Visto Tipo B na Finlândia

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Foto: www.migri.fi
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Visto Tipo B na Finlândia.

Na Finlândia, existem quatro tipos de vistos para residentes: o tipo A, o B, o P e o P-EU. O A é para o que eles chamam de residentes permanentes contínuos; o P, para residentes permanentes; o P-EU, para residentes que fazem parte da Comunidade Européia, e o B, para residentes temporários. Vou abordar apenas o B, que é o que nós temos e é o que a grande maioria recebe ao se mudar para cá.

O visto B é um visto que permite sua residência no país por 12 meses, mesmo que você comprove que sua permanência será maior. No nosso caso, meu marido comprovou que teria um vínculo com a universidade por, no máximo, 4 anos. No entanto, mesmo com a documentação, recebemos a permanência temporária e teremos que dar entrada na renovação aqui antes de cumprir um ano.

Partindo do processo no Brasil, lidar com a Embaixada foi muito simples. Na verdade, acredito que nunca tivemos uma entrevista de visto tão tranquila, sem toda aquela loucura de fila e que nos sentíssemos tão bem tratados. É necessário agendar via telefone e ir pessoalmente até Brasília.

Ao entrar em contato com a Embaixada, fomos orientados a agendar a entrevista juntos para que solicitássemos os nossos vistos de uma só vez. Meu marido pedia um visto de estudante e o meu era de laços familiares. Nos aconselharam dessa maneira, pois assim os nossos vistos seriam aprovados juntos e poderíamos viajar ao mesmo tempo. Caso entrássemos com processos separados, ele teria o visto dele aprovado em 30 dias e o meu poderia levar até 9 meses para sair.

Para a comprovação de laços familiares, eles exigem uma documentação diferente da pedida para estudantes. Por isso, é necessário ter tudo em mãos antes de agendar a visita. Segue abaixo o que nós apresentamos:

  • Certidão de casamento ou documento que comprove a união estável: o original e sua tradução juramentada, que deve ser legalizada (a nossa foi através do MRE, porém, abaixo, explico sobre o novo procedimento);
  • Passaporte original e cópia das páginas utilizadas;
  • Formulário OLE_PH1 devidamente preenchido;
  • Formulário PK1_plus devidamente preenchido;
  • Comprovação de Seguro Saúde com cobertura mínima de 30 mil euros;
  • Uma foto 47 x 36 mm de rosto (informações em inglês sobre como deve ser aqui);
  • Comprovação financeira através de extratos bancários originais do caixa eletrônico ou online com assinatura do gerente no valor de 21.600 euros/ano para o casal. O montante deve estar depositado em conta corrente ou poupança – não aceitam conta investimento – e deve estar em nome do requerente ou cônjuge;
  • Comprovante da taxa de visto Laços Familiares no valor de R$1.600,00 depositados na conta corrente da Embaixada (Tabela de Emolumentos);
  • Comprovante do pagamento para legalizar documentos na Embaixada (nós legalizamos a certidão de casamento original, a traduzida e o certificado da universidade do meu marido);
  • Comprovante do pagamento da taxa do Sedex;
  • Declaração que autoriza a Embaixada a enviar a carteirinha via Sedex preenchida (nós preenchemos e assinamos na hora).

Quando nós viemos, a Convenção de Haia ainda não havia sido aprovada e toda a legalização de documentos era feita apenas pelo MRE, de forma gratuita. Desde que a convenção entrou em vigor em agosto de 2016, o MRE não tem mais autorização para legalizar documentos que serão destinados aos países que mantêm o acordo e você pode ler mais sobre isso no site do Itamaraty. Portanto, agora esse serviço é feito por cartórios autorizados e você pode encontrar a relação deles aqui.

Os documentos acima devem ser os originais e vários deles ficam lá no dia da entrevista. Diferente de muitos outros países, eles não ficam com seu passaporte, pois a permissão de residência não é colocada nele e, sim, entregue através de uma carteirinha separada. O prazo que dão é de 30 dias e foi exatamente na data prevista que os nossos documentos chegaram da Finlândia a Brasília.

