Vou morar na Arábia Saudita, e agora?

Parte 2

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Vou morar na Arábia Saudita, e agora?

No mês passado eu iniciei respondendo algumas perguntas que recebo com frequência, se você não viu a parte 1, clique aqui.

Toda semana eu recebo pelo menos um contato via blog, canal do Youtube ou pelo meu Instagram, de algum brasileiro que recebeu proposta de vir morar na Arábia Saudita e está cheio de dúvidas.

Nesses meus três anos de Arábia Saudita, já escutei todo o tipo de perguntas. Algumas pessoas perguntam por curiosidade, outras cheias de preconceitos. É natural que um país com uma cultura tão diferente da nossa seja cercado de mistérios e curiosidades.

Acompanhe abaixo mais perguntas e respostas:

  • Você consegue encontrar comidas brasileiras aí? A comida é muito diferente?

A comida árabe é bem saborosa. Vale a pena se aventurar nos pratos típicos para descobrir novos sabores e quem sabe até aprender a cozinhá-los. Eu adoro hummus com pão árabe e aprendi a comer iogurte com comidas salgadas como eles fazem por aqui. Foram novas formas e novos sabores que incluí no meu dia a dia.

Quanto à comida brasileira, é possível encontrar produtos brasileiros por aqui. Marcas internacionais também estão disponíveis na maioria dos mercados.

De vez em quando aparece um Guaraná Antártica, tem muito frango Sadia e Perdigão. Uma vez encontrei até ração de cachorro da Monello e erva de chimarrão argentina.

Comidas mais tradicionais como farofa e goiabada eu nunca vi. Já o feijão é possível encontrar alguns tipos.

Depende muito da região e do mercado.

Quanto aos restaurantes, aqui tem várias franquias conhecidas internacionalmente. Tem muita opção de restaurantes para experimentar, de todos os tipos de culinárias do mundo. É muito popular por aqui cafeterias (eles adoram café) e cada vez mais se popularizam os “food trucks” com comidas gourmet.

Leia também: Obtenção de visto de trabalho na Arábia Saudita e IQAMA

 

  • É verdade que não pode ter cachorro?

Não! Eu também achava que não podia antes de me mudar, pois li em vários lugares que para a religião muçulmana o cachorro é considerado um animal impuro. Mas não é verdade que aqui não tenha cachorros domésticos. Está certo que os gatos são os mais populares e que é raro um saudita ter cachorro em casa. Quando eles têm cachorro, são de grande porte e que ficam do lado de fora da casa.

Mas você expatriada que quiser trazer seu “Luluzinho” pode vir que aqui tem pet shop, veterinário e ração no mercado.

Nos pets shops eu nunca vi cachorros à venda, mas parece que se você quiser comprar um, alguns pets conseguem “encomendar”.

 

  • Estou grávida. É seguro ter bebê aí? O marido pode assistir ao parto da esposa?

É bom consultar se o plano de saúde cobre as despesas do pré-natal e do parto. Acredito que todo bom plano cubra sim.

Tenho amigas que tiveram seus bebês aqui e estão todos bem e saudáveis.

Existe um descontentamento geral, entre as pessoas que conheço, quanto ao atendimento nos hospitais. Muitas vezes é preciso tentar até “acertar” um médico bom. Como no Brasil tem aquela brincadeira de que na saúde pública “tudo é virose”, aqui a gente brinca que para qualquer problema a solução é paracetamol.

Quanto ao pai assistir ao parto, isso vai depender da política de cada hospital.

 

  • Fiquei sabendo que não pode mostrar a sola do sapato! É verdade?

Essa pergunta eu me fiz quando li algo do tipo e não faz muito tempo alguém me perguntou isso.

Eu tinha muito receio de levantar o pé e acharem que estava desrespeitando. Parece que sim, mas você não precisa ficar neurótico com isso e controlar cada movimento seu. As pessoas sabem quando algo é de propósito ou apenas um simples movimento. Na academia as vezes é inevitável não apontar a sola do pé para os lados e ninguém faz disso uma declaração de guerra.

Dizem que a maior ofensa por aqui é jogar seu sapato em alguém. Por via das dúvidas, mantenha os seus chinelos nos seus pés.

 

  • Tem muito roubo/assalto, atentados terroristas? É um país seguro?

Eu considero um lugar bastante seguro. As punições para crimes são muito rigorosas.

Um grande número de expatriados provém de países pobres, e esses trabalhadores dependem de seus trabalhos por aqui para sustentar sua família nos países de origem. Cometer crimes é arriscar sua estadia e seu sustento, ser preso e deportado.

É claro que existem crimes. Mas se compararmos com o Brasil, a proporção é muito menor. De acordo com o site Nation Master, podemos ver um comparativo (em inglês) entre Brasil e Arábia Saudita clicando no link aqui.

 

  • Você precisou se converter ao Islã?

Não precisei, mas quase fomos convertidos.

Foi uma história engraçada… logo que chegamos aqui, fizemos amizade com uma família árabe. Meu marido e eu sempre nos mostramos muito curiosos para com as tradições e a religião. Resumindo a história, esse homem achou que queríamos nos converter pelo fato de a gente perguntar muito, e fez meu marido repetir a oração deles e os gestos que fazem quando oram. Meu marido, inocente, repetiu como ele ensinava, e quando terminaram, o homem começou a explicar os próximos passos para oficializar a conversão. Quando nos demos conta do mal-entendido, explicamos que não era essa a intenção e ele entendeu (ficou triste, mas entendeu). Para mim foi engraçado, porque durante essa situação eu me dei conta do que estava acontecendo e saí de perto para não ser “testemunha”. Deixei meu marido na mão, coitado.

Voltando à pergunta, não é preciso se converter. O curioso é que no seu documento de residente, tem um campo em que diz qual sua religião.

 

  • Tem igrejas na Arábia?

Apesar de não importar a sua religião na hora de morar aqui, o que não pode acontecer é qualquer tipo de celebração de outra religião que não seja o Islã. Portanto, não tem igrejas e também não se deve fazer “reuniões” com esse intuito.

Na prática, a polícia não vai passar de casa em casa vendo se algum grupo de oração está se reunindo. A polícia só chega na base de denúncias.

Existem alguns condomínios que são considerados “territórios estrangeiros”, como embaixada por exemplo. Digamos que dentro dos limites da embaixada americana, é considerado território americano, então as leis sauditas não se aplicam, mas sim as americanas. Aí eu deixo a sua imaginação trabalhar pois igreja e álcool não são proibidos na América do Norte.

 

  • Pode trazer Bíblia e coisas referentes à Deus na mala?

Como o país não permite manifestações e celebrações de outras religiões, o correto seria não trazer. Mas uma bíblia pequena ou algo não muito chamativo consegue entrar. A verdade é que não tem um pente fino no aeroporto. Eles não vão abrir mala por mala para conferir o que tem dentro. Se for algo discreto passa. Se você tem uma correntinha com uma cruz, desde que não fique balançando na frente do guarda, você entra com ela sim, não se preocupe. Na prática é bem mais simples.

Só não queira entrar com uma cruz de ferro enorme dentro da mala que vai aparecer no raio X.

A lista de perguntas é imensa, mas vou encerrar por aqui. E claro, se você tiver alguma pergunta, deixe aí nos comentários que eu respondo!

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