Vinhos italianos

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Crédito imagem desconhecido. Fonte internet.
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Muitos asseguram que considerar a história do vinhos italianos é considerar a história da própria Itália, e que vinho e civilização italiana são praticamente sinônimos. Tanto que dizem que, ao nascer, um italiano torna-se um cidadão da “terra do vinho”. O fato é que a vinicultura está enraizada na consciência nacional, na sua imaginação e em seu dia a dia. O italiano é um herdeiro de milhares de anos do cultivo das vinhas e da sua posterior produção e, assim, do Norte ao Sul do país, vigora a Santíssima Trindade Mediterrânea, que nada mais é do que o tripé constituído de vinho, pão e azeite.

História e tradição

Na Antiguidade, a Itália era conhecida como “Enotria”: Terra dos Vinhos.

A história da vinicultura italiana, entendida como a prática da cultivação de vinhas para a produção de vinho, remonta da Pré História. Os Gregos, quando conquistaram a bacia do Mediterrâneo (1000 a.C), introduziram como parte do seu processo de colonização o cultivo das vinhas na Itália. Sementes de uvas e sedimentos de vinho também foram encontrados em sítios arqueológicos datados de 1.200 a.C.. Ainda há registros de que, desde 500 anos antes de Cristo, habitantes da atual Basilicata já tinham desenvolvido e aperfeiçoado as técnicas da vinicultura, vinificação e armazenamento do vinho.

No entanto, foram os romanos que arraigaram o valor do vinho no subconsciente coletivo do país. Eles atribuíam um grande valor à bebida, creditando a este, inclusive, a qualidade de um presente dos deuses: mais precisamente de Baco. Os romanos também o levavam quase como uma “demarcação de território” e, como uma forma de impor seus costumes e sua cultura, vinhedos eram cultivados em áreas interioranas e regiões conquistadas.

Foi a partir do final do século XIX, com o alvorecer da Revolução Industrial, que a vinicultura da Itália passou a desenvolver novas técnicas, desenvolvendo suas castas locais e firmando sua identidade e reputação como um dos melhores países produtores de vinho do planeta.

A Itália é uma das maiores produtoras de vinhos do mundo. Contando com uma diversidade de rótulos – cerca de 18.000 nomes – produzidos por grandes ou pequenas vinícolas, o país também figura como o maior exportador mundial.

A Itália e a França de tempos em tempos se alternam no pódio de maior produtor mundial de vinhos. Neste eterno derby, o que faz a diferença em cada estação é, sobretudo, a condição meteorológica.

Neste momento, segundo a União Europeia, a Itália bateu a França e voltou a ser o primeiro produtor mundial na campanha 2015/2016, produzindo 48,8 milhões de hectolitros de vinhos. Muitos dizem que 2015 foi um ano histórico pela quantidade e qualidade. Então, se você esbarrar com um vinho italiano de 2015 por aí, não hesite em comprá-lo e degustá-lo com a tua melhor companhia.

Classificação e Categorias especiais

Segundo especialistas, o vinho italiano é um dos mais difíceis de compreender. Isto porque a sua variedade de uvas é maior do que a de qualquer outro país – são cerca de 350 variedades de uvas viníferas italianas. Todas as regiões e inúmeras microrregiões italianas o produzem, em maior ou menor quantidade e qualidade, protegendo seus nomes e marcas sob legislações de qualidade.

Uma das primeiras coisas a se entender é a sua classificação, que se divide em:

Vinho de Mesa (Vino da Tavola) – são vinhos de qualquer procedência geográfica. São aqueles baratos e simples, para o consumo diário. Muitos restaurantes o oferecem devido a sua fácil compatibilização com a comida e também porque aí se abrigam alguns excelentes vinhos. Determinadas curiosidades é que estes não podem ter no rótulo o nome da uva, nem a safra, nem a região. E eles constituem cerca de 80% dos vinhos da Itália.

Indicação Geográfica Típica (Indicazione Geografica Tipica – IGT) – são os vinhos de mesa elaborados em regiões geográficas específicas (um estado, uma cidade ou parte dela, etc.). Essa denominação foi instituída a partir de 1992 e é aplicada em cerca de 150 vinhos de mesa. Neste caso, podem constar no rótulo o nome da uva, a safra, a região e o seu tipo.

Denominação de Origem Controlada (Denominazione Di Origine Controllata – DOC) – esta qualificação é atribuída aos vinhos provenientes de regiões vinícolas delimitadas, que podem ser uma pequena área, uma cidade ou uma área geográfica ainda maior. Ela foi criada em 1963 e a sua quantificação (cerca de 300) é complicada, pois em cada uma das macrorregiões assim definidas, se encontram diversas regiões, que por sua vez abrigam dezenas de DOCs (Denominações de Origem). Neste caso, as regras são mais rígidas, pois a legislação determina o sistema de poda e plantio dos vinhedos, o rendimento máximo de uvas por hectare, o teor alcoólico dos vinhos, as técnicas de vinificação e os critérios de envelhecimento. Além disso, os vinhos passam por degustação técnica e análise química para endossar sua tipicidade.

