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Vietnã – Quando a Saúde vai Mal e Estamos Longe de Casa

Um ponto nevrálgico para quem vive longe de casa é a questão da saúde.

Como se diz por aí, a gente só pensa em saúde quando essa está faltando.

Todo mundo sabe (e adora falar a respeito) que a saúde é uma porcaria, que falta remédio nas farmácias dos hospitais públicos, que há demora no atendimento, etc etc etc, mas o fato é que nós somos extremamente mimados.

Só quem mora fora muito tempo é que tem noção do que existe de saúde por aí.

E não estou falando só de saúde pública não. Há lugares no mundo onde não importa quanto dinheiro você tenha, serviço de saúde é uma coisa com a qual você simplesmente não pode contar.

Aqui no sudeste da Ásia, há vários lugares onde o povo tem que pagar até por vacina de poliomielite. Sabe o Zé Gotinha? Vacina de graça , propaganda na TV,  Zé Gotinha dando boas vindas na porta das escolas? Então…esquece!

Há lugares onde a pólio não está erradicada simplesmente porque as pessoas não tem dinheiro para pagar a vacina.

Outra coisa aberrante: Uma criança que dê entrada num hospital e não tenha dinheiro para pagar o atendimento (normalmente você paga antecipado), simplesmente não é admitida.

Deixe-me detalhar com um exemplo: Uma criança atropelada, com hemorragia e fraturas diversas que dê entrada em um hospital e não tenha dinheiro, é enviada de volta pra casa do jeito que está.

Daí tem brasileiro que vai tentar dizer que no Brasil é igual, que as pessoas ficam na maca nos corredores e tudo mais. Só que no Brasil temos a lei de omissão de socorro. Se um menino de rua for atropelado na porta do hospital Albert Einstein em São Paulo, ele vai ser atendido. Pode ser que a mãe tenha que vender os olhos para pagar a conta (e provavelmente nunca a pague) , mas o menino já estará a salvo.

Aqui não tem disso não! Mas não era disso exatamente que eu ia falar.

Eu ia dizer que há lugares ao redor do mundo, não importa quanto dinheiro você tenha, você simplesmente não poderá pagar por uma boa saúde.

Então eu tenho dois conselhos básicos muito importantes para quem vem ao sudeste da Ásia, nem que seja a passeio.

Você precisa ter um dinheiro guardado para o caso de uma emergência. Ano passado um rapaz brasileiro sofreu um acidente na Indonésia e ficou numa situação horrível porque não podia pagar o tratamento. Ele foi pra Singapura, onde poderia ser melhor atendido, mas a família passou semanas no Facebook fazendo “vaquinha” para arcar com os gastos.

Então se você decidir se aventurar por ai, trate de acionar um plano de saúde ou seguro internacional que te “banque” caso o pior aconteça.

Esse moço conseguiu arcar com os custos, mas a família passou por um sufoco horrível.

Então atenção para o conselho número 1:

Nada de viajar pro fim do mundo sem seguro de saúde. É perigoso!

Conselho número dois:

Muita gente se ilude com o brilho de viver uma vida expatriada, e aceita qualquer coisa em nome da aventura e da experiência. Veja bem, se você está se mudando para um país onde a saúde é precária,  talvez te obrigue a evacuar (não eu não estou falando de ir ao banheiro, evacuar é o termo técnico das companhias de seguro quando se referem a necessidade de buscar determinado tratamento fora do país onde você está).

Eu por exemplo, preciso me tratar de uma doença autoimune na Tailândia, porque no Vietnam não há nenhum medico reumatologista que atenda estrangeiros.

Então, se você tem alguma doença preexistente ou se a sua empresa não está disposta a arcar com seu tratamento de saúde em caso de evacuação, pense duas vezes antes de aceitar mudar-se de mala e cuia.

Você pode achar que o atendimento do SUS está longe de ser o ideal, mas aqui desse lado do mundo, o conceito de que o Estado é responsável por promover saúde ao povo, é algo simplesmente inimaginável. Se pagando, você já tem um atendimento de baixíssima qualidade, sem dinheiro então você vai morrer sem atendimento.

