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África do Sul

Possíveis problemas com empregados na África do Sul

Este é um assunto que sempre me deixou um pouquinho tensa e também algo muito delicado.

Quando no Brasil, eu tinha ajuda de uma funcionária quinzenalmente, mamãe sempre dizia: “Para você ter alguém que te ajude em casa você precisa saber como se faz, assim poderá pedir o que e como precisa ser feito”. Pois é, o duro é achar alguém que cuide da nossa casa do jeitinho que gostaríamos. É praticamente um sonho, um conto de fadas.

Na Índia tivemos uma pessoa maravilhosa, era a nossa Suneeta.  Saudades dela!
Quando chegamos na África do Sul uma das histórias que mais me amedrontava era sobre as empregadas domésticas.

– Não fique preocupada Thaís. Tenho uma pessoa maravilhosa para te indicar, ela ja trabalhou com umas amigas minhas e elas nunca reclamaram. Assim aconteceu a contratação da nossa primeira ajudante sul africana, que no começo vinha uma vez por semana (e ainda assim eu achava demais).

Um belo dia ela  não apareceu para trabalhar, liguei para saber o que tinha acontecido e o marido dela atendeu me dizendo que o bebê tinha nascido. “Mas que bebê??” – Sim, ela estava grávida! Eu não sabia e nem tinha notado a barriga (ela era magrinha e não tinha barriga, juro!) Isso talvez explicasse as deitadinhas dela na nossa cama e a porta do banheiro trancada com ela dentro. Fiquei muda ao telefone, não sabia o que dizer.

As vezes penso que essas coisas só acontecem comigo. Detalhe, uma semana depois que o neném nasceu ela me ligou dizendo que voltaria ao trabalho. “Alô querida!”. Era fim de novembro, dissemos a ela que ficasse com o bebê e que voltasse no começo do ano. Ela voltou, mas não continuou com a gente por muito tempo.

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Depois contratamos outra sul africana que gritou comigo quando pedi que ela lavasse a louça de um jeito diferente. Oi?!

Outras passaram por nossa casa, e a maioria não deu certo por falta de comprometimento, responsabilidade e vontade.

Todas as funcionárias que tivemos foram indicadas por amigos. Isso é algo muito delicado. As pessoas são diferentes, as casas mudam e assim as exigências, então temos que saber separar as coisas.
Mas eu ouvia casos de pessoas mudando de endereço depois de mandar a funcionária embora, patroa que foi espancada por empregada ciumenta (esse caso foi o pior), gente me dizendo que eu deveria manter prato, talheres e copos separados para ela, em caso dela ter tuberculose. Isso me deixou um pouquinho mais temerosa, confesso, ainda mais depois que minha filha nasceu.
Mas nada de pânico por favor. Vou tentar dar uma mãozinha.

Aqui também tem agências de serviços. Eu nunca usei pois preferi as indicações de amigos. Com a rotatividade dos brasileiros indo e vindo, tem sempre muitas sugestões nos grupos sociais.
O valor de uma diária varia entre 100 e 250 Rands, equivalente a 23 – 58 Reais. E tem sempre alguém que dirá que os estrangeiros pagam mais. Pessoas que trabalham com estrangeiros dizem que não querem voltar a trabalhar com os sul africanos. Ja estão acostumados com o salário melhor e as vantagens que tem, como por exemplo as frequentes viagens dos patrões, em que eles continuam recebendo e não precisam trabalhar.

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O delicado na contratação de uma sul africana é que existem algumas leis que a protege (o que eu não julgo em hipótese alguma, até acho muito importante) mas infelizmente algumas usam isso para agir com maldade. Ela simplesmente pode não gostar do jeito que você falou com ela e te processar.

Nossa última diarista me processou. Eu não estava feliz com ela, decidi que não queria que ela trabalhasse mais com nossa família. Levei muitos dias para decidir como falaria com ela para escolher a maneira errada. Liguei para ela em um sábado, último dia do mês e disse que ela não precisaria mais vir. E que eu pagaria o salário do próximo mês ate que ela encontrasse outro trabalho. Dias depois um senhor do CCMA (The Commission for Conciliation, Mediation and Arbitration = Comissão de conciliação, mediação e arbritagem) me liga dizendo que a fulana estava me processando e que gostaria de fazer um acordo antes de me levar a Corte.

Eu deveria ter avisado a ela que eu não estava satisfeita com os serviços dela e ter esperado uma semana até que eu encontrasse alguém para substituí-la. E nessa semana ela ainda deveria trabalhar para mim. Essa seria a maneira correta. Ela queria mais dinheiro. Pagamos, ela e eu assinamos o acordo de pagamento e encerrado o caso.

Depois disso, sempre que comento o caso com meus amigos sul africanos eles me dizem que isso é muito comum.

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Felizmente hoje temos uma pessoa que deu muito certo aqui em casa. Ela mora com a gente, cozinha muito bem e ainda tem o bônus de falar português. Ela é moçambicana. Mas antes dela, eu ja estava certa de que contrataria alguém do Zimbabwe. Dica válida! Aliás, funcionários que vem de países vizinhos se esforçam muito para manterem-se no emprego, eles precisam trabalhar, dão valor e são muito felizes por ter um trabalho.

Apesar da dificuldade para obterem um visto, pela qualidade do serviço deles, acabam conseguindo. A diferença é nítida. Homens e mulheres. Inclusive eu explico o motivo do título desta matéria estar no masculino: aqui na África os homens também trabalham como faxineiros, não é muito comum, mas eu me lembro de ter conhecido uma brasileira que disse que não trocava o funcionário deles por nenhuma outra mulher.

É muito importante ter todos os documentos, endereço e contatos do funcionário. Melhor ainda um contrato assinado por ambos, contendo todas as funções, deveres e direitos. Não precisa ser um registro obrigatoriamente, apenas um simples contrato de acordo. O RH da empresa em que você ou seu marido trabalham pode ajudar com isso.

Leia sobre hábitos locais na África do Sul!

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2 comentários

Deisiane Reges Silva Novembro 22, 2018 at 12:11 pm

Olá bom dia, meu nome é Deisiane, eu gostaria muito de Conversar com Thais Helena, você poderia deixar alguma forma que poderia me comunicar com você. Ficaria muito grata.

att,

Deisiane Reges

Resposta
Liliane Oliveira Novembro 22, 2018 at 4:01 pm

Olá Deisiane,
A Thais Helena parou de colaborar conosco e, infelizmente, não temos outra colunista morando no país.
Obrigada,
Edição BPM

Resposta

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