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Roteiro de um dia por Valência

Roteiro de um dia por Valência.

Valência é a terceira maior cidade da Espanha e merece mais que um dia para ser visitada e apreciada com calma. Porém, se a sua passagem pela cidade for rápida, preparei um roteiro com aquilo que considero imprescindível conhecer.

Um dos fatores que tornam esta cidade tão única é o fato de ser moderna conseguindo manter suas tradições e encantos, quer seja com suas paisagens naturais e contrastes de mar e montanha, ou ainda com o contraste de sua arquitetura histórica e vanguardista que convivem em harmonia.

Barrio del Carmem

Começamos o roteiro pelo centro histórico. O Barrio del Carmem é o mais antigo da cidade e abriga prédios, palacetes, praças e igrejas históricas. Durante muito tempo esse bairro foi cercado por um grande muro muçulmano. As torres de Quart e a Torre dos Serranos eram as portas dessa antiga muralha, e são os restos medievais que permanecem imponentes até os dias atuais bem no centro da cidade. A ponte dos Serranos é aberta a visitas. Lá de cima ainda se pode curtir uma bela vista da cidade.

No interior desse bairro, encontram-se museus, praças e muitos terraços para você experimentar a legítima paellla valenciana ou se preferir a paella marinera (com frutos do mar, que é a mais parecida com a que comemos no Brasil).

Leia também: Tudo o que você precisa saber para morar na Espanha

Permanecendo no quesito comida, se você está por aqui, também recomendo experimentar a horchata, uma bebida bem valenciana, sem álcool e bastante refrescante, elaborada com a chufa. A chufa é como uma noz da região, bastante saudável e considerada como um superalimento. A horchata é como um leite vegetal de sabor único, daqueles que você pode amar ou odiar. Os valencianos amam, e eu também! (Risos)

Uma das horchaterias mais antigas e tradicionais da cidade fica nesse mesmo bairro e se chama Horchateria Santa Catalina. Ela está em funcionamento no mesmo local a dois séculos, e manteve sua decoração até hoje, com suas cerâmicas de manises.

Igreja de San Nicolas

Considerada a Capela Sistina espanhola, essa igreja abriga pinturas al fresco que, após restauração recente, voltaram a brilhar nessa igreja centenária. Um exemplar histórico onde convivem, harmonicamente, a estrutura gótica do século XV com a decoração barroca valenciana do século XVII, com suas pinturas e abóbodas.

Após sofrer muitos danos durante a guerra civil, ela permaneceu durante muito tempo fechada. Somente agora, no século XXI, teve início sua merecida restauração e hoje ela se encontra em seu pleno esplendor e aberta para visitas.

Torre dos Serranos. Arquivo pessoal.

Mercado Central

Eu sempre procuro conhecer o mercado central das cidades que visito! Esse mercado é conhecido como “La Catedral de los sentidos” por conta da festa de cores, cheiros e sabores que a experiência de estar por ali proporciona. Oferece uma rica variedade de sabores da “Terreta” (maneira carinhosa que os valencianos chamam a terrinha), como também uma grande variedade internacional, com produtos típicos de países. Inclusive, até azeite de dendê já compramos por lá!

Sua arquitetura é incrível, com uma cúpula de ferro, cerâmica e vidro com mais de 30 metros de altura.

Ponte das Flores

Saindo do centro vá até a Ponte das Flores e siga pelo Jardim do Turia até a Cidade Das Artes. Valência possui uma arquitetura histórica e milhares de pontes espalhadas pela cidade, muitas delas medievais. Somente na área sobre o calce do antigo Rio Turia existem 18 pontes e a Ponte das Flores é uma delas!

Na verdade, ela é uma das pontes mais jovens da cidade, criada em 2002 pelo arquiteto Calatrava (falarei dele mais adiante). Durante muitos anos essa foi a ponte mais cara do mundo, isso porque o valor de sua manutenção e trocas de flores periódicas era altíssimo. Porém, hoje sua manutenção tem um orçamento muito mais econômico e controlado, mesmo mantendo as flores sempre vivas e bonitas!

Jardim do Turia

A cidade de Valência passava constantemente por fortes inundações e, após uma grande enchente em 1957, resolveram desviar e canalizar o Rio Turia. No seu antigo calce seria feita uma grande avenida para ligar o porto ao aeroporto, uma vez que o rio atravessava toda a cidade. Mas após a manifestação da população, com o movimento “El riu es nostre i el volem verd” (o rio é nosso e o queremos verde, em valenciano),foi decidido fazer ali um parque que a cidade de ponta a ponta.

Pois é, em plena ditadura franquista a população não se calou! E nasceu assim o Jardin del Turia, com seus 9 quilômetros de área verde! O interessante e incomum desse parque é que ele se encontra todo abaixo do nível da cidade, onde realmente corria o rio antigamente, e às suas margens e acima a cidade segue com seu trânsito, burburinho e vida normal.

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Cidade das Artes

Esse é o complexo arquitetônico e cultural que é símbolo de Valência. Com seu desenho extremamente vanguardista, passear por seu conjunto de edifícios orgânicos já é em si uma atração turística. Estar ali, nos transmite a sensação de estar naqueles filmes futuristas que estão cada vez mais perto da nossa realidade.

O complexo foi criado por Santiago Calatrava, arquiteto valenciano de traços únicos, que também é o criador de muitos prédios e museus espalhados pelo mundo – entre eles a estação Oculus de Nova Iorque e o nosso conhecido Museu do Amanhã no Rio de Janeiro.

A Cidade das Artes é composta pelos edifícios: El Hemisfèric, El Museu de Les Ciències, El Oceanogràfic e El Palau de Les Arts.

É claro que ainda tem muita coisa para se conhecer em Valência. Afinal, as belezas dessa cidade são muitas e eu ainda poderia citar: a Lonja da Seda, a estação de trem, o Palau de música ou o mercado de Colon. Sem contar os outros museus e os teatros, enfim, seria uma lista grande. Mas, resumidamente, com isso já dá para sentir o essencial da cidade!

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