Existem algumas informações que não encontramos no Brasil antes de vir para cá. Na verdade, existe uma divergência de informações sobre o visto para laços familiares que confundem bastante e podem trazer alguns inconvenientes. Um exemplo disso é que não exigem seguro saúde para o familiar na hora do visto. Por acaso, nós fizemos um para mim, junto com o do meu marido, pois, na verdade, pensamos que era meio lógico que, se exigiam para ele, eu também precisaria. Resulta que não é bem assim que funciona e, na Embaixada, nos informaram que eu não precisava, mas que se quisesse – já que eu tinha a comprovação – anexariam ao meu processo.

Chegando aqui, descobrimos que ter feito um seguro saúde para mim foi a melhor coisa que fizemos. Não por ter necessitado usar, mas porque descobrimos que eu não teria direito à saúde pública. Eu teria que pagar cada consulta, cada exame e até para ser atendida em caso de emergência. Com certeza a conta disso seria superior ao que gastamos com os nossos seguros.

Por isso, mesmo não sendo uma exigência para o visto, eu recomendo que todo mundo contrate um seguro de saúde antes de sair do Brasil. A própria Embaixada ou o Consulado de São Paulo orientam quais você pode fazer que cobrem o custo que exigem. E caso você esteja vindo na mesma situação que eu, com um marido estudante, eles possuem valores mais atraentes que esses oferecidos por agências de turismo.

Outra informação contraditória foi sobre a permissão para trabalhar. No Brasil, foram bem categóricos que eu não poderia trabalhar e que por isso o valor que exigiam para me sustentar aqui era superior ao valor de um estudante – que recebe o direito de trabalhar 25 horas semanais.

Porém, descobri que a minha residência me autoriza, sim, a trabalhar normalmente e, quando fui até o setor de imigração aqui em Espoo, me mostraram que na minha carteirinha está escrito, inclusive, a lei que me permite a isso. A lei é a Työnteko-oikeus: ULKL 78 § 3M. 2K e você pode encontrar mais informações em inglês aqui.

Para o visto B, tanto de estudante como de laço familiar, você não tem direito ao KELA (sistema previdenciário) assim que você chega. Esse benefício só é dado quando se começa a trabalhar e a pagar impostos. Também é dado somente para a pessoa que trabalha e não como benefício a toda família. Então, por exemplo, se meu marido começar a trabalhar, somente ele terá o direito adquirido e o mesmo ocorre se a situação for inversa.

Existem situações em que eles o beneficiam, sem ter um trabalho, também. É o caso de uma amiga que estava em processo de renovação de visto e recebeu uma carta dizendo que haviam reavaliado o caso dela e que estavam lhe dando o direito ao KELA. Provavelmente, por ela ter completado um ano de residência, eles consideraram sua intenção de permanecer no país. Mas como nosso visto é de residência temporária, muitas vezes eles avaliam caso a caso e nem sempre o que vale para um será exatamente o que será feito com o outro.

Basicamente, a maioria das informações para o processo você encontra no site da Embaixada da Finlândia e qualquer outra dúvida que apareça, tenho certeza que o pessoal lá vai ter o prazer em ajudar, assim como fizeram conosco. Também aproveito para compartilhar mais dois textos que podem ser úteis para vocês: este e este outro aqui!

Esse momento de mudança de um país para outro traz muitas dúvidas e, às vezes, muita insegurança também. Ainda mais quando é um país tão diferente do nosso, né? Por isso, espero poder ter te ajudado um pouquinho com esse turbilhão de informações que de repente caem no nosso colo!

Até a próxima!

9 Comentários

  1. Oi, no site da embaixada tem informações bem confusas. Diz que para um estudante é preciso comprovar EUR 6720 por ano e para um casal 21.600. Isso faz sentido?

