui pela França, em Marraqueche, em Berlim, na Itália, pela Coreia, nas Filipinas, no Japão e no nosso Brasil, acho que já posso dizer, como já dizia Cícero Dias, que “Eu vi o mundo…ele
começava no Recife”.

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4 comentários

Célia M S Albrecht Janeiro 1, 2018 at 1:45 pm

Que história emocionante! Olha querida guria ‘voyeur,’eu não via a hora de terminar a leitura pq só queria a cada novo parágrafo seu, parabenizá-la, e dizer que já estava morta de inveja por não ter vivido em nenhum período de minha vida esta forma tão emocionante e engrandecedora! Houveram por certo muitos altos e baixos mas acredite vc é e será sempre referência em audácia, coragem, perseverança e vitórias! Parabéns sua linda por nos mostrar que a vida realmente é um contante desafio!

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Rosana Alcântara Janeiro 4, 2018 at 4:05 pm

Oi, Célia!
Que alegria receber um primeiro comentário tão carinhoso quanto o seu. E, mais ainda, que orgulho saber que minha história inspira audácia e coragem. Não poderia esperar elogio melhor. Obrigada!
E até o próximo texto 🙂

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Danielle Mello Janeiro 8, 2018 at 2:17 pm

Uuuaaallll! Queria só um pouquinho de coragem.
Também estou em Paris, para morar, com meu filho e marido, porém me sinto travada(medo de tudo, seria a palavra certa) por não saber nada da língua francesa. Meu marido veio em março de 2017 em busca de uma vida melhor, eu cheguei em dezembro com nosso filho de 2 anos. Fico na ansiedade de colocar logo o meu filho na escola e poder arrumar um emprego, ao mesmo tempo tenho medo que ele não seja compreendido….enfim são tantos medos e receios… queria só um pouquinho da sua coragem, parabéns

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Rosana Alcântara Janeiro 8, 2018 at 5:14 pm

Oi, Danielle!
Olha, eu também tenho medos que enfrento sempre que estou vivendo uma nova fase. Nem todos os dias da minha trajetória foram regidos pela minha coragem, mas o importante é lembrar que ela é a melhor aliada diante dos desafios. Entendo sua insegurança e ela é mais do que justa, mas acredite em você. Sua coragem existe em algum lugar aí dentro. Prova disso é você já estar aqui, começando do zero. Eu te desejo muita força e determinação nesse início. E quem sabe um dia não tomamos um café juntas aqui. Abraço!

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