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Quando o inverno chega em Taipei

Quando o inverno chega em Taipei.

Dia desses, andando com meu bebê em um espaço verde nos arredores do prédio, com barulhos de pássaros, muitas árvores e folhas caídas na calçada também, me dei conta de que o tão cinzento inverno está chegando mais uma vez.

Antes de vir para cá, li em alguns blogs sobre o “inverno astral” de Taipei. Todos foram unânimes em algo: chega o inverno e, com ele, muitas chuvas. Mas é como aquele famoso ditado que diz que só acreditamos, vendo. Diria aqui, sentindo. Chegamos no início de setembro e, logo em seguida, sentimos na pele a brisa do outono e o doído frio do inverno. Tá certo que por aqui não neva diariamente, mas o vento úmido das monções de inverno…ui, coisa para doer até a ponta das orelhas.

Na primeira experiência do inverno, meu corpo ainda estava se acostumando com tudo. Mudança na alimentação, na rotina, na vestimenta, no emocional, enfim, em tudo. Lembro-me bem todas as manhãs, ao levar minha filha para escola (na época ela tinha 4 anos), a agasalhava até a cabeça e ficávamos em um ponto de ônibus que cortava um vento gelado terrível. E ao sair de casa? Sempre esquecia o guarda-chuva, claro! No Brasil, andávamos tanto de carro, que não fazia diferença chuva ou sol. Mas aqui, umas das primeiras lições aprendidas: sempre tenha um guarda-chuva em sua bolsa.

O inverno tem início em 22 de dezembro, mas em novembro já temos muitas chuvas e bastante umidade. A ponto de colocar a roupa para secar e, no outro dia, quando você vai retirar do varal, ainda está muito úmida. Então, tenha secadora em casa. Faz uma diferença tremenda! Na época, não tínhamos máquina secadora, mas aqui é muito comum os banheiros terem um aparelho no teto que serve para ventilação, aquecimento, secagem e exaustão. Aí, aprendi a levar as roupas para o banheiro e pendurá-las à noite para secar. Sem contar que, ao limpar a casa com o pano torcido, o chão continua úmido por algumas horas. Como solucionar? Coloque álcool na água da limpeza do chão, ou ligue o ar condicionado.

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Mas o que mais me incomodou e incomoda até hoje, depois de 4 anos aqui, é o céu. No Brasil, temos manhãs iluminadas e, muitas vezes, aquele céu azul e sol para nos aquecer. Já aqui, passamos dias e dias vendo somente muitas nuvens cinzas. Isso ainda não é fácil para uma catarina que idolatra o céu do sul. Sempre quando retornamos ao Brasil, eu paro para pensar o quanto nosso céu é lindo e faz bem.

Com a chegada dos dias cinzentos, às vezes, bate uma tristeza também. Afinal, não temos cores para nos alegrar. Sem contar que a cidade, de um modo geral, também não tem cores em seus edifícios. É do cinza para o marrom num skyline geral de Taipei. Acredito que até tenha uma explicação: como chove muito e as fachadas estão sempre úmidas criando um limo, são as cores neutras que deixam a sujeira mais disfarçada, facilitando manter a aparência da cidade. Muitos prédios, inclusive, usam em suas fachadas pedras como granito e mármore, pois são facilmente lavados. 

Para amenizar o longo inverno e a saudade, que nesta época sempre insiste em bater, vamos contornando com uma saída e outra em ambientes mais fechados como alguns shoppings, lugares turísticos e até acontece mais encontros de brasileiras. No meu caso que tenho criança, sempre tem atrações nos fins de semana, seja cinema, museus, parques indoors em shoppings e lojas faça você mesmo.

As temperaturas mais baixas, por volta de 13°C, chegam em Janeiro. Já tivemos neve aqui em dois anos, mas por sorte estas ficaram só nos picos das montanhas, com temperaturas de 9°C na cidade. Para se proteger do frio e das doenças respiratórias, é comum ver os taiwaneses usando máscaras. Capas de chuva, botas de borracha e guarda-chuva fazem parte do look do dia a dia. Já usei muito as roupas do tipo segunda pele, para me proteger do frio, pois sou bem sensível.

O frio não atrapalha em nada o cotidiano da cidade. Bem pelo contrário. Para esse povo trabalhador não tem tempo ruim. As milhares de scooters continuam rodando mesmo nos dias de chuva. E cada um tem seu aparato para se proteger. Adoro observar o improviso que eles utilizam. Tem protetores para mãos acoplados no acelerador, capas de chuva de muitos estilos e, nos pés, os famosos crocs de borracha.

Nas primeiras experiências o clima espanta muito, mas com o tempo vamos encontrando maneiras de nos adaptar, proteger e comportar. Assim, o inverno passa mais rápido e podemos receber a primavera das flores lá pelo mês de março.

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