Vale lembrar que aqui tem um montão de doenças que você nunca ouviu falar: Encefalite japonesa, gripe suína, gripe aviaria, sars, e mais um monte de outras coisas que no Brasil são perfeitamente tratáveis mas que fora do Brasil podem ser mortais, como meningite por exemplo.

Uma amiga de apenas 25 anos faleceu em dois dias, depois de adquirir meningite num passeio turístico.  Ela foi atendida num hospital de qualidade mediana.

Outro rapaz adolescente, também teve meningite, mas ao primeiro sintoma de dor de cabeça forte e suspeita remota de meningite, a mãe fretou um avião ambulância e mandou o menino pra Tailândia, onde foi tratado e salvou-se.

Eu não estou falando aqui de uma milionária excêntrica que tinha um jatinho no quintal, mas de uma mãe de família prevenida que exigiu que no contrato de trabalho do seu marido existisse um tópico garantindo que em caso de risco de morte, a seguradora seria obrigada a promover a evacuação do paciente.

Parece uma dica boba, mas pode salvar a sua vida!

Aventura é muito bom , mas voltar pra contar é ainda melhor!

 

 

 

 

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15 comentários

Cristiane Leme Junho 24, 2013 at 3:26 pm

Excelente!!! Informação rica e precisa. A comparação com o Brasil vem de encontro à discussão que se levantou acerca da saúde pública no Brasil recentemente, com o anúncio da presidente sobre a ‘importação’ de médicos.
A gente só sente falta do que tem, quando perde!
Parabéns e muita saúde pra você!

Beijos

Resposta
Fabi Mesquita Junho 24, 2013 at 4:49 pm

Querida, muito obrigada pelo carinho
é isso mesmo, a gente que tá fora consegue ter uma visão mais panorâmica do que rola dentro
O mundo aqui fora é muito maior que nosso umbigo

bjs

Resposta
Carol Junho 24, 2013 at 3:34 pm

Fabi achei ótimo o tema escolhido! Realmente, quando a gente pensa em viajar, a última coisa que passa pela cabeça é um possível acidente ou situação perigosa, mas pode acontecer… Aqui na Hungria, eles obrigam a comprar seguro com qualquer viagem que você faça pela agência, nem que seja o mais simplezinho, mas sempre garante o mínimo de segurança em um outro país. Acho muito certo! Até hoje meus seguros sempre foram em vão, AINDA BEM, e espero que continue assim. Como diz meu pai: é um dinheiro que a gente paga esperando que vá embora sem usar… rsrsrsrs Adorei as dicas!
Beijinhos!

Resposta
fabi mesquita Junho 26, 2013 at 1:05 am

Puxa ! Que legal!
Nao sabia isso de seguro obrigatorio, mas achei muito legal!
Obrigada pelo comentario!
beijinhos

Resposta
Lyria Junho 24, 2013 at 4:12 pm

Fabi, é isso mesmo… as pessoas tem que saber com que contar quando deixam o seu “conforto”. Eu trabalhei muitos anos numa secretaria municipal de saúde e defendo o SUS. Não defendo maus profissionais, que não cumprem seus horários e tratam mal os pacientes. Esses são maus em qualquer lugar, até mesmo nos seus consultórios particulares. O SUS no Brasil tem problemas? Tem e ainda pode ser melhorado, mas ainda é melhor que muitos serviços de saúde pelo mundo!
bjo

Resposta
Denise Junho 24, 2013 at 6:22 pm

Pôxa Fabi, que toque útil vc me deu. Tenho planos de viajar pela Ásia e confesso que eu nao havia pensado nisso, pois qdo fui há muitos anos atrás tive muita sorte e nenhum problema. Confesso que com o fato de doença preexistente, me sinto um pouco insegura, mesmo viajando como turista.
Sei que o proprio cartao visa tem um seguro saúde, mas vou me informar melhor.
Muito agradecida, aproveite muitos a exótica Asia.
Bjo.
Denise

Resposta
Tati Sato Junho 25, 2013 at 8:20 am

Seguro-saúde é o tipo de coisa que temos que ter, embora não queremos usar: queremos que seja um dinheiro jogado fora! 😉

Parabéns, Fabi! Realmente, a saúde no Sudeste Asiático é um tema bastante complicado, mas nunca pensamos que vamos precisar. Os hospitais aqui em Manila (pelo menos os que vou) não são ruins, mas são privados. Acho que o tema saúde é bastante complicado porque brasileiro tem a mania (horrorosa) de meter pau no sistema de saúde que temos (OK, de fato precisa ser melhorado) e não consegue ver que os profissionais formados pelas universidades brasileiras estão entre os melhores do mundo.

