Nurlan Silitonga: Uma mulher extraordinária

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Nurlan Silitonga – Uma mulher extraordinária.

Nurlan Silitonga é uma dessas mulheres que definitivamente não veio ao mundo a passeio.
Ela não passa despercebida pela nossa vida. Deixa um rastro de esperança e força que, ao final, somos compelidos a seguir.

Ela é uma médica indonésia com mestrado em saúde pública pela Universidade de Sidney. Iniciou sua carreira como pesquisadora de um Hospital de doenças infecciosas na Indonésia e da Unidade de Pesquisa Médica Naval de seu país. Além disso, passou mais de três anos trabalhando como médica em Papua, uma das províncias mais inóspitas da Indonésia, que possui as maiores taxas de infecção pelo HIV no país. Desde então, passou a participar de uma série de programas indonésios de HIV. Hoje, é diretora e idealizadora do Instituto indonésio Angsamerah, um divisor de águas no tratamento a pessoas com HIV nesse país.

Ela economizou dinheiro durante anos trabalhando em presídios para um projeto da cooperação australiana, AusAID, sobre HIV, para montar o Angsamerah Instituto e a Clínica de Saúde conectada a ele. A clínica, que começou a operar em 2010, fornece serviços de saúde reprodutiva a todos, quer seja HIV positivo, gay, transgênero ou trabalhadores sexuais.

Médica, pesquisadora e entusiasta das causas sociais, Nurlan fortaleceu seu foco na atenção primária e se especializou em HIV, saúde sexual e reprodutiva, doenças infecciosas e redução de danos.

Para além do trabalho cotidiano que exerce dentro da clínica como médica, Nurlan ainda acumula papéis fundamentais na implementação de boas práticas em saúde pública no seu país. Nurlan gerencia diversos projetos e iniciativas que englobam as relações entre saúde pública e privadas e instituições com fins lucrativos e ONG’s.

Com uma abordagem muito clara que propugna ações em defesa dos Direitos Humanos na promoção da saúde, dedicou-se a estudar e se capacitar profundamente, no sentido de criar metodologias de orientação que ajudassem a formar outros profissionais, dentro do mais alto padrão.

A experiência para tudo isso não veio apenas do atendimento particular, mas também e principalmente de sua experiência no trabalho de campo. Como mencionado no início do artigo, em sua atuação profissional, Nurlan participou de diversos programas de prevenção e tratamento do HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis para aquela população.

Agora, imagine você! Uma mulher responsável por políticas de Saúde Pública e Direitos Humanos dentro de presídios no Brasil, já seria bem ousado, mas considere que estamos falando de uma mulher em uma posição chave na luta contra a Aids de um país que é nada mais nada menos do que o maior país muçulmano do mundo.

Os desafios não foram poucos, mas estamos falando de uma mulher tão extraordinária, que acabou por receber, em 2013, das mãos do Ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Amir Syamsuddin, uma Certificação de Agradecimento do país pela sua contribuição na luta contra a epidemia de Aids e pela promoção de Direitos Humanos no país.

Um ano depois, foi selecionada para o Global Ambassadors Program, em Belfast, Irlanda do Norte, onde conheceu líderes empresariais de todo o mundo, que estimulam a liderança das mulheres e o avanço econômico. Lá falou sobre sua experiência gerindo a inovadora clínica Angsamerah, considerada um verdadeiro exemplo de empreendedorismo feminino.
Aqui ela conta um pouco de suas histórias e desafios.

BPM: Como você teve a ideia de criar o instituto Angsamerah?

Nurlan: Comecei com um sonho que ainda não tinha objetivos específicos. Era apenas sobre criar algo que realmente me representasse como um indivíduo capaz de trazer coisas boas para mim e para outros. Então, iniciei um diálogo interior questionando meus objetivos, repetindo perguntas “por que…” e “por que…” e “por quê”? A partir destas respostas e de outras perguntas iniciei uma discussão com colegas, amigos e familiares. Então me dei conta que tinha coragem suficiente para começar algo palpável com toda a capacidade que eu já possuía. Foi então que estabeleci uma organização com um objetivo específico: Criei uma clínica modelo que em minha concepção deveria representar o conceito de uma clínica saudável em todos os aspectos.

BPM: E quanto à clínica, qual é a diferença entre Angsamerah e as outras?

