Tratamentos de beleza e spas na Indonésia Parte 2

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Se você segue nosso blog e acompanha nossas postagens, já deve ter conferido a parte um desse post, que já foi publicado  aqui.

Nele, falei um pouco sobre a “mania” que as mulheres brasileiras têm de experimentar tudo o que se refere à beleza e vaidade e ofereci algumas alternativas valiosas, para quem vive na Indonésia ou pretende fazer um passeio por lá.

Hoje vou seguir a mesma linha do post anterior, mas contando para vocês sobre algumas coisas inimagináveis que as pessoas fazem em nome da beleza e do “bem-estar”.

Algumas dessas práticas eu mesma experimentei, outras eu não provaria nem sob tortura! Confira alguns dos tratamentos “diferentes” que você pode encontrar na Indonésia.

Manicure com pele de cobra

Já comentei no post anterior, que enfeitar as unhas com toda sorte de texturas, enfeites e penduricalhos é lugar comum na Ásia. A vaidade com essa parte de nosso corpo, vai desde aplicações minuciosas com pedrarias, madrepérola e cristal swarovski, até pinturas de paisagens super detalhadas que fariam sua unha parecer um óleo sobre tela. Até aqui, um pouco de exotismo, mas nada de tão diferente. Agora, experimente adicionar a esse “coquetel” de cores e formas, uma excentricidade extra: Que tal aplicar pele de cobra nas unhas e deixá-las combinando com a bolsa? Pois é, aqui é possível.

Tratamento facial à base de caracóis

Morando na Ásia é possível encontrar uma infinidadede cremes feitos à base da “baba” do caracol. Sabe aquela gosminha que eles vão deixando como rastro, quando se arrastam pelo chão? Então, segundo as cosméticas japonesa e coreana, esse muco tem o poder de regenerar as células faciais e garantir a “juventude eterna”. Confesso que já comprei alguns cremes com esse ingrediente e gostei, mas o que algumas clínicas estéticas oferecem a seus usuários é um tratamento facial à base de caracóis vivos. O tratamento é bem simples: coloca-se um punhado desses bichinhos no rosto da paciente e eles ficam lá andando pela face da pessoa, derrubando muco por onde passam. A chave dos resultados residiria no fato de que esse líquido excretado na pele, contém antioxidantes, proteínas e ácido hialurônico. Se funciona eu não sei, mas me contento com o creminho artificial vendido na farmácia.

Ratus (V-Spa)

Em uma tradução ao pé da letra, ratus significaria algo como “fogging”, fumaça, névoa.

O ratus é um tratamento indonésio tradicional destinado a manter as áreas íntimas da mulher casada (porque a solteira, supostamente ainda é virgem e, portanto, não “usa” a vagina) com cheiro fresco, e adocicado. Pressupõe-se também que o tratamento mantém os órgãos reprodutores da mulher, mais saudáveis.

Eu consideraria o tratamento um tanto constrangedor para os nossos padrões.  Para realiza-lo é necessário sentar-se com as pernas abertas, sem calcinha em um pequeno banco de madeira com um buraco no fundo, enquanto uma mistura de ervas perfumadas, incluindo kayu rapat, (planta que, acredita-se, teria a propriedade de tornar o canal vaginal mais apertado). O procedimento funciona assim: Primeiro prepara-se um mix de ervas em uma panela de cerâmica, onde estas são queimadas com carvão. Isso cria uma espécie de fumo com cheiro doce, que é colocada embaixo do banquinho onde a pessoa está sentada na “posição constrangedora”. A preparação é colocada estrategicamente embaixo da cliente e a névoa, “defuma” pouco a pouco sua vagina. Além de deixar suas partes íntimas com perfume de ervas, e de supostamente devolver a firmeza e estreitamento do canal vaginal, acredita-se que este tratamento possua ainda propriedades antibacterianas e antifúngicas. Se eu experimentei?!  Definitivamente não.  (fonte de apoio: honeycombers.com)

Fish Spa

Esse tratamento já chegou até no Brasil, mas surgiu lá na Ásia, há muitos anos. Eu provei, gostei e recomendo.

O Fish spa consiste em um tratamento no qual pequenos peixes são usados para limpar e esfoliar sua pele, deixando seu calcanhar com textura de pele de criança.  Como funciona? Bem, você submerge seus pés em tanques de águas repletos de peixinhos (carinhosamente apelidados de peixes doutores) que se alimentarão de sua pele morta. Em ambientes marinhos e de água doce, esses peixes se alimentariam de algas verdes e diatomáceas, na ausência destas, seu pé cheio de calosidades vai parecer muito apetitoso. A primeira impressão que você tem é bem ruim. Você se pergunta: Como o peixe sabe que é para comer a célula morta e não o pé propriamente dito? Não sei explicar os motivos, mas a resposta é: ele sabe! Ele vai comer tudo que estiver sobrando no seu pé, e nada além.

A segunda observação que preciso fazer para você acerca desse tratamento é: você vai morrer de cócegas! Passei muita vergonha na primeira vez que me rendi a esse tratamento. Tive um acesso de gargalhadas, comecei a pular e me debater dentro do tanque, como se o pobre do peixe estivesse roendo o meu traseiro e não o meu pé.  Todo mundo ficou olhando, afinal reações públicas de emoções não são exatamente o forte do asiático, depois que aprendi a curtir a cosquinha boa que os peixinhos fazem, foi prazer dobrado. A sensação é bem boa e a qualidade final da exfoliação é inigualável.

Há muitas outras práticas, que o caro leitor por ventura, poderia considerar exóticas, mas vale a pena lembrar que uma sociedade que faz uso de microagulhamento para rejuvenescimento facial, toxina botulínica para paralisar o músculo e retardar o surgimento das rugas, adere ao procedimento cirúrgico que tira a gordura da barriga e coloca no traseiro, enche o rosto de fios de ouro para adiar sua flacidez, não são exatamente o exemplo de equilíbrio e sabedoria no lidar com a saúde e a beleza. O fato é que, no quesito vaidade, se olharmos bem de perto, bizarros somos todos!

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Fabi é uma mulher de fibra, que carrega no coração o mundo inteiro. Jornalista e bailarina, tem mestrado em Educação, Arte e História da Cultura e é doutoranda em Antropologia, mas nem liga para esses títulos porque o que ela gosta mesmo é de estar no meio da moçada, promovendo Direitos Humanos e empoderamento popular. Atua com educomunicação e juventude desde que se entende por gente, e ganhou em 2015 o título de mulher inspiradora pelo coletivo feminista "Think Olga" que nomeia os destaques femininos em suas áreas de atuação. Fabi é consultora em comunicação e mobilização social e ja trabalhou para diversas agências das Nações Unidas, além do CDC de Atlanta, além de diversas ONGs e Fundos. Escreve para esse blog desde 2013. Ela tem rodinhas nos pés e asas nas costas. Talvez por isso alguns a chamem de fada. Não tentem descobrir de onde ela é, porque ela pertence a muitos lugares e ao mesmo tempo a nenhum. Essa aquariana de riso farto, tira leite de pedra por onde quer que vá. Saiu do Brasil para morar na Indonésia em pleno pós Tsunami sem falar nenhuma palavra de inglês, se virou bem e daí pras Filipinas e Vietnã. Fez uma pausa no Brasil e agora está na Suíça. Por quanto tempo? Não se sabe. Ela segue à risca o conselho de Frida Kahlo que diz: Onde não puderes amar, não te demores...

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