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Alemanha Reciclagem e Meio Ambiente

Reciclagem na Alemanha

Posso não ser a pessoa mais ativista ou um grande exemplo de cidadã que promove a sustentabilidade, mas tenho tentado diariamente aprender sobre como ajudar nosso meio ambiente e planeta a sobreviver a tanta destruição. E ao me mudar para a Alemanha, esse sentimento e desejo tornaram-se ainda mais fortes. A cultura alemã é muito minimalista e pouco consumista e os alemães se preocupam bastante com o meio ambiente, além de valorizarem bastante os momentos vividos com a natureza.

E como contribuir, então? A maneira mais fácil de começar é reciclando nosso lixo em casa. Separamos o lixo em pelo menos quatro tipos diferentes e levamos as garrafas plásticas e de vidro para o pfand, que são as trocas em máquinas automáticas por créditos ou dinheiro em supermercados, e essas garrafas são levadas para a reciclagem.

Reciclar já é um hábito normal dos alemães e, para aqueles que se mudam para cá, acaba virando um dos passos importantes na adaptação. Acho até que no momento em que as pessoas se registram nos órgãos municipais ou quando assinam um contrato de aluguel, deveriam receber uma cartilha de como separar o lixo, pois muita gente fica na dúvida de como começar, por não ter o costume de fazer isso em seus países de origem.

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A Alemanha, que produz cerca de 30 milhões de toneladas de lixo todo ano, é um dos países da União Europeia que mais recicla (também estão na lista Bélgica, Holanda, Áustria, Suécia e Suíça) e a reciclagem é praticamente obrigatória. O descarte de resíduos foi regulamentado em 1972, mas já no século XIX havia algumas leis a respeito da prática. A quantidade de lixo que vai para aterros sanitários é de 0%, ou seja, todo lixo é reaproveitado de alguma maneira: 45% são reciclados, 38% queimados e 17% vão para a compostagem (esses dados podem ter mudado um pouco, pois são de 2015). A queima ainda não é o ideal, pois o melhor mesmo seria reaproveitar tudo, já que na produção de qualquer material há muitos gastos envolvidos, como energia, por exemplo.

Quem não faz a separação corretamente em suas casas pode até pagar multas (e tem quem fique de olho nisso, pois a multa normalmente vai para o condomínio e todos têm que arcar com isso). Cada tipo de lixo tem sua cor e seu tonel diferente e os prédios possuem uma área designada para a coleta com os diversos contêineres. E na hora de jogar alguma coisa fora sempre bate aquela dúvida: em qual dos tipos de lixo devo jogar?

Foto: arquivo pessoal – Detalhes de cada tipo de lixo. Ainda, assim, surgem dúvidas!

Como funciona a separação do lixo

Para facilitar o reconhecimento de cada tipo de lixo e o processo de reciclagem após a coleta, é utilizado um sistema de cores. Muitas vezes os tonéis possuem as cores designadas ou apenas as tampas e adesivos com as cores e instruções do que pode entrar ali. Em algumas cidades, acredito que nas vilas e cidades menores, as embalagens são coletadas em grandes sacos amarelos, pois nem todas as residências possuem a divisão em lixeiras diferentes.

Os tonéis azuis são para papel e papelão, e esses papéis podem estar usados (mas não completamente sujos), como guardanapos, por exemplo. Os marrons são para lixos orgânicos, como restos de comida (inclusive carne e peixe), saquinhos de chás, frutas estragadas ou cascas, por exemplo. Esse material será processado em unidades de biogás. Os tonéis amarelos são para embalagens em geral, incluindo plásticos, alumínio, isopor e latas, e não precisam estar completamente lavados para serem descartados, mas também não completamente sujos (afinal, alguém vai precisar separar essa bagunça manualmente depois). O material que não é reutilizado é queimado para a produção de energia.

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Os tonéis pretos são utilizados para todo o resto e é onde as dúvidas sempre surgem: “será que jogo tal coisa no preto ou em outro tonel?” E há aqueles materiais mais específicos que possuem locais determinados de coleta, o chamado lixo tóxico, como pilhas, lâmpadas e baterias, por exemplo, além de inseticidas e desinfetantes, com dias especiais para serem recolhidos. As garrafas que não são retornáveis com o pfand e os frascos de vidro possuem tonéis próprios a depender da cor. Normalmente há um para vidros transparentes e outro para vidros coloridos. E as tampas dos vidros devem ser jogadas separadamente nos tonéis de embalagens.

Lembrando, ainda, que se deve evitar jogar o lixo no chamado “horário de silêncio”, depois das 10 horas da noite. Isso porque os vizinhos podem reclamar, principalmente se você estiver descartando garrafas de vidro.

Para quem não sabe o que fazer com aquele sofá velho ou estante quebrada, há dias especiais de coleta em que objetos maiores são recolhidos (esse lixo é chamado de Sperrmüll). As informações sobre esses dias são encontradas em sites oficiais dos órgãos locais ou enviadas aos condomínios. E para roupas e sapatos? Há contêineres espalhados em diversos pontos da cidade, que pertencem muitas vezes a fundações e associações de caridade. Outra alternativa é buscar os chamados Recyclinghof onde você leva essas coisas diretamente.

Desafios

Reciclar nem sempre é fácil. E com a correria do dia a dia às vezes deixamos escapar algumas coisas. Então, o ideal, mesmo, além de separar o lixo com cuidado, é evitar usar produtos que devem ser descartados, sempre que possível, como utilizar sacolinhas de pano ou reutilizáveis para fazer suas compras, por exemplo. Ou buscar produtos que tenham um símbolo de setinha verde (green dot) na embalagem, que significa que a empresa ajuda no processo de reciclagem ou utiliza materiais mais ecológicos.

Outro desafio grande é compartilhar o que aprendemos aqui e passar para as pessoas no Brasil. Infelizmente as políticas ainda são ineficientes em nosso país e poucas pessoas separam o lixo ou se mobilizam, de verdade, com a causa. Só para se ter uma ideia do tamanho do problema e de como é importante a mobilização de todos, se as coisas continuarem como estão, até 2050 haverá mais plásticos no oceano do que peixes (em peso). Esses dados são do relatório “A nova economia do plástico: repensando o futuro”, de 2015, apresentado no Fórum Econômico Mundial de Davos. Triste, porém real.

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