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Relato de uma brasileira depois do atentado em Paris

A notícia do atentado terrorista em Paris que chocou o mundo nas últimas horas chegou até mim através da minha família por mensagem. O irônico é que eles estão no Brasil e eu estava embarcando em um ônibus em Londres a caminho da França. Recebi a notícia com apreensão, afinal, a todo momento me falavam que a fronteira francesa seria fechada. Caso o bloqueio da fronteira se confirmasse, as dificuldades para ingressar novamente em território francês seriam imensas.

Independente de se efetivar o bloqueio ou não, o fato é que o controle para atravessar a fronteira seria rígido. E foi realmente como o esperado. Ao total, precisei apresentar meu passaporte três vezes. A expressão das autoridades era de profunda tristeza e preocupação. Ao chegar na fronteira todos os passageiros tiveram que descer do ônibus por conta do controle alfandegário de praxe, mas não foi autorizada o retorno dos passageiros ao ônibus. A ordem era aguardar na sala de espera. Nesse momento sinceramente acreditei que passaria a noite ali mesmo, impedida de ingressar na França. Felizmente minha crença não se concretizou. Em pouco tempo pudemos retomar a viagem.

Apesar de Paris não ser meu destino final, havia uma parada previamente programa na cidade que testemunhou a morte de mais de cem pessoas poucas horas antes. Alguns poucos passageiros optaram por não seguir viagem em razão dos atentados. A parada não durou mais que meia hora. O movimento da rodoviária estava longe de estar normalizado. Pouquíssimos passageiros circulavam em plena manhã de sábado. O que justifica o silêncio de Paris é a decretação de ‘Estado de Urgência’ pela Presidência da República Francesa. Na prática significa a determinação do fechamento do comércio local, bem como dos órgãos públicos neste fim de semana.  Os museus estarão fechados até o dia 17 de novembro por medida de segurança. Da mesma forma, as tradicionais manifestações de rua estão vetadas até o dia 19.

 

O transporte público em Paris continua funcionando regulamente, todavia, com limitações por conta da atual situação de risco. O policiamento naturalmente foi reforçado. Em respeito a dor causada pela perda de tantas vidas, a Disneylândia de Paris anunciou que não abrirá as portas neste sábado, assim como a Banda U2 que cancelou o show marcado para esta noite na cidade luz.

O fato é que tenho a impressão que a própria imprensa está assustada com os atentados. A repórter que estava em Paris estava visivelmente com medo. Apesar de manter o profissionalismo, não conseguia conter a emoção, o que é compreensível.

Os noticiários locais afirmam ser o pior ataque ocorrido em território francês desde a segunda guerra mundial. O presidente da França decretou três dias de luto nacional e determinou a convocação do parlamento para tomar as medidas cabíveis perante a crise que se instalou no país. O grupo terrorista Estado Islâmico reivindicou a autoria dos atentados. A notícia foi recebida pelo mundo com grande tristeza e com temor pelo futuro que nos aguarda.

Assim faça sua prece para cada família afetada por essa tragédia por conta da perda repentina e inesperada de um ente querido. Ela certamente fará a diferença.

Paz, uma palavra tão pequenina, e ao mesmo tempo tão difícil de ser entendida por muitos. É o que precisamos no momento!

Para terminar,  depois de tantas horas de viagem e muita apreensão cheguei em casa, de onde acompanharei nos próximos dias a decisão do presidente francês, François Hollande, em relação ao futuro do país.

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