Acho que, talvez, o sistema de saúde daqui funcione como o dos Estados Unidos, como se fosse um negócio. Muito triste essa realidade…

Um beijo, minha linda!

Resposta
Daphne Junho 25, 2013 at 12:42 pm

Oi Fabi, muito bom teu texto, de grande importancia para os brasileiros que planejam sair de casa, do conforto e da comodidade do dia a dia para aventurar-se nesse mundao!
Mas fico em dùvida é se mesmo com um seguro saùde de viagem a coisa funcione na pràtica. Ja aconteceu de eu sair aqui da Italia para o Brasil(meu marido é italiano) e là em Santos/SP ele precisar de um atendimento devido a uma virose(ele tinha a recomendaçao de saùde da Italia) e na hora “h” o hospital nao reconheceu o tal documento. Sorte que havia o pai de uma amiga, médico, que estava de plantao e o atendeu gratuitamente.
Além desse ponto e falando agora sobre as doenças que voce mencionou, deve ser revoltante ver esse tipo de tratamento para com os cidadaos.
Valeu pelos conselhos!
Bjsss
Daphne

Resposta
Jennifer Toledo Junho 26, 2013 at 1:07 am

Acabei de ler o seu post. Amei. Apenas para complementar que o poderoso Estados Unidos também não tem política pública de saúde. Por incrível que pareça, anos atrás Obama levou ao Congresso americano um projeto para que isso se torne realidade. Acho que a Rafa Lombardino poderia explicar mais. Beijos
Jennifer Toledo

Resposta
Maristela Valdez Junho 26, 2013 at 1:15 am

Parabéns Fabi! Ótimo texto. Bjs!!!

Resposta
Elaine Ferreira De Pauw Junho 26, 2013 at 7:52 am

Muito bem abordado. Parabéns Fabi Mesquita, por alertar os menos desavisados, de como vai a saúde fora de nossa terrinha.
Elaine

Resposta
Marcela Reynolds Junho 26, 2013 at 7:53 am

Me sinto um pouco assim no Reino Unido aonde ja escutei um absurdo de uma parteira tentando me convencer que tipo sanguineo muda com gravidez e um especialista ia fazer um op no meu marido com anestesia geral sem nenhum exame pre operatorio. Isso pelo particular com o Bupa. A saude publica aqui pode ate ser melhor que do Brasil (ate pq a populacao do Brasil eh gigante e pobre), agora acho um absurdo a saude da mulher neste pais, prevencao pessima, a mulher no pre natal no Brasil tem direito a exame de strep B, enquanto aqui tem bebes morrendo por conta de meniginte.Tem muita brasileira que defende este sistema mas quando vai ao Brasil faz prevencao com um gine, vai a um dentista e leva os filhos a um pediatra. Adoro seu blog Ann Moeller, muito informativo.

Resposta
Comemorando o Primeiro Aniversario. Parabens Brasileiras Pelo Mundo! Junho 26, 2013 at 2:19 pm

[…] o blog, voce sabera da importancia de seguro de saude em alguns paises, de como os dinamarqueses tornam tudo a sua volta aconchegante, sobre cultura […]

Resposta
Christine Marote Julho 4, 2013 at 9:53 am

Fabi, parabéns pelo texto. Realmente temos o hábito e achar que coisa ruim só acontece na casa do vizinho. Sair para viajar sem seguro saúde é falta de juízo! =]

Resposta
Arthur Setembro 23, 2013 at 6:12 pm

Olá Fabi,
Quem sabe vc pode me ajudar. Sou jornalista e busco personagem para uma reportagem. Você conhece aí no Vietnan algum pai ou mãe brasileiros para dar um depoimentos para mim sobre a relação dos filhos com a publicidade infantil.
Por favo, se conhecer, mande um email com os contatos, ok?

Obrigado
Arthur Lopez

Resposta

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