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Verão na região de Basel: a vida gira em torno do Reno

Verão na região de Basel: a vida gira em torno do Reno.

Quando eu me mudei para a Suíça uma peculiaridade que me surpreendeu foi a contemplação das  estações do ano – desde o charme dos dias de neve, das folhas amarelas e alaranjadas do outono, da explosão de cores e flores da primavera, passando pelo sol das tardes de verão – enfim, todas essas sensações, tão opostas entre si, começaram a marcar a minha experiência na Europa.

Antes, quando morava no Brasil, eu não me importava muito com as chegadas e partidas das estações, afinal, na região onde eu residia não existiam diferenças extremas entre elas, e ficar em casa num dia de verão não era pecado algum, pois em uma infinidade de dias o sol continuaria a surgir por lá. Aqui não: uma jornada de sol perdida faz uma enorme diferença. No verão, a cada raiar do dia, é possível sentir aquela alegria boa vinda das bochechas coradas das pessoas. Sair de casa com frequência entre junho e setembro pode garantir, ao menos na cabeça da gente, um outono mais paciente e um inverno menos demorado. É um efeito psicológico, eu sei, mas depois que você passa apreciar caminhadas nos parques, banhos gelados de piscina, gramados ao longo dos lagos – o verão se ressignifica. Por isso, esse post serve para partilhar a importância de se lançar na experiência do verão na Suíça, principalmente, ao longo do Rio Reno, na região de Basel.

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Além do Reno ser um dos cartões postais da cidade, a primeira coisa que eu observei foi que, durante o verão, o rio traz vida à Basel, pois ele oferece recreação ao ar livre e é muito comum as pessoas irem até lá para tomarem sol, caminharem e, especialmente, para se refrescarem num banho de água doce. Essa tradição de flutuação no rio vem de longa data, tanto é que, em 2018, ocorrerá o 38° evento aberto para a descida do Reno, que se chama Basler Rheinschwimmen. Ao longo desse dia (14 de agosto de 2018), muitas pessoas repetem esse ritual que ocorre ao longo de todo o verão: descem o rio em suas bóias, que são na verdade um tipo de sacola à prova d’água que serve tanto para flutuar quanto para guardar a roupa e os pertences enquanto se resfrescam. Essa sacola se chama Wickelfisch, tem a forma de um peixe arredondado e custa em torno de 20 a 30 francos. Para se ter uma ideia de como as pessoas curtem essa experiência ao longo do rio com suas bóias, veja esse video.

Vale lembrar que, nessa época do ano a temperatura do Reno gira em torno de 18°C a 23°C, assim, se não for para curtir as correntezas com o Wickelfisch, também é possível cruzar o rio nas pequenas balsas que se localizam entre as 5 pontes da cidade. O curioso é que esses barcos estreitos não são motorizados, e para cruzar o rio eles se valem apenas da força das correntezas, e esse passeio tem sido feito assim, pelo menos, nos últimos 150 anos. A travessia dura uns 5 minutos, e se você usar o ferry que fica próximo à catedral gótica de tijolos vermelhos (Basler Münster), após subir as escadarias da igreja, poderá aproveitar a vista do rio e da cidade a partir de um amplo terraço (The Pfalz).

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Também existem os cruzeiros pelo Rio Reno onde, dependendo do percurso escolhido, é possível não só apreciar alguns pontos turísticos da cidade como até chegar à Alemanha e voltar em aproximadamente 2 horas de passeio.

Igualmente, é às margens do Reno que os cidadãos de Basel comemoram o dia nacional da Suíça, num festival que reúne barracas de comidas, palcos com performances musicais e queima de fogos na noite do dia 31 de julho, e que costuma contar com muita gente e durar até a madrugada – o que é bastante inusitado por aqui.

Outra atividade bem habitual do verão é organizar a família e os amigos para se fazer um “churrasquinho” de salsichas em espaços públicos que são reservados para isso; e que contam com uma estrutura simples mas acolhedora. Se a opção for fazer barbecue ao longo do Reno, temos parques como o Barfusspark, em Birsfelden, que conta até com uma faixa de areia para banhos de rio. Ou senão, estas grelhas também estão disponíveis no Park im Grünen, que fica em Münchenstein; bem como em bosques como o Tierpark Lange Erlen, próximo da fronteira com a Alemanha. Além disso, essa é a época propícia para piqueniques como no Merian Garten, que é uma espécie de jardim botânico aberto especialmente nos meses de calor.

Park im Grünen, em Münchenstein (arquivo pessoal)

Entretanto, é bom se precaver, porque esses lugares são muito procurados no verão. Então, se você não quiser chegar cedo para conseguir uma grelha com sombra, ou não gostar de se defumar num churrasquinho improvisado, ou também não quiser dividir seu sanduíche com as formigas, todos esses parques contam com uma boa estrutura de restaurantes: Veranda Pellicano (no Barfusspark), Seegarten (no Park im Grünen), Lange Erlen (no Tierpark Lange Erlen) e Villa Merian (no Merian Garten).

As recreações de verão também se estendem à vida cultural, pois em agosto, na praça da Basílica de Münster (Münsterplatz) ocorrem diversas sessões de cinema ao ar livre, e como o sol se põe bem tarde nessa época do ano, essa é uma boa opção para o final do dia. E, nesse período temos também o Festival Romano em Augusta Raurica, uma ótima oportunidade para se conhecer as ruínas da cidade romana com seu pequeno coliseu, teatro, templo e muito mais, espalhados em meio à vida urbana de Augst, e preservar esse patrimônio ao lado de gladiadores, corridas de charretes e espetáculos teatrais que revivem esse período da história.

Outra tradição do verão suíço é um bom mergulho nas piscinas públicas, que se espalham por todas as cidades. Na região de Basel existem várias delas, veja a lista aqui. E para saber um pouco mais sobre essas piscinas, leia o texto publicado aqui no BMP chamado “Verão e Piscinas Públicas na Suíça”.

Nessa estação também surgem muitas oportunidades gastronômicas sazonais, como um Brunch no estilo “casa de fazenda”, em que é possível degustar uma refeição e depois dar uma volta no estábulo das famosas vacas suíças, alimentá-las e comprar leite fresco, tudo, numa colina encravada em meio a espaço urbanizado, em Binningen. Ou um Brunch no estilo “praia de água doce” onde, após o café, você pode tomar um sol em cadeiras de praia estendidas às margens do Reno.

Por ultimo, não se iluda, a palavra-chave para explorar o verão nestes locais é despretensão. Ou seja, é preciso se levar em conta que o modo de vida na Suíça, em geral, é singelo e muito natural. Não se preocupe com a última moda dos biquínis, dos chinelos e dos óculos de sol, e não se inquiete se você está ou não em forma ou bronzeada. Basta protetor solar, chapéu e boa vontade para se sentar no gramado e aproveitar a leveza da temporada. A vida expatriada na antiga Confederação Helvética requer a compreensão de novas regras morais e dentre elas está a simplicidade.

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2 comentários

RAQUEL SA Setembro 7, 2018 at 1:12 pm

Muito bom, Lúcia! Despertou a vontade de visitar a região para fazer ao menos um desses passeios.

Bjs

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Lúcia Bastos Setembro 7, 2018 at 2:06 pm

Oi Raquel! Se o meu texto te motivou à visitar a Suíça, então, minha missão está cumprida! Aproveite para explorá-la enquanto eu estou por aqui…

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