    • Oi Sheisa! Sim, a informação está correta. Se você está indo como estudante, para que a embaixada te conceda o visto, você precisa comprovar que tem pelo menos EUR 6720 em conta corrente ou poupança para passar um ano. Se você estiver indo como laços familiares (acompanhando o estudante), juntos precisarão ter o valor de EUR 21600. A pessoa com laços familiares precisa comprovar que tem mais dinheiro que o estudante e, por isso, o valor dela é mais que o dobro do valor. Pelo que sei, há poucos anos atrás as pessoas que acompanhavam não podiam trabalhar e com isso precisavam de mais dinheiro para se sustentar. Inclusive, a embaixada me disse na época que me mudei que eu não ia poder trabalhar e a informação estava errada! Porque não é mais assim. O estudante pode trabalhar 25h/semana e o conjuge não tem limite, pode trabalhar normal como qualquer outra pessoa. Mas a regra para o visto não mudou e continua dessa forma, pois não é tão fácil conseguir emprego atualmente! Ah, e lembrando que o dinheiro não pode estar investido e a conta deve estar no seu nome ou no nome do seu conjuge! Espero ter te ajudado!
      Um beijo,
      Lili

      • Boa tarde! Quero agradecer muito pelas informações. Foram muito úteis. Estou em processo de planejamento para ir com meu namorado e me ajudou muito! Você tem mais alguma informação sobre a autorização para ele trabalhar? Se o companheiro pode trabalhar, não teria como essa comprovação ser menor?
        Ah! E se não for muito abuso, como seu marido buscou a faculdade? Estou estudando finlandês e minha vontade é fazer na língua, mas estou achando as informações online muito confusas…

        • Oi Pân, tudo bom? Fico feliz que as informações te ajudaram.
          A permissão para trabalhar vai depender do tipo de visto que ele vai ter. Se vier como estudante, ele só pode trabalhar 25h semanais, pois o restante é para ele estudar. O visto de laços familiares, tanto para o homem como para a mulher, permite que trabalhem normalmente. No entanto, este visto só é dado para a pessoa que vem acompanhando o que tem um visto principal e não serve para namorado, apenas para cônjuge ou filhos. Qual é a situação que vocês estão se mudando? É trabalho, estudo? Se vierem como namorados, cada um terá que ter um visto independente.

          A comprovação de renda é exigida pelo governo para que você se sustente aqui por pelo menos um ano sem precisar trabalhar. Para laços familiares, ela não tem como ser menor e o valor é esse mesmo. Já para o visto de estudante, o valor é um pouco menor (https://migri.fi/en/residence-permit-application-for-studies). Conseguir trabalho não é algo muito simples aqui, 99,9% dos empregos exigem que você seja fluente em finlandês e não há como ter trabalho informal no país. Então, esse valor é necessário para que o indivíduo não tenha problemas financeiros enquanto está aqui e até se estabilizar. O valor só é isento se você tiver um visto de trabalho.

          Nós encontramos a universidade através dos cursos que ele tinha interesse, no Google mesmo. Ele separou os que ele mais gostava e fomos entrando em contato com cada universidade =) Neste vídeo, você pode ver mais sobre isso: https://www.youtube.com/watch?v=29kVB24tQPU&t=5s! Sinceramente, não querendo te desanimar, mas fazer o curso na língua pode atrasar seu processo. Para ser fluente o suficiente para fazer um curso universitário em finlandês, você vai demorar um tempo maior e, por experiência própria, o ideal seria você estar aqui para ter a vivência do idioma diariamente antes de ingressar. Mesmo com aulas diárias, o idioma é bem complexo. O Governo oferece um programa de integração para residentes permanentes (apenas para os que tem o visto A) e são cursos intensivos de 6 horas por dia por aproximadamente 2 anos! Não quero te desanimar e sei que algumas pessoas tem mais facilidade que outras para aprender. Mas te digo isso para que avalie se dentro da sua área faria realmente diferença ser em finlandês ou em inglês! Aprendendo finlandês aí, você já tem a vantagem de conseguir se comunicar aqui e talvez conseguir um emprego mais rápido! E tendo a conclusão de um mestrado, mesmo que em inglês, não garante um emprego, mas já te abre portas aqui! Agora, se você quiser algum curso muito específico, tipo algo na área da saúde ou educação, daí provavelmente terá que ser em finlandês mesmo. Já o restante é tudo em inglês (inclusive para os finlandeses).
          Espero ter te ajudado!
          Um beijo,
          Lili

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