Esses também podem trazer no rótulo a inscrição Vinho de Qualidade Produzido em Região Demarcada – VQPRD.

Denominação de Origem Controlada e Garantida (Denominazione Di Origine Controllata E Garantita – DOCG) – é aí que se concentram os melhores vinhos da Itália. As regras são ainda mais rígidas e anualmente esta classificação é aprovada ou reprovada por uma comissão oficial de degustadores. Essa classificação foi criada em 1982 e é atribuída aos vinhos de quatorze DOC.

Os Fora-Da-Lei: são os vinhos italianos considerados entre os melhores do país e do mundo, mas que se classificam apenas como Vinho de Mesa ou IGT por não se enquadrarem nas normas das DOC e DOCG.

Não vou me ater aqui aos pormenores das categorias especiais e nem aos vinhos de cada região, pois a lista é grande e este texto ficaria enorme.

Resumidamente, as categorias especiais não têm relação com a qualidade, mas sim com as características específicas que os diferenciam. Seriam elas:

  • de acordo com o tempo de envelhecimento: Jovem (Novello); Superior (Superiore); Velho (Vecchio); Reserva (Riserva);
  • de acordo com o tipo de vinho: Clássico (Classico); Espumante (Spumante); Frisante (Frizzante); Seco, Meio Seco ou Demi-sec, Doce (Secco, Abbocado , Amabile e Dolce); Licoroso (Liquoroso); Passificado (Passito); Repassado (Ripasso).

Quanto às regiões, as que mais se destacam no cenário do vinho são: Piemonte, Vêneto e Toscana. Destaco aqui apenas as regiões detentoras dos quatorze vinhos de Denominação de Origem Controlada e Garantida – DOCG:

  • Piemonte: Barbaresco, Barolo, Gattinara e Asti;
  • Lombardia: Franciacorta;
  • Toscana: Brunello de Montalcino, Carmigiano, Chianti, Vino Nobile di Montepulciano e Vernaccia di San Gimignano;
  • Umbria: Albana di Romagna (na Emilia Romagna); Montefalco Sagrantino e Torgiano Rossso Riserva;
  • Campania: Taurasi.

Outra coisa legal de saber, é que existem mais de 150 Estradas Do Vinho, onde é possível fazer turismo conhecendo e degustando o que a tradição italiana tem de melhor: a vinicultura e a tradição gastronômica. Eu te garanto que a Itália te surpreenderá ainda mais a cada gole de vinho. E quando estiver passeando por aqui, repare nas inúmeras estátuas e pinturas do Deus Baco espalhadas pelo país, elas mostram a importância do vinho no Império Romano.

E por fim, lembre-se: In vino veritas. Essa frase em latim significa “no vinho está a verdade” e é utilizada como provérbio para expressar a sensação de “liberdade” provocada pelo álcool. Ou seja, beba, mas com responsabilidade e moderação.

Salute!

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Citações, fontes e fontes de inspiração:

Itália – Mapa do vinho | Itália | Mapa do Vinho: Itália | Itália: As Principais Regiões Que Produzem Vinho | Vinhos Italianos do Passado e do Presente | História do vinho | Significado de In vino veritas | Viticoltura in Italia | Le Strade del Vino in Italia | Storia del vino in Italia | Vino, l’Italia batte la Francia e torna prima nel mondo | L’Italia batte la Francia, siamo i primi produttori di vino al mondo

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Farah vive em Gênova, na Itália. Ela é uma daquelas pessoas que pegou o avião para, audaciosamente, chegar lá onde estão as histórias… e, sem querer, descobriu que as ama contar. E porque quem escreve deve fazê-lo em um espaço e em um tempo, deve viver um espaço e um tempo, ela está sempre por aí, no seu caminho – entre os seus blogs Pelos campos de trigo, Tempos de gestão,Observações sobre o belo e o sublime (Obvious) e @peloscantosdomundo (Instagram). Além disso, ela é Bacharel em Administração Hoteleira. Possuí dois MBAs, em Gestão de Pessoas e em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios. E um Master em Inovação na Administração Pública. Em 2005, foi publicado o seu primeiro livro "Fator Humano da Qualidade em Empresas Hoteleiras".

1 COMENTÁRIO

  1. Adorei!
    Eu e minha esposa, quando morávamos no Brasil, sempre consumíamos os rotulos chilenos e argentinos por preferencia e relaçao beneficio x preço.
    Quando nos mudamos pra cá, 2015, não paramos mais de consumir e aproveitar essa imensidão de maravilhosas sensações.
    Desde então, vinho bom deixou de ser um evento pra ser um cotidiano maravilhoso!
    Vou deixar aqui o meu instagram no link.

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