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Sistema de saúde no Camboja

“Você vai precisar ficar em observação, terá que dormir aqui por uma noite no mínimo”. E agora? Quem vai cuidar de mim? Quem vai ficar comigo? Quem vai trazer minha malinha com as minhas coisas? Quem vai me fazer canja? Quem vai me fazer cafuné? Quem vai me abraçar e dizer que tá tudo bem e que logo vai passar?

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Hospital visto de fora. Fonte: acervo pessoal

No meu quarto mês de Camboja fui parar no hospital!

Tinha almoçado japonês (peixe cru) na noite anterior. Acordei no dia seguinte indisposta, com um embrulho no estômago. Piriri na certa. Um, dois, três dias daquele jeito. Sabia que aquilo não estava certo, mas só depois de ter vomitado um litro de líquido verde, no meio da rua, tentando voltar pra casa após comprar soro, achei que era tempo de ir para o hospital dar uma olhada. Depois dos exames o resultado: Ameba. Sério? Eu estou com aquele bicho nojento sobre o qual aprendemos na aula de biologia durante a escola? Aqui eles chamam de food poisoning (infecção alimentar), mas te garanto que é mil vezes pior do que uma mera infecção alimentar.

Tira tubo, deixa a enfermaria, vai para a casa, faz a malinha e volta para o hospital. Dá entrada na internação, vem a enfermeira, te fura de novo, te entope de drogas e pá, você apaga. E assim vai por 4 longos dias.  Meus pais, tadinhos, preocupadíssimos comigo. “Mas o hospital é bom? Está sendo bem tratada? Tem alguém aí pra ficar com você? Ai, filha, por que você esta tão longe? Se for o caso volta pro Brasil viu?” O tragicômico é que, o tempo que fiquei internada, seria praticamente o mesmo tempo de viajem.

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Royal Angkor Hospital. Área de espera. Fonte: acervo pessoal

O hospital é de ponta, de cair o queixo. Médicos muito bons. No meu caso fui tratada por um tailandês. Apesar de não ter passado por nenhum aperto, uma das grandes barreiras ainda é a comunicação. Por mais que você fale inglês, ao entrar no campo da saúde as coisas ficam um pouco mais complicadas, desde descrever os sintomas, entender o que médico está falando (que também tem o inglês como segunda língua), os exames que precisava fazer, os medicamentos que estava recebendo (posso dar um Google antes?),  acompanhar a evolução, resolver toda a burocracia da seguradora e, por fim, receber a tão esperada alta.

Mesmo as enfermeiras sendo super fofas e atenciosas comigo, é aquele tipo de experiência que não recomendo nem para o meu pior inimigo.  Até exame de contraste eu fiz, estava eu sozinha, naquela máquina, sendo engolida por um tubo. Estava fraca, sem forcas, pálida, um fantasma, mas era eu comigo mesma e mais ninguém.

Ao mesmo tempo, tento enxergar algo positivo dessa experiência. Fiquei mais forte? Mais corajosa? Aprendi a cuidar de mim? Sem dúvidas. Outro ponto positivo, perdi três quilos e emagrecer é sempre bom (risos).

Aqui no Camboja o sistema de saúde é muito parecido com o do Brasil. Os hospitais públicos são precários, lotados e sem atendimento adequado. Claro que tem suas exceções, mas assim como no Brasil, são muito concorridos. E tem os particulares, como este que eu fiquei. A brincadeira saiu cara, se não tivesse o plano de saúde estaria mais do que falida. Isso porque se formos analisar, o que eu tive nem foi tão grave assim. Foi mais o susto de passar por uma experiência dessa fora do Brasil e sozinha.

Neste mês preciso renovar meu seguro, pois vim com um feito no Brasil que não é possível renovar (aqueles de viagem, válido por um ano). Estou no processo de pesquisar diferentes empresas e comparar valores. Infelizmente, comparado ao do Brasil, o seguro aqui é mais caro. Para se ter uma ideia: o meu seguro contemplava praticamente tudo, inclusive exames rotineiros. Aqui, o plano que cobre apenas hospitalização, está em torno de 750 dólares. Eu paguei 810 dólares para ter o “completo” no Brasil. O plano que se equivale ao brasileiro, aqui, não sai por menos de 1300 dólares. Estamos falando de 450 dólares de diferença! Mas temos que considerar que aqui sou expatriada, logo, o plano fica mais caro e o prêmio é maior. Enquanto o do Brasil era de 50 mil, aqui é de 1 milhão.

Pode ser um investimento alto, mas quando usado, vale cada centavo investido.  Digo por vivência própria, afinal um ano de seguro foi pago em 4 dias de internação. Tem que ter! Não tem jeito! É aquele velho ditado: “o seguro morreu de velho”.

Após o susto, eu mudei alguns hábitos, como  cozinhar apenas com água filtrada, mesmo que seja para ferver algo. Salada: mesmo as que já vêm lavadas, lavo de novo com aquele produtinho. Escovar os dentes também, só com água filtrada.  Ah, e peixe cru… bom, o trauma ainda não me permite uma nova tentativa!

Por ser um país pobre e a maioria da população viver em zona rural, esses tipos de doença, infelizmente, são bem comuns, tanto é que, quando contei para amigos expatriados, todos soltaram a mesma frase “ Welcome to Cambodia” ou seja, agora que você passou por uma infecção alimentar, você esta oficialmente no Camboja.

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4 comentários

Lourdes Jorge Outubro 23, 2016 at 1:21 pm

Adorei seu texto,altamente informativo!
Parabens
Lu

Resposta
Roberta Jorge Outubro 30, 2016 at 9:45 pm

Obrigada Lu 😉
É sempre um prazer escrever sobre o Camboja e minhas historias!

Resposta
Karina Março 9, 2018 at 1:40 am

Ola, tudo bem? Muito informativo seu texto, gostei muito!
Poderias me informar se o seu novo seguro foi do Brasil novamente ou algum outro?
Gostaria de uma dica de seguradoras.
Obrigada!!!
Karina

Resposta
Liliane Oliveira Março 9, 2018 at 1:37 pm

Olá Karina,
A Roberta Jorge parou de colaborar conosco e, infelizmente, não temos outra colunista morando no país.
Obrigada,
Edição BPM

Resposta

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