Nurlan: A clínica é um dos modelos ideais de atendimento que criamos através da Instituição Angsamerah. Ela é de propriedade do Instituto Angsamerah, que possui também uma Fundação. Através desta Fundação, com o apoio da Instituição em si, criamos uma segunda clínica modelo, a primeira gera lucro, todo o lucro/poupança vai para a Fundação, que mantém a segunda clínica para fornecer assistência à saúde sexual e reprodutiva de qualidade a custo simbólico. Nossa missão é mantê-la acessível a todos que necessitem.

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BPM: Você também está trabalhando no “treinamento” de outros médicos na área de direitos humanos e saúde sexual e reprodutiva no campo do HIV. Como é trabalhar em um ambiente predominantemente masculino?

Nurlan: O grande segredo é atuar engajando homens que acreditam e apoiam nossas missões. Não importa a quão desafiadora possa ser uma missão, sempre busco minhas raízes culturais, que me ensinam a ser amável, corajosa e inteligente, nunca desistindo do processo de mudanças necessárias, no qual tanto acredito.

BPM: Além de ser médica, empresária e gerente, você ainda concilia sua vida pessoal com um casamento bem-sucedido e a maternidade. Você pode compartilhar seu segredo para fazer tudo isso dar certo?

Nurlan: Não importa o quanto eu trabalhe, sempre arranjo tempo livre para fazer o que realmente preciso na vida. Viver em harmonia é importante para mim. Sempre que tenho um novo objetivo, envolvo as pessoas que importam para mim nos meus sonhos, objetivos e decisões.

BPM: Apesar de ser uma mulher de negócios, recentemente você descobriu a pintura em sua vida. Como você se tornou uma artista também?

Nurlan: Às vezes sinto frustração em ver algo que não posso mudar… E meu marido viu minha inquietação e ele me ajudou a encontrar uma maneira de esboçar esse sentimento. Pintar é um dos meus caminhos para canalizar as expressões dos meus sentimentos.

BPM: Deixe uma mensagem para as mulheres brasileiras que estiverem lendo esta mensagem agora.

Nurlan: Não importa qual seja sua situação, você já foi projetado pela natureza para ter todo o poder de viver em harmonia e amar a vida. Tudo na vida é sobre como você encontra, nutre e compartilhe sua vida com os outros.

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Fabi é uma mulher de fibra, que carrega no coração o mundo inteiro. Jornalista e bailarina, tem mestrado em Educação, Arte e História da Cultura e é doutoranda em Antropologia, mas nem liga para esses títulos porque o que ela gosta mesmo é de estar no meio da moçada, promovendo Direitos Humanos e empoderamento popular. Atua com educomunicação e juventude desde que se entende por gente, e ganhou em 2015 o título de mulher inspiradora pelo coletivo feminista "Think Olga" que nomeia os destaques femininos em suas áreas de atuação. Fabi é consultora em comunicação e mobilização social e ja trabalhou para diversas agências das Nações Unidas, além do CDC de Atlanta, além de diversas ONGs e Fundos. Escreve para esse blog desde 2013. Ela tem rodinhas nos pés e asas nas costas. Talvez por isso alguns a chamem de fada. Não tentem descobrir de onde ela é, porque ela pertence a muitos lugares e ao mesmo tempo a nenhum. Essa aquariana de riso farto, tira leite de pedra por onde quer que vá. Saiu do Brasil para morar na Indonésia em pleno pós Tsunami sem falar nenhuma palavra de inglês, se virou bem e daí pras Filipinas e Vietnã. Fez uma pausa no Brasil e agora está na Suíça. Por quanto tempo? Não se sabe. Ela segue à risca o conselho de Frida Kahlo que diz: Onde não puderes amar, não te demores...

1 COMENTÁRIO

  1. PARABÉNS fabi PORQUE MOSTRAS MUITA FIBRA E CORAGEM,TENACIDADE E SENDO UMA MULHER COM GRANDE cultura te envolves em projetos importantes e não te encastela só na academia e partiste para a ação.A Nurlan,na INDONÉSIA MOSTRA QUE VIEMOS AO MUDO PARA REALIZAR E AJUDAR AS PESSOAS.Admiro aqui no Brasil a cientista Mayara Zatz pelo trabalho que faz e seu humanismo.Ainda temos pessoas boas e de valor.

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