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Um dia em Santiago de Compostela

Sobre os caminhos que levam a Compostela…

Quando resolvi mudar para a Espanha, a única coisa que sabia sobre a Galícia era que aqui está a cidade de Santiago de Compostela, que recebe em sua catedral de séculos, milhares e milhares de peregrinos movidos por sua fé, propósitos, promessas, superações e um infinito de motivos mais.

Não me considero uma pessoa religiosa, acredito na fé, em algo, mas não acredito em apenas um algo, o universo é grande demais para sermos os únicos e ainda mais os corretos, assim, sempre escuto algo de sabedoria de onde quer que seja.

Meu pai, no entanto, costuma fazer essas caminhadas, dentro do Brasil e eu cheguei aqui uma semana antes do dia dos pais em terras brasileiras (aqui se comemora em fevereiro) então resolvi que meu primeiro passeio de fim de semana seria ir até Santiago de Compostela, conhecer um pouquinho dessa cidade movida pela fé, tradições e muiiiita comida típica.

Fui de trem, pela Renfe, no domingo dia 13 de agosto, sem roteiro, apenas com a pretensão de conhecer a catedral e talvez assistir uma missa e sem horário para volta, comprei a passagem do último horário, mas saindo daqui tem trem a cada 45 min +- e podemos trocar caso nos dê vontade de voltar antes. O trajeto dura mais ou menos 25 min, é muito tranquilo e rápido (primeira vez num trem assim).

Chegando em Compostela, pela estação de trens, devemos fazer um percurso de mais ou menos 1,2km até chegar na zona histórica da cidade. Como recebe muitos turistas durante o ano, existem vários pontos de informação, com mapas e guias gratuitos, inclusive em português e a moça que me atendeu ainda fez uma rota básica para eu seguir pelo mapa, com os principais pontos turísticos, o que eu segui, até a primeira virada de esquina, para ficar perdida e bater perna sem rumo mesmo, mas valeu a intenção, moça!

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Estação de trens, Santiago de Compostela, arquivo pessoal

É bom ficar atento, pois aos domingos algumas coisas não funcionam, como o Mercado de Abastos (mercado municipal), que eu acabei conhecendo outro dia e que vale a pena dar uma passada para comprar uns queijos regionais típicos (huuuummmm).

Fui caminhando por lá, sentindo o clima da cidade, sendo acolhida pelas pedras das construções das casas e imaginando o quão antigo e o quanto aquilo tudo já presenciou. Fui andando pelo centro e logo cheguei na catedral, aproveitei que a fila da entrada estava curta (quanto mais cedinho melhor, perto do meio dia é quase impossível entrar), entrei, fui no famoso abraço do Apóstolo, tomei bronca do guardinha- sempre! – por ter entrado pela saída, e andei calmamente por ali.

Quanta energia positiva e boa é sentida. Saí de lá e fui visitar o Museo do Pobo Galego (Museu do Povo Galego) que é pequeno, mas conta das várias tradições e costumes dessa gente tão interessante que hoje em dia aprendi a amar, passei pela Universidade de Santiago e a praça da universidade, fundada em 1.495.

Escadaria dentro do Museo, arquivo pessoal

Voltei para as 2 ruas principais do centro histórico, pois já estava chegando o horário do almoço e fui buscar um lugar para comer… AI MINHA DEUSA DA CULINÁRIA ESPANHOLA!!!!! Como existem opções para todos os gostos e bolsos, mas o mais comum por aqui é pedir o menu do dia, que compreende primeiro prato, segundo prato, bebida e café ou sobremesa (+ aquele famoso pão), existem algumas opções dentro do que pode ser pedido entre primeiro e segundo prato, e custa geralmente entre 8 e 12 euros.

Estava tudo muito lotado, entrei numa das inúmeras tabernas das ruelas do centro e pedi lugar para uma pessoa, acabei compartilhando mesa com um grupo de austríacos que tinham feito o caminho e me sentindo derrotada ao descobrir uma senhora de 70 e poucos anos, que andou cerca de 30 km por dia, estava animada para andar mais… (mulheeerrrr, eu dei uma voltinha pelo centro e já estava buscando uma sombra para deitar!).

Uma coisa sobre a comida na Espanha em geral e especialmente na Galícia, é a quantidade… eles realmente capricham o PF e comecei a entender o porquê de demorarem 2 horas para comer, haja estômago. Fui batendo papo com a galera da mesa e me empolguei com o pãozinho, aí chegou o primeiro prato, na metade eu já tinha decidido que era melhor parar com aquele pão, apenas não dava, até que comecei a reparar no segundo prato da galera e resolvi que devia nem ter começado com o pão. Para o segundo prato nem estava preparada, além de tudo ainda vem batata frita, eu já nem lembrava que ainda faltava a sobremesa.

Depois de toda a comilança e culpa na consciência o máximo que consegui fazer foi imitar os europeus, me arrastar até o Parque da Alameda, muito bonito e arborizado lá de Santiago, deitar em cima da mochila e dormir por cerca de 1 hora… nesse momento estava estreado meu padrão de vida do verão europeu, não era mais uma pessoa que olhava estranho para aquele povo dormindo debaixo da árvore no meio da tarde, eu era uma daquelas pessoas e amei demais tudo isso.

Depois da minha deliciosa “siesta”, sai para dar uma volta pelo parque, andei mais um pouco pelo centro e fui até uma das inúmeras cafeterias para experimentar a típica “Tarta Santiago”, o pessoal que estava comigo no apartamento falou que não podia ir para Santiago e não comer e quando cheguei lá vi que era oferecida por todos os lados, assim que vamos lá comer mais um pouco, não é mesmo?

Essa Tarta é praticamente um bolo, feito basicamente com amêndoas, ovos e açúcar, com açúcar de confeiteiro por cima (doce? Imagina!). O pedaço servido, é enorme, eu estava pensando seriamente em perguntar para qualquer pessoa na mesa do lado se queria compartilhar, mas resolvi só comer e depois passar a semana entre caminhadas e saladas.

Depois disso já estava começando a ficar tarde e resolvi voltar para a estação e voltar para A Coruña e ainda curtir algumas horas de luz, já que no verão por aqui só escurece depois das 22 horas.

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Outros pontos de interesse da cidade são: Plaza do Obradoiro, Plaza da Plata, Paço do Raxoi, Mosteiro de San Martiño e o Convento de San Domingos.

Santiago de Compostela é uma cidade encantadora, cheia de história, multicultural e local de acolhida para aqueles que chegam ali, pela fé ou qualquer outro propósito que lhes motive a fazer um ou vários dos inúmeros caminhos reconhecidos.

Se você não é da caminhada, não tem problema, a cidade te acolhe da mesma maneira e você sai de lá com um sentimento bom, uma sementinha da curiosidade de qual seria a sensação de caminhar até ali.

Para quem quer fazer o caminho, pode clicar aqui e ter mais informações sobre as diversas rotas que levam à Catedral, também não é necessário percorrer todo o percurso para ter um certificado, sendo somente pelo menos 100 km para quem vai à pé e 200 km para aqueles que optam pela bike. Os melhores meses são entre finais de abril e meados de junho.

Espero que tenham gostado do post, eu realmente adorei relembrar esse dia e contar um pouquinho por aqui!

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